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Ruy Hungria
Sextou com o Ruy
Ruy Hungria
É formado em Física e especialista em bolsa e opções na Empiricus
2020-08-20T20:25:03-03:00
Sextou com o Ruy

O pânico com a ameaça ao ajuste fiscal pode virar oportunidade na renda fixa

Apesar da perda de atratividade do Tesouro Selic, outros títulos públicos voltaram a ganhar destaque nos últimos dias com a queda do veto de reajuste aos servidores e rumores sobre uma possível saída de Paulo Guedes

21 de agosto de 2020
5:31 - atualizado às 20:25
Ilustração sobre melhores investimentos na renda fixa em 2019
Imagem: POMB/Seu Dinheiro

Na semana passada, falamos sobre como a taxa básica de juros no patamar de 2% ao ano vinha diminuindo cada vez mais a atratividade de investimentos na poupança e em títulos do Tesouro atrelados à Selic.

Mas como diz aquela frase famosa: nada é tão constante quanto a mudança.

Apesar da perda de atratividade do Tesouro Selic, outros títulos públicos voltaram a ganhar destaque nos últimos dias com a queda do veto de reajuste aos servidores e rumores sobre uma possível saída de Paulo Guedes do governo.

Afinal, por que isso aconteceu?

Finanças pessoais

Por mais que você seja extremamente disciplinado com as suas finanças, vira e mexe aparece aquela tentação querendo tirar você da linha, não é mesmo?

Pode ser um carro novo, um celular com aquela câmera que promete transformar os seus cliques em verdadeiros ensaios fotográficos ou aquele tênis que está na moda hoje, mas que você sabe que ficará encostado no fundo do armário quando chegar a moda do mês que vem.

Você até pode gastar uma grana que esteja sobrando de vez em quando.

Mas ficar comprando sem parar, sem planejamento, só para satisfazer os seus anseios consumistas de curto prazo vai comprometer seriamente a sua capacidade de arcar com compromissos futuros e alguns imprevistos que possam surgir, como gastos médicos, por exemplo.

Lembre-se: cuidar das suas finanças hoje é a melhor forma de garantir a capacidade de pagar as contas de amanhã.

Mas o que as suas finanças pessoais têm a ver com o cenário político-econômico atual?

Teto de vidro

Depois da saída de Salim Mattar e Paulo Uebel na semana passada, respectivos secretários da privatização e da desburocratização do governo, o mercado passou a questionar com maior preocupação a permanência do próprio Paulo Guedes no posto de ministro da Economia – o que inclusive ajudou a trazer o índice para baixo dos 100 mil pontos nesta semana.

Mas por que isso é tão importante para o mercado?

Por causa da pandemia, o governo está gastando tudo o que pode com auxílios para amenizar a perda de parte da renda da população mais vulnerável.

Até aí, tudo bem. O país não pode simplesmente esquecer dos que mais precisam.

O problema é que, depois de ver que a ajuda impactou positivamente a sua popularidade, o governo agora está querendo gastar também o que não pode, o que vai comprometer seriamente a capacidade de o país arcar com os compromissos futuros.

Assim como acontece nas finanças pessoais, gastar demais hoje significa comprometer a capacidade de investimentos futuros em infraestrutura, educação, saúde...

Mais importante ainda do ponto de vista dos investidores: gastar demais hoje compromete a capacidade do país pagar suas dívidas no futuro – incluem-se aqui os títulos do Tesouro.

Caso não saiba, se você comprou um título de dívida do governo e se o país não tiver dinheiro para te pagar no futuro, seu investimento irá por água abaixo.

E como Paulo Guedes é visto pelo mercado como a figura mais importante no combate aos gastos excessivos em Brasília, a possibilidade de ele deixar o posto trouxe um mal-estar compreensível.

Janela de oportunidade

Mas esta não é uma coluna política e eu prefiro deixar os assuntos de Brasília com o pessoal da Arko que é quem realmente entende do assunto.

O que interessa pra gente é que dá para ganhar dinheiro com essa confusão.

Assim como dissemos no início do texto, apesar do título Selic (pós-fixado) oferecer oportunidades de ganho pequenas neste momento em que os juros básicos estão em 2%, isso não quer dizer que não dá para ganhar um bom dinheiro com outros títulos de renda fixa.

Por exemplo, você sabia que do final de março até o início de agosto, enquanto o Tesouro Selic se valorizou apenas 1%, o Tesouro Prefixado 2026 rendeu 20% aos seus detentores?

Fonte: Tesouro Direto

Pois é! Isso é uma boa prova de que a renda fixa não está morta, mas é preciso saber como jogar esse jogo de juros baixos.

A boa notícia de toda essa confusão envolvendo a possível saída de Paulo Guedes e o reajuste dos servidores é que os investidores "panicaram" e fizeram alguns títulos do Tesouro voltarem para patamares de preços com chances de ganhos excelentes – especialmente aqueles com prazo de vencimento maior, que foram os mais afetados pelo estresse.

Os assinantes do High Yield estão aproveitando essa janela única de oportunidade para investir em uma carteira de títulos que o Luiz Rogé gosta de chamar de Renda Programada, com grande potencial de valorização.

E se você acha que renda fixa se restringe apenas a títulos do Tesouro, saiba que o High Yield também traz sugestões de investimento em Letras de Crédito (LCI e LCA), debêntures, CDBs, além de um ETF para comprar agora mesmo.

Caso queira conhecer a série, deixo aqui o convite.

Um grande abraço e até a próxima!

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