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Crônica da morte anunciada do CDI

14 de fevereiro de 2020
19:25 - atualizado às 14:24
Selo O Melhor do Seu Dinheiro; investimentos
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

“No dia em que o matariam, Santiago Nasar levantou-se às 5h30 da manhã para esperar o navio em que chegava o bispo.”

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Santiago Nasar é o protagonista de “Crônica de uma morte anunciada”, de Gabriel Garcia Márquez. Na história, ele é o único que não sabe do destino fatal que o aguarda desde a primeira frase do genial romance.

No mundo das finanças, Santiago Nasar é o típico investidor brasileiro.

Quando o país ostentava a taxa de juros mais alta do mundo, Santiago conseguia aplicar seu dinheiro com liquidez, alto retorno e baixo risco.

Esse realismo mágico que nem Garcia Márquez foi capaz de criar é conhecido por três letras mágicas: CDI. Com as aplicações mais conservadoras rendendo até 14% ao ano, Santiago não precisava perder tempo para pensar no que fazer com o dinheiro.

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Foi só depois da maior recessão da nossa história e com o processo de queda da taxa básica de juros que as aplicações vinculadas ao CDI enfim tiveram a morte anunciada.

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Mas, por desconhecimento ou esperança de as coisas voltarem a ser como eram antes, Santiago se manteve fiel ao CDI.

Agora não dá mais. Com a redução da Selic para 4,25% ao ano, o rendimento das melhores aplicações conservadoras perde ou na melhor das hipóteses empata com a inflação projetada para os próximos 12 meses.

Passou da hora de assumir um pouco mais de risco em busca de uma rentabilidade melhor, ou então se habituar com a era da “perda fixa”.

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Para ajudar você, a Julia Wiltgen traz um panorama completo da rentabilidade da renda fixa e como você deverá repensar a alocação da sua reserva de emergência. Recomendo muito a leitura!

Leilão que alivia pressão

O Banco Central voltou a atuar no mercado de câmbio nesta sexta-feira e conseguiu conter (pelo menos por enquanto) o ímpeto do dólar. No fechamento do dia, a moeda norte-americana era cotada a R$ 4,30, um valor que representa uma queda de pouco menos de 0,50% na semana. Já na bolsa, o dia foi de queda para o Ibovespa, que encerrou o pregão abaixo dos 115 mil pontos. O Victor Aguiar traz para você o balanço do que mexeu nos mercados.

O PIB subiu no telhado

O IBC-Br, considerado a “prévia” do PIB, continuou a mostrar que a economia brasileira ainda não pegou no tranco. O índice apontou avanço de 0,89% da atividade econômica em 2019, abaixo da projeção do Banco Central, que trabalha com expansão de 1,2% para a economia. O resultado do PIB será divulgado no dia 4 de março, mas o dado de hoje pode indicar que devemos nos acostumar com mais uma frustração de expectativa.

Privatizar? Nem pensar

Burburinhos sobre uma possível privatização da Petrobras não chegam a ser novidade, mas o presidente da empresa não quer conversa. Roberto Castello Branco disse que o único cenário com o qual trabalha é o de não privatização da empresa. Mas isso não significa uma redução no ritmo do programa de venda de ativos atualmente em curso. A estatal tem a intenção de preparar o IPO de uma empresa feita com o “pacote” de 16 usinas movidas a gás, disse ele, em entrevista ao Estadão.

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Filme ruim e repetido

O Banco BMG divulgou ontem à noite o segundo balanço desde o IPO na bolsa, em outubro passado. E, assim como aconteceu da outra vez, as ações reagiram aos números com uma queda violenta, que chegou aos 17,58%. A alta anual de 33,4% no lucro líquido pelo critério gerencial e de 20% no quarto trimestre nem pareceu ruim à primeira vista. Mas foi nos pormenores que o humor dos investidores acabou azedando. Eu conto tudo para você nesta matéria.

Não caiu bem

Outro balanço que não agradou em nada foi o da Usiminas. Mesmo com uma constante redução de endividamento, pesa contra a siderúrgica a dificuldade de entregar resultados mais sólidos. Pelo menos é isso que os analistas do BTG Pactual acreditam. Nesta matéria do Fernando Pivetti, você confere o que eles esperam para a siderúrgica.

Happy hour em dólar

O dólar foi o principal assunto nas mesas de jantar ao longo da semana e inclusive foi pivô das mais recentes polêmicas de Paulo Guedes. E não poderia deixar de ser o protagonista do podcast Touros e Ursos de hoje. No happy hour do Seu Dinheiro, o Victor Aguiar e eu batemos um papo com você sobre os assuntos que bombaram na semana e também respondemos à pergunta de um ouvinte sobre renda fixa. Aperte o play e confira!

Este artigo foi publicado primeiramente no "Seu Dinheiro na sua noite", a newsletter diária do Seu Dinheiro. Para receber esse conteúdo no seu e-mail, cadastre-se gratuitamente neste link.

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