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Investidores passaram o mês entre o otimismo com dados de reabertura e recuperação econômica (com ajuda do Fed) e o temor de uma segunda onda de coronavírus no mundo
A bolsa foi novamente a líder do ranking dos melhores investimentos do mês em junho, com o Ibovespa fechando em alta de 8,76%, aos 95.055 pontos.
Outros ativos de risco, como os fundos imobiliários - o índice do segmento foi o segundo colocado - e os títulos públicos prefixados e atrelados à inflação, principalmente os de prazo mais longo, também se destacaram.
Mas os ativos de proteção das carteiras de investimento, como o ouro e o dólar, continuaram ali à espreita: o ouro foi o terceiro melhor investimento do mês, com alta de 2,74% em dólar (se considerado o ETF SPDR® Gold Shares, fundo de índice negociado em Nova York).
Já a moeda americana, fechou o mês com ganho de 1,90% na cotação à vista, a R$ 5,44, e 0,92% na cotação PTAX, a taxa do Banco Central, a R$ 5,48. Na ponta negativa, somente o bitcoin, que se desvalorizou 1,15% no mês.

O ranking dos melhores investimentos é ilustrativo da aparente bipolaridade que tomou conta dos investidores em junho. Por um lado, o otimismo com a reabertura das economias na Ásia e na Europa, bem como alguns dados econômicos mostrando um início de recuperação pós-pandemia elevaram o ânimo dos mercados em relação aos ativos de risco como as ações e os fundos imobiliários.
Mesmo por aqui, onde a pandemia de coronavírus ainda não começou a ceder, começamos a ver alguma reabertura, como, por exemplo, a retomada das atividades dos shopping centers, que vinham sendo fortemente impactados pela crise.
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No entanto, ainda é cedo para comemorar. No continente americano, a pandemia ainda não dá sinais de trégua, e ainda paira sobre o mundo - e os mercados - a sombra de uma possível segunda onda da doença no restante do mundo. A China e a Europa já emitiram tais sinais.
Mesmo que não haja segunda onda, as previsões econômicas para este ano, no Brasil e no mundo, são catastróficas. Se houver, a situação vai ficar pior ainda.
E aqui no Brasil, particularmente, há ainda os ruídos políticos e o fato de que o andamentos das reformas foi paralisado junto com a paralisação econômica. Fora os riscos que pesam sobre as contas públicas por conta da necessidade de aumentar os gastos do governo para enfrentar a crise.
Mas então por que os ativos de risco se valorizaram apesar desse grande fator de risco? Ora, aí entra em cena o Super-Fed! O Federal Reserve, o banco central americano, não limitou os estímulos econômicos a derrubar as taxas de juros para zero.
A autoridade monetária também entrou comprando ativos diretamente no mercado, garantindo que quem quisesse vender teria um comprador. O resultado disso é uma inundação de liquidez na economia, um dinheiro que precisa ser alocado em algum lugar. E com as taxas de juros tão baixas no mundo, inclusive em países emergentes, os ativos de risco parecem as escolhas mais promissoras.
Talvez apenas os sinais de recuperação econômica não fossem suficientes para sustentar a alta dos ativos de risco num cenário em que a pandemia de covid-19 ainda parece longe de acabar. Mas fato é que os juros baixos e a mãozinha do Fed estão ajudando nessa sustentação.
O Banco Central cortou a taxa básica de juros mais uma vez neste mês, em 0,75 ponto percentual, derrubando ainda mais a rentabilidade das aplicações conservadoras atreladas à Selic e ao CDI, como poupança e Tesouro Selic.
Os juros futuros precificaram as expectativas de corte e também caíram, valorizando os títulos públicos prefixados e atrelados à inflação, que se beneficiam da perspectiva de queda nas taxas.
O BC sinalizou que pode haver pelo menos mais um corte nos juros neste ano, mas que este seria "residual", o que sugere uma redução de 0,25 ponto percentual.
Essa queda adicional nos juros tornou a pressionar o dólar, uma vez que quanto menor o diferencial entre as taxas do Brasil e dos EUA, menos atrativos se tornam os nossos títulos para os investidores estrangeiros.
Mas a alta do dólar - bem como do ouro - também mostram um aspecto defensivo. Os investidores sabem que a crise não acabou, que há muitos riscos no horizonte e que a alta nos preços dos ativos é mais sustentada pela alta liquidez do que propriamente pelos fundamentos econômicos. Nesse sentido, eles tomaram risco, mas não abriram mão das proteções clássicas.

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