Por que o mercado só fala em rotação das carteiras (e o que você deveria fazer)
A resposta me parece ser ter uma carteira balanceada, com boas companhias que conseguirão sobreviver a novos lockdowns caso eles aconteçam, e também com empresas ligadas à tecnologia

Nos últimos dias, só se fala na tal da rotação das carteiras (ou, rotation trade), não é mesmo?
Caso não acompanhe de perto o mercado, convido você a conferir os dois gráficos a seguir para entender melhor do que eu estou falando. O primeiro é o da Gol Linhas Aéreas (GOLL4), que subiu cerca de 50% desde o início de novembro.
O segundo, de Magazine Luiza (MGLU3), que perdeu mais de 10% de valor de mercado desde o pico marcado no dia 5 de novembro.
O que tem acontecido é que os investidores estão sentindo o cheirinho cada vez mais próximo do fim da pandemia, por causa das notícias sobre o surgimento de vacinas bastante eficazes.
E na cabeça da maioria deles, essas notícias serviram como um sinal verde para voltar a comprar tudo aquilo que foi mais afetado pela pandemia.
Mais do que isso: de que também chegou a hora de pular fora das companhias que se aproveitaram do lockdown, as conhecidas como ações "stay at home".
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Mas será que isso tem sentido?
[captacao]
Mais ou menos
Com a retomada da normalidade nas atividades e circulação de pessoas, é natural imaginar que aquelas companhias que se beneficiam exclusivamente do movimento "stay at home" percam receita.
Pense no caso da plataforma Zoom. Com a volta dos funcionários aos escritórios, faz sentido esperar que menos empresas ao redor do mundo utilizarão os seus serviços de reuniões online, o que atrapalha as perspectivas de resultados futuros da companhia e, consequentemente, o preço de suas ações.
Por outro lado, aquelas empresas com poucas condições de sobreviver em um mundo onde as pessoas precisam ficar trancafiadas dentro de casa são as que mais se beneficiam com a chegada da vacina.
É o caso da CVC Turismo, das companhias aéreas e até das administradoras de shoppings. Com a vacina, mais pessoas voltarão a viajar, passear e, por isso, é natural ver as ações desses setores subindo mais.
Mas isso não quer dizer que você deveria vender todas as suas ações relacionadas à tecnologia e, muito menos, encher a carteira de ações que se arrebentaram com a pandemia.
Ainda não sabemos exatamente quando as vacinas chegarão, se elas serão realmente tão eficazes, nem se elas estarão disponíveis antes de uma segunda ou terceira ondas.
Já pensou se você faz essa rotação e o governo anuncia um lockdown no dia seguinte? Seria um prejuízo grande na certa!
A resposta me parece ser ter uma carteira balanceada, com boas companhias cujas ações se ferraram na pandemia e que conseguirão sobreviver a novos lockdowns caso eles aconteçam, e também com empresas ligadas à tecnologia que aproveitaram a pandemia para plantar sementes transformacionais que trarão bons resultados com ou sem vacina, como é o caso de Magazine Luiza.
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O super app
O mercado financeiro adora regrinhas de bolso, índices ou indicadores que possam seguir cegamente e sem gastar muitos neurônios para decidir o que comprar e o que vender.
Como vimos, o rotation trade tem sentido, sim. O grande problema é tornar essa análise tão simplista quanto vender tudo o que se beneficiou do lockdown e comprar tudo o que foi prejudicado por ele, que é o que parece estar acontecendo.
Essa abordagem esquece de considerar mudanças importantes que aconteceram no meio de caminho e que ficarão para sempre em alguns setores.
Por exemplo, no e-commerce, a pandemia provocou um um volume de vendas no primeiro semestre de 2020 que somente deveria ter sido atingido depois de 2023.
Mas isso não é tudo. A pandemia começou a provocar uma aceleração na mudança do perfil de produtos consumidos.
Antes, as vendas online estavam muito mais concentradas em linha branca, eletrodomésticos e eletrônicos, que não são categorias tão vantajosas para as varejistas porque têm recorrência de compra baixa. Você não compra uma geladeira por mês, nem um celular por semana.
E essa falta de assiduidade impede que o cliente se fidelize à marca. Da próxima vez que ele for comprar um fogão, já vai ter esquecido a loja na qual adquiriu o último.
Com a pandemia, o consumo online de outras categorias de maior recorrência deslanchou.
Sabendo disso, o Magazine Luiza resolveu agir. Com as aquisições da Netshoes (roupas e calçados), Estante Virtual (livros), AiQFome (food delivery), Época (cosméticos), entre outras, ela colocou dentro de seu app uma gama produtos e serviços que são adquiridos com muito mais frequência, o que contribui para uma maior fidelização à marca.
Se no mês passado você comprou um tênis, dois livros e pediu um rango no app Magalu, é bem provável que dará uma espiadinha no mesmo app quando estiver pensando em renovar a cozinha.
No mesmo app Magalu você ainda consegue um empréstimo, contrata um seguro e paga um boleto. É o conceito do super app, que tem boas chances de mudar os hábitos de consumo dos seus usuários para sempre.
Um pé em cada barco
Mas o ponto mais importante está no fato de que o mercado parece se esquecer que o Magazine Luiza não é um varejista exclusivamente online.
Apesar do sucesso no e-commerce, a companhia possui mais de mil pontos de venda espalhados pelo Brasil que também se aproveitam da reabertura e são peça fundamental para o sucesso operacional da companhia nos últimos anos, já que elas são mais do que lojas físicas. Elas melhoram bastante a experiência de compras online da companhia.
É o conceito de "ship from store", por exemplo, que permite que quase metade das vendas da companhia sejam entregues em menos de 24 horas.
Isso porque as lojas físicas são integradas ao online e servem como mini-centros de distribuição para entregas nas proximidades.
Além disso, as lojas físicas também permitem o tal do "clique e retire", "receba em casa e troque na loja" entre várias outras experiências de compra que misturam online e o físico e aumentam tremendamente a experiência do cliente.
E melhor experiência significa maiores vendas, maiores receitas e maiores lucros no longo prazo.
Não há dúvidas de que uma vacina deve desacelerar o crescimento do comércio online, o que não é nada bom para quem vive só deste canal.
Mas o Magazine Luiza tem plantado sementes transformacionais e adotado um modelo no qual o varejo online e físico se encontram e se completam para entregar resultados positivos em qualquer um dos cenários que se colocarem à nossa frente – com vacina ou sem vacina, com segunda onda ou sem segunda onda, com lojas fechadas ou abertas.
Promoção de Black Friday
Eu sei que você quer terminar logo esse texto para correr atrás daquele descontasso que só aparece uma vez por ano na Black Friday.
Mas quem disse que você não vai encontrar boas promoções por aqui? Hoje essa coluna também está em clima de promoção.
Para começar, vejo o recuo recente de MGLU3 como uma oportunidade imperdível por tudo o que já comentei. Por isso, inclusive, ela é uma das estrelas da série As Melhores Ações da Bolsa.
Além disso, hoje a Empiricus também está em clima de Black Friday e traz uma promoção especial para quem assinar qualquer série essencial (inclusive As Melhores Ações da Bolsa).
Se quiser conferir, deixo aqui o convite.
Um grande abraço e até a próxima!
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