Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Problemas com o gráfico a seguir (sobre os milhões de CPFs na Bolsa brasileira)

Demoramos cerca de cem anos para colocar 800 mil CPFs cadastrados na B3. Então, em um ano, triplicamos esse número.

23 de junho de 2020
10:39 - atualizado às 13:25
Sede da B3 em São Paulo
Sede da B3 em São Paulo - Imagem: Shutterstock

As coisas acontecem devagar. Até que acontecem depressa, subitamente.

Demoramos cerca de cem anos para colocar 800 mil CPFs cadastrados na B3. Então, em um ano, triplicamos esse número.

O gráfico abaixo tem circulado por aí, muitas vezes acompanhado de boa dose de comemoração.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

De fato, há razões para se comemorar. Sinal inequívoco da sofisticação dos investimentos das pessoas físicas brasileiras, algo pelo qual nós mesmos lutamos por bastante tempo. 

Evidência também de uma conquista macroeconômica brasileira: a principal força propulsora desse movimento é a taxa básica de juros mais baixa. O investidor, vendo seu extrato bancário com rentabilidade real negativa na poupança ou no CDI, se vê obrigado a mudar. O sapo não pula por boniteza, mas por precisão. O Brasil era uma aberração de juro alto, onde o investidor era remunerado enormemente sem correr risco. Felizmente, essa distorção foi corrigida (esperamos que de maneira definitiva). Temos consequências muito importantes para consumo, investimento e endividamento público a partir das menores taxas de juro. E agora, para ter mais rendimento, o investidor há de incorrer em mais risco, como em qualquer lugar do mundo.

Fique claro: com isso, não estou dizendo que a diminuição da taxa Selic seja a única razão por trás de toda essa grande rotação. Não é somente a falta de água que faz os gnus no Serengeti desfilarem a grande migração. A digitalização certamente também desempenha um papel fundamental aqui, dando maior facilidade às pessoas físicas para, por meio da tecnologia, conseguir reestruturar seus investimentos. Os autobatizados shoppings financeiros, com protagonismo claro da XP Inc. (com os devidos méritos), cumprem função determinante aqui. A B3, evidentemente, merece elogios nesse ambiente — arrisco dizer que, pela primeira vez em sua história, houve uma política clara e voltada exclusivamente ao varejo. Todos nós deveríamos agradecer ao Felipe Paiva (e equipe) e, claro, ao Gilson por esse momento histórico.

Essas duas forças estruturais e seculares (Selic baixa e digitalização) sintetizam aquilo que André Esteves, do BTG, tem chamado de “financial deepening”. O próprio BTG, aliás, para acelerar sua participação no fenômeno, acaba de anunciar uma oferta de ações. A ideia é captar dinheiro para investir justamente em sua operação digital. Embora negue-se alguma aquisição específica no segmento, eu sinceramente não acredito. Entendo que o BTG deva aumentar sua fatia no Pan e comprar alguma plataforma de investimento, talvez Easy, Guide ou Órama (estão todas na prateleira). E hoje mesmo foi anunciada a aquisição de 35% do ModalMais pelo Credit Suisse — fala-se num valuation total de R$ 5 bilhões (uau!). Apenas algumas referências para mostrar o quão aquecido está o setor.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A lista de fatores por trás da maior participação da pessoa física na B3 dificilmente poderia ser esgotada aqui, mas poderíamos citar ainda entre os elementos principais: a adoção, desde o governo Temer, de uma política econômica mais ortodoxa, uma postura governamental mais clara em favor de apoio ao mercado de capitais, maior fluidez de informação sobre investimentos por meio da internet, o ganho de importância de influencers digitais (que ficaram bastante famosos e populares), avanços regulatórios por meio do reconhecimento pela CVM da importância dessa nova comunicação digital, etc.

Leia Também

Não há como se animar com a sofisticação dos investimentos pela pessoa física. Agora, ela se vê obrigada a diversificar dentro da própria renda fixa, saindo dos pós-fixados soberanos em direção a crédito privado e indexados e prefixados de maior duration. Além disso, passa a experimentar o esperado maior retorno potencial das ações, mediante a menor atratividade relativa da renda fixa. E pode internacionalizar e dolarizar sua carteira, conferindo uma importante diversificação geográfica e de moedas ao seu portfólio, o que era quase impossível antes, no Brasil dos juros básicos de 15% ao ano, quando o custo de oportunidade de sair do país impunha ligar contra si um taxímetro que rodava a mais de 1% ao mês. Inviável. Agora, com tecnologia e conta de capital aberta, podemos facilmente ser investidores globais, quase sem perceber.

Receio, porém, de que a celebração esteja sendo feita sem o devido comedimento. Quando as festas são feitas sem que se aprecie com moderação, sabemos das consequências. A ressaca pode ser grande. 

O que está acontecendo?

Muitas das pessoas estão sendo atraídas por uma falsa expectativa de lucros rápidos e sem risco, concentrando suas posições em uma ou outra ação de sua empresa favorita, normalmente defendida por algum daytrader de plantão — alavancado e que só sabe ganhar dinheiro mesmo com front running. Nos EUA, o caso mais famoso é de Dave Portnoy, que, sem qualquer exagero, tem milhares de seguidores, chama Warren Buffett de idiota e afirma que “stocks only go up” (as ações só fazem subir). 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Sim, é um fenômeno global e tem na plataforma Robinhood a maior representação de seus excessos, com uma explosão de contas de novos daytraders (muitos deles sem ter o que fazer na quarentena e, surpreendentemente, com aumento de renda, dado o coronavoucher norte-americano, disponibilizado até para quem muitas vezes não precisava), a multiplicação do interesse por empresas que acabaram de decretar falência e, como uma estatística sombria, aumento das taxas de suicídio.

O Robinhood acaba de reportar 3 milhões de novas contas abertas no primeiro trimestre de 2020, sendo metade delas de traíres de primeira viagem. Do total, 32% têm entre 25 e 34 anos.

O tema foi recentemente tratado em coluna de Scott Galloway, professor da NYU Stern, de título “iAddiction”. A certa altura, ele afirma: “mídias sociais e jogos de apostas têm o mesmo mecanismo psicológico viciante: recompensas variáveis — você continua desempenhando uma ação na esperança de conseguir uma possível, mas improvável recompensa. Esse é o tipo de comportamento que é mais viciante e mais difícil de ser interrompido”.

Pausa para um brevíssimo testemunho pessoal: por alguns anos de sua vida, marcados por seus maiores fracassos financeiros, meu pai foi um daytrader. Ele perdia, perdia e perdia, mas mantinha a expectativa incólume de que seu próximo trade seria vencedor — um retorno altamente improvável mas certeiro, que lhe permitiria mais do que compensar as várias rodadas de prejuízo. Era um comportamento típico de um viciado, atormentado pela ruína financeira e pela falta de esperanças num caminho alternativo. O desalento está entre as piores sensações.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Veja que curioso: segundo Galloway, 12% de toda atividade de trading vem dos daytraders; contudo, os daytraders respondem por apenas 1,6% dos traders lucrativos. Homens tradam mais do que as mulheres, e os solteiros negociam mais do que os casados. Crashes no mercado têm sido associados historicamente a aumentos no número de suicídios. 

O crescimento do número de pessoas físicas no Brasil merece, sim, ser celebrado. Com efeito, é um processo apenas no início, que deve durar por anos e anos ainda, sendo um caminho sem volta. No mito da caverna de Platão, fica impossível voltar às sombras depois que você viu o mundo sob a claridade. 

Contudo, os processos de crescimento muito rápido e acelerado dificilmente acontecem de forma organizada, racional, bem pensada e comportada. Elas se dão de forma orgânica, com suas próprias excentricidades. Trazem riscos e problemas, as consensualmente batizadas “dores do crescimento”.

Todos nós — financistas e investidores, novos ou velhos — devemos cuidar para que essa dinâmica não exploda em seu início. Para isso, alguns cuidados:

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

— O investidor precisa lutar contra um dos mais elementares sentimentos humanos: a ganância. Se ele estiver atraído pela próxima superoportunidade que, se comprada de forma concentrada, vai fazê-lo multiplicar rapidamente seu patrimônio, possivelmente isso não vai acabar bem. O problema de concentrar suas apostas num único cavalo é que, necessariamente, uma hora você vai errar. Todos erram. Soros, Buffett, Jorge Paulo Lemann, todos colecionam uma lista de investimentos errados em sua trajetória. O problema de errar concentrado é que vai ser um erro grande, que pode implicar falência. Você será expulso do jogo. Está fora, não volta mais. Isso precisa ser evitado a qualquer custo.

— Havemos de combater fortemente mensagens do tipo: “stocks only go up”. O problema da renda variável é que ela varia. Ações caem. E caem muito. Você precisa estar preparado para isso. 

— O investidor que saiu da poupança ou do CDI para ir à B3 pode entendê-la da mesma forma que sua aplicação anterior. Da mesma maneira com que ele não ficava tradando de uma conta poupança para outra, ele não deve ficar trocando de posição toda hora em Bolsa. Ações são pedaços de empresas e, obviamente, empresas obedecem a ciclos empresariais, que duram anos, não semanas ou poucos meses. Estamos comemorando a multiplicação dos CPFs porque isso representa desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro, não é isso? Portanto, entendamos o mercado de capitais pelo que ele é: instrumento de formação de poupança de longo prazo, não um cassino viciante.

— Precisamos lutar por uma maior diversificação do investidor, não somente de ativos, mas de fatores de risco. Se você está comprado em BOVV11 e B50, você não está diversificado. Precisamos ter Bolsa (com ações de baixa correlação entre si), indexados, fundos imobiliários, dólar, ouro. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Feliz e infelizmente (sim, essa coexistência é possível!), estamos apenas começando.

Se você está interessado em montar uma carteira diversificada, deixo o convite para conhecer a série Palavra do Estrategista e receber sugestões de investimento por R$ 5 ao mês.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Nada como uma Super Quarta depois da outra 

29 de abril de 2026 - 17:30

Corte já está precificado, mas guerra, petróleo e eleições podem mudar o rumo da política monetária

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A Selic e a expectativa para o futuro, resultados da Vale (VALE3) e Santander (SANB11) e o que mais move os mercados hoje

29 de abril de 2026 - 8:25

Entenda por que a definição da Selic e dos juros nos EUA de hoje é tão complicada, diante das incertezas com a guerra e a inflação

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A Super Quarta no meio da guerra entre EUA e Irã, os resultados da Vale (VALE3), e o que mais move os mercados hoje

28 de abril de 2026 - 8:20

A guerra no Irã pode obrigar a Europa a fazer um racionamento de energia e encarecer alimentos em todo o mundo, com aumento dos preços de combustíveis e fertilizantes

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

Super Quarta em meio ao caos da guerra: Copom e Fed sob a sombra de Ormuz

28 de abril de 2026 - 7:38

Guerras modernas raramente ficam restritas ao campo militar. Elas se espalham por preços, cadeias produtivas, inflação, juros e estabilidade institucional

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A maratona dos bancos brasileiros, Super Quarta, e o que mais esperar dos mercados nesta semana

27 de abril de 2026 - 8:09

Entenda o que esperar dos resultados dos maiores bancos brasileiros no 1T26; investidores estarão focados nos números que mais sofrem em ciclos de crédito mais apertado e juros maiores

SEU DINHEIRO LIFESTYLE

Fogo na cozinha de Milei: Guia Michelin e o impasse da alta gastronomia na Argentina

25 de abril de 2026 - 9:01

Governo federal corta apoio a premiação internacional e engrossa caldo do debate sobre validade do Guia Michelin

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A disputa pelos precatórios da Sanepar (SAPR11), as maiores franquias do Brasil, e o que mais você precisa saber hoje

24 de abril de 2026 - 8:50

Mesmo sem saber se o valor recebido em precatórios pela Sanepar será ou não, há bons motivos para investir na ação, segundo o colunista Ruy Hungria

SEXTOU COM O RUY

Amantes de dividendos: Sanepar (SAPR11) reage com chance de pagamento extraordinário, mas atratividade vai muito além

24 de abril de 2026 - 6:01

A Sanepar não é a empresa de saneamento mais eficiente do país, é verdade, mas negocia por múltiplos descontados, com possibilidade de início de discussões sobre privatização em breve e, quem sabe, uma decisão favorável envolvendo precatório

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como imitar os multimilionários, resultados corporativos e o que mais move os mercados hoje

23 de abril de 2026 - 8:36

Aprenda quais são as estratégias dos ricaços que você pode copiar e ganhar mais confiança na gestão do seu patrimônio

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Lições da história recente sobre sorrir ou chorar no drawdown

22 de abril de 2026 - 20:00

O mercado voltou a ignorar riscos? Entenda por que os drawdowns têm sido cada vez mais curtos — e o que isso significa para o investidor

ALÉM DO CDB

Teste na renda fixa: o que a virada de maré no mercado de crédito privado representa para o investidor; é para se preocupar?

22 de abril de 2026 - 19:31

Alta nos prêmios de risco, queda nos preços dos títulos e resgates dos fundos marcaram o mês de março, mas isso não indica deterioração estrutural do crédito

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O que atrapalha o sono da Tenda (TEND3), o cessar-fogo nos mercados, e o que mais você precisa saber hoje 

22 de abril de 2026 - 8:31

Entenda por que a Alea afeta o balanço da construtora voltada à baixa renda, e saiba o que esperar dos mercados hoje

INSIGTHS ASSIMÉTRICOS

A estratégia vencedora em um cessar-fogo que existe e não existe ao mesmo tempo

21 de abril de 2026 - 9:30

Mesmo que a guerra acabe, o mundo atravessa um período marcado por fragmentação e reorganização das cadeias globais de suprimento, mas existe uma forma simples e eficiente de acessar o que venho chamando de investimento “quase obrigatório” em tempos de conflito

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

O poder dos naming rights, impasse no Estreito de Ormuz continua e pressiona economia, e o que mais você deve ficar de olho hoje

20 de abril de 2026 - 8:56

O Nubank arrematou recentemente o direito de nomear a arena do Palmeiras e mostra como estratégia de marketing continua sendo utilizada por empresas

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As aventuras de Mark Mobius, os proventos da Petrobras (PETR4), resultados da Vale (VALE3), e o que mais você precisa saber hoje

17 de abril de 2026 - 8:13

Conheça a intensa biografia de Mark Mobius, pioneiro em investimentos em países emergentes, e entenda quais oportunidades ainda existem nesses mercados

SEXTOU COM O RUY

A ironia do destino de Mark Mobius: o rali histórico de emergentes que o ‘pai dos emergentes’ não terá chance de ver

17 de abril de 2026 - 6:07

Ainda não me arrisco a dizer que estamos entrando em um rali histórico para os mercados emergentes. Mas arrisco dizer que, esteja onde estiver, Mobius deve estar animado com as perspectivas para os ativos brasileiros.

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

As incertezas nos balanços do 1T26, dólar a R$ 4,90, resultado da Vale (VALE3), e o que mais esperar dos mercados hoje

16 de abril de 2026 - 8:12

Com transformações e mudanças de tese cada vez mais rápidas, entenda o que esperar dos resultados das empresas no primeiro trimestre de 2026

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Ibovespa — matando a sede com a metade cheia do copo 

15 de abril de 2026 - 20:00

Com a desvalorização do dólar e a entrada de gringos na bolsa brasileira, o Ibovespa ganha força. Ainda há espaço para subir?

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

A invasão gringa nos FIIs, a relação entre economia e eleições, e o que move os mercados hoje

15 de abril de 2026 - 8:29

Entenda como a entrada de capital estrangeiro nos FIIs pode ajudar os cotistas locais, e como investir por meio de ETFs

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Como se proteger dos choques cada vez mais comuns de petróleo, recorde na bolsa, e o que mais move os mercados hoje

14 de abril de 2026 - 8:34

Confira qual é o investimento que pode proteger a carteira de choques cada vez mais comuns no petróleo, com o acirramento das tensões globais

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia