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Na foto da minha carteira de trabalho, eu quase não me reconheço na imagem do adolescente cheio de espinhas, com os olhos esbugalhados e o cabelo raspado na máquina zero.
Ainda assim, guardo com carinho na memória a primeira vez em que tive a carteira assinada, quando fui contratado pela construtora Convap.
Recentemente, quando fui sacar os recursos das minhas contas inativas do FGTS, ainda tinha alguns trocados que foram depositados pela Convap mais de duas décadas atrás.
Posso dizer que tive sorte de conseguir desde cedo um emprego dentro das regras da CLT. Afinal, o desemprego e a informalidade atingem principalmente os mais jovens.
Se a experiência de ser contratado com carteira assinada pode ser inesquecível, ser demitido também traz suas marcas. Ainda mais quando a perda do emprego acontece no meio de uma situação como a pandemia do coronavírus.
Entre março e junho deste ano, mais de 1,5 milhão de pessoas tiveram baixa em suas carteiras de trabalho. Pior, a maioria provavelmente ficou sem saber quando teria outra oportunidade de emprego.
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A crise está longe do fim, mas encerramos esta semana com uma boa notícia: o Brasil voltou a registrar a criação de postos de trabalho formais. Em julho, o saldo entre contratações e demissões foi positivo em 131.010 vagas.
O resultado nem de longe compensa os empregos perdidos, mas pode ser um sinal de que o pior ficou para trás. Quem também comemorou o resultado, como não podia ser diferente, foi Paulo Guedes.
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