O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Recurso Exclusivo para
membros SD Select.
Gratuito
O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.
Esse espaço é um complemento às notícias do site.
Você terá acesso DE GRAÇA a:
Há uma infinidade de novos participantes em Bolsa. Em poucos meses, investir em ações virou moda. Como lidar com a ignorância típica dos neófitos?
“As pessoas raramente reconhecem a própria ignorância, porque elas estão trancafiadas ecoando amigos que pensam de forma parecida e sendo alimentadas por notícias confirmatórias das próprias ideias, de modo que suas crenças são constantemente reforçadas e quase nunca desafiadas.
Fornecer às pessoas mais e melhor informação provavelmente não vai mudar a situação. Cientistas esperam combater visões erradas com mais educação científica, especialistas querem modelar a opinião pública em temas como o Obamacare ou o aquecimento global apresentando fatos concretos e relatórios de experts. Essa esperança está calcada em um mau entendimento sobre como os humanos realmente pensam. A maior parte das nossas ideias é moldada por um pensamento comum do grupo, em vez de se apoiar na racionalidade individual, e nós mantemos esse comportamento por conta da lealdade ao grupo. Bombardear as pessoas com mais fatos e expor sua ignorância individual deve resultar em uma espécie de efeito rebote, voltando contra si mesmo. A maior parte das pessoas não gosta de muitos fatos, e certamente não gosta de se sentir estúpida. Não ache que você vai conseguir convencer membros do Tea Party sobre os problemas do aquecimento global por meio de sólidos dados estatísticos.
(...)
Mesmo os cientistas não estão imunes ao problema do pensamento de grupo. De fato, os cientistas que acreditam que os fatos podem mudar a opinião pública são eles mesmos vítimas do pensamento do grupo científico. A comunidade científica acredita na eficácia dos dados, e essa lealdade à comunidade faz com que continuem a acreditar que podem vencer debates públicos jogando fatos reais sobre a mesa, apesar de muita evidência empírica em contrário.
(...)
É muito difícil descobrir a verdade quando você está no comando também. (...) se você quer ir a fundo em qualquer tema, você precisa dedicar muito tempo a ele e, em particular, ter o privilégio de desperdiçar algum tempo. Você precisa testar e experimentar caminhos improdutivos, explorar resultados infrutíferos, abrir-se para dúvidas, para o tédio e para questionamentos, e permitir algum espaço para sementes de insights que possam crescer e prosperar. Se você não puder desperdiçar esse tempo, você nunca estará perto da verdade.
Leia Também
(...)
Na realidade, os humanos sempre viveram numa era de pós-verdade. Homo sapiens é uma espécie da pós-verdade, cujo poder depende da criatividade e da crença em ficção. Desde a Idade da Pedra, mitos que reforçavam as ideias prévias serviram para unir as pessoas. Com efeito, homo sapiens conquistou esse planeta graças à habilidade dos seres humanos de criar e espalhar mitos. Nós somos os únicos mamíferos que podem cooperar em grande escala com estranhos, justamente porque podemos nos unir em prol de uma narrativa, de uma ficção, e depois espalhar essa ficção e esse mito para outros, convencendo milhões de novos humanos a também acreditar nessa narrativa. Enquanto todos acreditarem na mesma ficção, nós podemos obedecer às mesmas leis e cooperar de acordo com elas.
(...)
Quando milhares de pessoas acreditam em alguma história inventada por um mês, isso é fake news. Quando bilhões de pessoas acreditam numa história por mil anos, isso é religião; nós somos repreendidos de chamar isso de fake news de modo a não ofender os crédulos. Note, porém, que não estou negando a efetividade ou o potencial benevolente das religiões. Ao contrário. Para o bem ou para o mal, ficção está entre as ferramentas humanas mais úteis para união e cooperação.
(...)
Apagar a linha entre ficção e realidade pode ser útil para muitos propósitos, começando por diversão e indo até a sobrevivência. Você não consegue jogar jogos ou assistir a novelas se ao menos por um pequeno intervalo de tempo abstrair-se da realidade e viver aquela invenção. Para realmente gostar de futebol, você precisa aceitar as regras do jogo e esquecer por 90 minutos que aquilo é somente uma criação humana sem sentido. Caso contrário, você vai achar aquilo ridículo, com 22 homens correndo atrás de uma bola. Futebol pode começar apenas como uma diversão, mas pode se transformar em algo muito sério, como algum torcedor hooligan pode atestar, ou pode postular identidades pessoais e sociais, sendo característica marcante de grandes comunidades ou sendo foco de violência.”
Desculpe a longa citação. São excertos do livro “21 Lições para o Século 21”, de Yuval Harari, mal traduzidos por mim. Encontrei valor para o momento que estamos vivendo, mesmo com foco particular em investimentos.
Há uma infinidade de novos participantes em Bolsa. Em poucos meses, investir em ações virou moda. Como lidar com a ignorância típica dos neófitos? Como livrá-los das fake news, das narrativas prontas deletérias e colocá-los mais próximos da verdade?
A resposta mais imediata possivelmente seria: alimente-os com dados e fatos, iluminando a escuridão com a luz da razão. Como aponta Harari, porém, isso dificilmente vai funcionar. Ao contrário, pode ter até mesmo efeito negativo, fazendo o sujeito se afastar ainda mais da boa orientação e alijar-se nas narrativas que apenas vão reforçar suas convicções prévias, “cancelando” aqueles que tentavam genuinamente lhe ajudar com a demonstração de um caminho mais difícil, porém verdadeiro.
Se o sujeito chega à Bolsa acreditando que pode viver de day trade, vai ser muito difícil demovê-lo da ideia, ainda que você apresente argumentos científicos sobre o tema. O interlocutor provavelmente vai apenas desqualificar o estudo, muitas vezes com argumentos ad hominem, vai refugiar-se em alguma comunidade de day traders e se juntar com outros que virão em bando atacar quem tentava disseminar o conhecimento científico.
Como sair dessa encruzilhada se não há interesse naquilo que não é capaz de apenas reforçar as convicções de um investidor que, na verdade, nem tem elementos para ter convicções? Como combater a característica essencialmente humana de preferir mitos, ficções e narrativas aos fatos e dados objetivos?
Certamente, não é fácil. Temos um caminho duro pela frente. Mesmo porque não há uma resposta pronta e fechada. Ainda assim, talvez tenhamos alguns primeiros passos a dar.
O próprio Harari oferece duas heurísticas interessantes.
A primeira: se você quer informação de qualidade e confiável, pague um bom dinheiro por isso. Se você recebe informações de graça, há um risco de você mesmo ser o próprio produto. No momento, o modelo dominante no mercado de notícias “informações excitantes que custam nada pra você” — em troca da sua atenção. Você não paga pela notícia, e recebe um produto de baixa qualidade de volta. Para piorar, você mesmo se torna o próprio produto. Sua atenção é capturada por manchetes sensacionalistas e ela é então vendida para anunciantes e políticos. Um modelo muito melhor para o mercado editorial seria: “informação de muita qualidade, que lhe custa algum dinheiro, mas não abusa da sua atenção”. No mundo de hoje, informação e atenção são ativos valiosos. É insano fornecer sua atenção de graça e receber em troca apenas informação de baixa qualidade. Se você está disposto a pagar por boa comida, boas roupas e bons carros, por que não aceitaria pagar por boa informação?
A segunda: se algo é realmente importante para você, faça um esforço para ler a literatura científica a respeito. Ou seja, artigos aprovados por processos de peer-review, livros publicados por pesquisadores conhecidos e respeitados, com sólida publicação em journals acadêmicos, e os escritos de professores de instituições respeitadas. A ciência tem suas limitações, claro, e muitas vezes errou no passado. Contudo, a comunidade científica tem sido por séculos nossa fonte mais confiável de conhecimento. Se você acha que a comunidade científica está errada sobre algo, o que é perfeitamente possível, ao menos saiba as teorias científicas que você está rejeitando e forneça evidência empírica para sustentar sua tese. Por sua vez, os cientistas precisam se engajar nos debates públicos.
Gosto das sugestões de Harari. Arriscaria, porém, uma terceira. Se dependemos de um mito, de uma ficção, de uma imagem ou de uma narrativa para nos unirmos e cooperarmos, se precisamos de algo arquetípico para nos apegarmos além da dura e impiedosa realidade, havemos de criar uma associação imagética aos investidores que seja suficientemente crível, fácil de capturar pelo imaginário coletivo e atraente. Enquanto insistirmos em atrair, legitimar e fidelizar investidores com fatos, dados e planilhas frias, corremos o risco de perdê-los para o day trader que ganha dinheiro todos os dias num cassino, esbanjando notas de dólares que lhe servem de papel higiênico. Gordon Gekko hoje é Sandy Kominsky. O charuto e o whisky foram substituídos por um câncer de próstata. Precisamos evitar esse caminho.
Investir não é sobre prever o futuro político, mas sobre manter a humildade quando o fluxo atropela os fundamentos. O que o ‘Kit Brasil’ e um pote de whey protein têm em comum?
Saiba por que a Direcional é a ação mais recomendada para sua carteira em fevereiro e o que mais move as bolsas hoje
Mercado também reage a indicação para o Fed, ata do Copom e dados dos EUA; veja o que você precisa saber antes de investir hoje
Após um rali bastante intenso, especialmente nos metais preciosos, a dinâmica passou a ser dominada por excesso de fluxo e alavancagem, resultando em uma correção rápida e contundente
As PMEs serão as mais impactadas com uma eventual mudança no limite de horas de trabalho; veja como se preparar
Mesmo tendo mais apelo entre os investidores pessoas físicas, os fundos imobiliários (FIIs) também se beneficiaram do fluxo estrangeiro para a bolsa em janeiro; saiba o que esperar agora
Numa segunda-feira qualquer em dezembro, taças ao alto brindam em Paris. Estamos no 9º arrondissement das Galerias Lafayette, a poucas quadras do Palais Garnier. A terra do luxo, o templo do vinho. Mas, por lá, o assunto na boca de todos é o Brasil. Literalmente. O encontro marcou o start do recém-criado projeto Vin du Brésil, iniciativa que […]
Expansão de famosa rede de pizzarias e anúncio de Trump também são destaque entre os investidores brasileiros
O estrangeiro está cada vez mais sedento pelos ativos brasileiros, e o fluxo que tanto atrapalhou o Ibovespa no passado pode finalmente se tornar uma fonte propulsora
Veja por que o BTG Pactual está transformando FIIs em fiagros, e qual a vantagem para o seu bolso; a bolsa brasileira também irá reagir após o recorde de ontem na Super Quarta e a dados dos EUA
Por isso, deveríamos estar preparados para um corte da Selic nesta SuperQuarta — o que, obviamente, é muito diferente de contar com isso
Tony Volpon, ex-diretor do Banco Central, explica por que a Selic não deve começar a cair hoje; confira a entrevista ao Seu Dinheiro
A primeira Super Quarta do ano promete testar o fôlego da bolsa brasileira, que vem quebrando recordes de alta. Alianças comerciais e tarifas dos EUA também mexem com os mercados hoje
A expectativa é de que o Copom mantenha a Selic inalterada, mas seja mais flexível na comunicação. Nos EUA, a coletiva de Jerome Powell deve dar o tom dos próximos passos do Fed.
Metais preciosos e industriais ganham força com IA, carros elétricos e tensões geopolíticas — mas exigem cautela dos investidores
Sua primeira maratona e a academia com mensalidades a R$ 3.500 foram os destaques do Seu Dinheiro Lifestyle essa semana
Especialistas detalham quais os melhores mercados para diversificar os aportes por todo o mundo
Foque sua carteira de ações em ativos de qualidade, sabendo que eles não vão subir como as grandes tranqueiras da Bolsa se tivermos o melhor cenário, mas não vão te deixar pobre se as coisas não saírem como o planejado
A disputa entre títulos prefixados e os atrelados à inflação será mais ferrenha neste ano, com o ciclo de cortes de juros; acompanhe também os principais movimentos das bolsas no Brasil e no mundo
No ritmo atual de nascimentos por ano, a população chinesa pode cair para 600 milhões em 2100 — menos da metade do número atual