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Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

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Os segredos da bolsa: ações para não ficar de ressaca na quarta-feira de cinzas

Enquanto a bolsa está fechada para o Carnaval, fique atento ao desempenho dos ADRs de companhias brasileiras nos EUA — eles darão uma pista importante sobre como será a reabertura das negociações por aqui, na quarta-feira

Victor Aguiar
Victor Aguiar
24 de fevereiro de 2020
5:30 - atualizado às 20:02
Os segredos da bolsa
Imagem: Shutterstock

É Carnaval no Brasil — o que significa que, até a próxima terça-feira (26), a ordem é se divertir e descansar. Mas é claro que, passada a festa, a vida volta ao normal, inclusive na bolsa de valores. Sendo assim, fique atento: algumas ações estarão sob os holofotes nesta semana, e é bom estar preparado para evitar dores de cabeça já na quarta-feira de cinzas.

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Em primeiro lugar, vale a lembrança: a B3 estará fechada na segunda (24) e na terça-feira (25). As negociações só voltam na quarta (26), mas mais tarde: o pregão começará às 13h (horário de Brasília). Isso não quer dizer, no entanto, que não há nada a fazer até lá.

Afinal, os mercados acionários globais funcionam normalmente nos próximos dias — e há ativos de empresas brasileiras sendo negociados nas bolsas dos Estados Unidos. São os chamados recibos de ações (ADRs, na sigla em inglês).

As oscilações desses ADRs na segunda e na terça-feira servirão como uma espécie de 'prévia' do desempenho das ações das companhias no Brasil na quarta-feira, quando as operações voltam ao normal por aqui. Afinal, se o ADR da Petrobras despencar nesse período, é razoável esperar que as ações da estatal passem por algum ajuste negativo na reabertura da B3.

E quais empresas brasileiras possuem ativos negociados nos Estados Unidos? Bem, a lista é enorme e seria inviável citar todas. No entanto, há algumas que se destacam, seja pela liquidez de tais papéis, seja pela importância das companhias.

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Veja abaixo os principais ADRs de empresas brasileiras negociados em Nova York, junto com seus respectivos códigos de negociação:

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  • Petrobras: PBR (equivale às ações ON) e PBR-A (equivale às ações PN);
  • Vale: VALE
  • Ambev: ABEV
  • Itaú Unibanco: ITUB
  • Bradesco: BBD
  • Gerdau: GGB
  • CSN: SID
  • Eletrobras: EBR
  • Embraer: ERJ

Assim, por mais que não haja pregão no Brasil nos próximos dois dias, vale a pena ficar atento ao desempenho desses ativos na bolsa de Nova York. As ações negociadas na B3 fatalmente passarão por algum tipo de ajuste na quarta-feira, baseada nas altas ou baixas dos ADRs no período em que os brasileiros estiveram de fora por causa do Carnaval.

Bloco do eu sozinho

A temporada de balanços do quarto trimestre continua em andamento. No entanto, com a semana mais curta, apenas uma empresa do Ibovespa irá reportar seus resultados nesta semana: a Ambev, na quinta-feira (27).

As ações ON da companhia (ABEV3) têm tido um 2020 bastante fraco: no acumulado do ano, os papéis acumulam baixa de 12,96% — um desempenho inferior ao do Ibovespa, que cai 1,70% no período.

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Apesar da fraqueza das ações, o mercado possui expectativas positivas a respeito do resultado anual da Ambev. Meu colega Fernando Pivetti coletou as expectativas de analistas e preparou uma matéria especial a respeito das perspectivas para o balanço.

Coronavírus na Europa

Em termos de fatores de influência para os mercados globais, o coronavírus continua em primeiro plano. E, ao menos nos últimos dias, o tom é de enorme cautela, em meio à disseminação do vírus rumo à Europa.

A situação é mais grave na Itália: o número de casos confirmados da doença no país subiu de 25 no sábado para 155 no domingo — três pessoas já morreram. E esse salto nos números já provoca reações por parte do governo italiano e de outras autoridades europeias.

As tradicionais festas de Carnaval em Veneza foram canceladas pelo governo de Roma, de modo a evitar a disseminação ainda maior do vírus. E, no início da noite de domingo (23), a Áustria interrompeu o tráfego de trens para a Itália, temendo o surto da doença.

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Ainda no velho continente, há outros casos confirmados na Alemanha, Espanha, Reino Unido e França, sendo que um cidadão francês morreu por causa do coronavírus — desdobramentos que não estavam no radar do mercado até o fim da semana passada e que certamente trarão uma onda de cautela às negociações nesta segunda.

Nesse sentido, vale a pena ficar de olho nas ações de empresas mais expostas ao cenário internacional, como Vale ON (VALE3), Gerdau PN (GGBR4), CSN ON (CSNA3), Usiminas PNA (USIM5) e Suzano ON (SUZB3), entre outras. Uma nova onda de cautela externa tende a pressionar esses papéis na quarta-feira, quando a bolsa brasileira abrir novamente.

O voo da fênix

Por fim, atenção às ações ON da Via Varejo (VVAR3). Mesmo com o recente rali — desde o começo do ano, os papéis já subiram 48,97%, o melhor desempenho entre todos os ativos do Ibovespa —, um grande banco acredita que ainda há espaço para mais.

O Credit Suisse comparou a dona das Casas Bahia e do Ponto Frio à fênix, a ave da mitologia grega que renasce das cinzas. Desde que a família Klein retomou o controle da companhia, a Via Varejo têm passado por uma profunda reestruturação estratégica — e a instituição está animada com as possibilidade à frente.

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Segundo o banco, os ganhos de eficiência nas lojas físicas da Via Varejo, somado à guinada no lado do e-commerce da companhia, justificam a forte alta no preço das ações — a instituição tem como preço-alvo em 12 meses a cotação de R$ 21,00, o que implica num potencial de avanço de 26,2%.

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