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O leque conta com escolhas variadas tanto para quem deseja ou precisa de uma exposição direta ao câmbio como para o investidor que está em busca de ativos que se beneficiam indiretamente da alta da moeda
A disparada recente do dólar mais uma vez reforçou a máxima de que é essencial contar com a moeda norte-americana no portfólio como proteção caso as coisas deem errado.
Desde janeiro, a cotação saltou mais de 25% — saindo de R$ 4,02 para o recorde de R$ 5,05 alcançado nesta segunda-feira. O movimento reflete o pânico provocado pela pandemia de coronavírus e a ação muitas vezes descoordenada das autoridades, como a que levou ao tombo do petróleo.
Mas se contar com dólares na carteira é importante, qual a melhor forma de investir na moeda norte-americana?
O leque conta com escolhas variadas tanto para quem deseja ou precisa de uma exposição direta ao câmbio como para o investidor que está em busca de ativos que se beneficiam indiretamente da alta da moeda.
Conheça abaixo cinco opções: fundos cambiais, Certificados de Operações Estruturadas (COE), minicontratos de dólar, ações de exportadoras e fundos de índice (ETF).
Investir em fundos cambiais é uma das formas mais simples de se ter exposição à variação do dólar. O investimento é dirigido tanto para quem tem algum compromisso com a moeda (por exemplo, uma viagem marcada) como para quem pretende fazer hedge (proteção) para investimentos de risco.
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Nesta modalidade, a rentabilidade da operação é bem próxima à variação da cotação do dólar, já que os ativos na carteira do fundo possuem relação direta ou sintetizada, por meio de derivativos, com a moeda americana. Como se trata de fundo, o investidor interessado tem de adquirir cotas.
Segundo Flávio Mattos, gerente-executivo de fundos de renda fixa e câmbio da BB DTVM, um dos fundos cambiais da gestora do Banco do Brasil, o BB Cambial LP, tem investimento inicial acessível, de R$ 0,01, e facilita a movimentação do investidor.
Isto porque, nele, é possível fazer aplicações e resgates imediatos, sem precisar esperar mais de um dia para a operação ser efetuada. “A grande vantagem é o resgate em D+0”, diz Mattos. “Sem falar, ainda, na compra de moeda física, que o fundo realiza sem pagar altos spreads.”
O spread é a diferença entre os preços de compra e venda do dólar praticados pelas casas de câmbio, como as operações realizadas pelas pessoas físicas.
A compra direta de moeda é uma estratégia menos eficiente justamente porque a casa vende o dólar por um preço maior do que pagou na compra.
O gerente-executivo da BB DTVM afirma ainda que a aplicação em fundos cambiais deve ser “algo natural” mesmo em períodos de calmaria e estabilidade da moeda. Ele confirma que o interesse pelo produto aumentou desde o segundo semestre de 2019, quando se iniciou um forte movimento de apreciação da divisa. A taxa de administração do fundo é de 1% ao ano.
Outros fundos cambiais, como o Trend Dólar FI Cambial e o Votorantim FIC de FI Cambial dólar, cobram taxas menores, com aplicações mínimas maiores, de R$ 500 e R$ 1000, respectivamente.
A Anbima aponta que houve aumento de 18% no patrimônio líquido de fundos cambiais de dezembro até fevereiro deste ano, de R$ 3,92 bilhões para R$ 4,65 bilhões.
Outra opção para quem quer correr atrás de segurança em dólar é investir em ouro, alternativa considerada "porto seguro" nos mercados.
Atenção, porém, a uma coisa: o ouro é um ativo cotado em dólar no mercado financeiro internacional, mas tem maior volatilidade uma vez que seu desempenho é influenciado também pelo mercado de commodities.
Minicontratos de dólar futuro são mais uma opção para os interessados em se proteger e tentar lucrar com a alta da moeda norte-americana.
Este contrato, disponível para a negociação no mercado futuro da B3, possui um código — uma letra — correspondente a cada um dos meses do ano. É considerada uma opção acessível tanto a empresas de pequeno e médio porte quanto às pessoas físicas.
Um minicontrato representa 20% do contrato cheio de dólar, o que corresponde a US$ 10 mil. No minicontrato de dólar futuro, o investidor pode operar alavancado.
O que isto quer dizer? Simplesmente, que não é necessário ter em mãos o valor equivalente ao contrato, mas, sim, um percentual do valor do contrato que está sendo negociado. Esse percentual, chamado de margem de garantia, demonstra a capacidade do cliente arcar com possíveis prejuízos.
Em miúdos, a operação desses derivativos constitui acordos de compra e venda de dólar com preços previamente definidos. O investidor opera na ponta comprada (esperando que o dólar suba) ou vendida (esperando que caia).
Deste modo, a compra ou venda será concluída em uma data futura, e o resultado da operação — ou seja, o lucro ou prejuízo — corresponderá à variação da cotação da moeda no período coberto.
Os Certificados de Operações Estruturadas (COEs) são produtos financeiros cujo objetivo é simplificar uma operação de derivativos (instrumentos que têm preços derivados da variação do preço de outro ativo). O COE é versátil pois combina diferentes aplicações, sejam em índices, ações ou moedas.
O COE é capaz de oferecer opções distintas a depender do perfil do investidor. O instrumento pode ter capital protegido ou não, em casos de maior apetite ao risco. O primeiro tipo oferece proteção total do capital aplicado, garantindo que o investidor receba de volta, no mínimo, o valor que investiu; já o segundo, de valor nominal em risco, não prevê limite para perdas no capital investido.
“Um dos pontos positivos do COE é poder correr o risco na renda variável e ainda assim ter o seu capital protegido”, diz Rafael Panonko, chefe da equipe de análise da Toro. Segundo ele, trata-se de produto de cenário de longo prazo, que possui algumas limitações relacionadas ao prazo da operação e à liquidez do mercado.
“A partir do momento em que se compra o COE, não há muita liquidez, e não dá para sair dele”, diz Panonko. “É preciso avaliar também com cuidado a data do encerramento da operação, verificando-se o seu prazo máximo.”
Como ponto positivo para o investidor que pretende diversificar os investimentos no exterior, o COE também permite o acesso a mercados internacionais.
Você também pode encontrar na bolsa formas de ter exposição ao dólar, via ações de empresas exportadoras e ETFs. Nestes casos, porém, as rentabilidades não serão necessariamente iguais à variação da moeda, porque os ativos estão atrelados a outras variáveis.
Os ETFs (Exchange Traded Funds) são fundos de investimento com cotas negociadas em bolsa, como se fossem ações. Esses fundos replicam o comportamento de um índice de referência, seja de renda variável (como o Ibovespa) ou de renda fixa — por esta razão, também são chamados de “fundos de índice”. Com eles, o investidor tem acesso ao mercado local e ao externo.
“Recomendo o IVVB11, ligado ao S&P 500, porque é uma forma alternativa de estar atrelado ao dólar”, diz Panonko, da Toro Investimentos. O S&P 500 é o principal índice de ações dos Estados Unidos. Ao comprar o ETF, é como se o investidor tivesse investido em todas as ações do índice, ficando, indiretamente, exposto ao dólar.
Por isso, o ganho no caso de uma alta da moeda pode não compensar uma eventual queda do índice de ações, como acontece neste momento, diante do choque nos mercados provocado pelo coronavírus.
Para investir em um ETF, basta abrir conta em corretora de valores, habilitar o home broker e adquirir as cotas.
Ações de empresas brasileiras voltadas para a exportação são outra pedida para quem deseja uma exposição apenas indireta ao câmbio. “Com relação ao dólar, gostamos de Vale e Suzano, ambas relacionadas a commodities”, diz Luís Sales, analista de ações da Guide Investimentos. A Suzano é a predileta entre os dois papéis, levando em conta questões ambientais e de governança, disse Sales.
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