Ibovespa pega carona no exterior e segue em alta após Fed; dólar cai a R$ 5,39
A ausência de maiores surpresas na decisão de juros do Fed manteve o Ibovespa e as bolsas americanas em alta. O dólar continua em queda firme
O Ibovespa segue sem dar sinais de cansaço: opera em alta de quase 2% nesta quarta-feira (29), aproveitando o bom humor visto lá fora para engatar a terceira sessão consecutiva de ganhos. E esse alívio também é percebido no câmbio, com o dólar à vista em queda firme.
Por volta de 15h05, o Ibovespa subia 2,02%, aos 82.958,71 pontos, e acompanhava de perto o desempenho das bolsas americanas: por lá, o Dow Jones avança 2,05%, o S&P 500 tem ganho de 2,55% e o Nasdaq valoriza 3,34%.
No câmbio, o dólar à vista chegou a desabar 2,66% na mínima, a R$ 5,3686, mas agora exibe uma baixa menos intensa: recua 2,25%, a R$ 5,3912. Ainda assim, a divisa americana já acumula uma desvalorização de mais de 4% apenas nesta semana.
- Eu gravei um vídeo para explicar a dinâmica dos mercados nesta quarta-feira. Veja abaixo:
Desde o início da sessão, os investidores aguardavam a decisão de política monetária do Fed, apostando na manutenção dos juros. E, de fato, a autoridade monetária não surpreendeu: as taxas do país continuaram na faixa entre 0% e 0,25% ao ano.
A grande expectativa, no entanto, era em relação às eventuais sinalizações do Fed em relação ao quadro econômico em meio à pandemia do coronavírus: no comunicado, o BC americano diz estar comprometido a usar todos os instrumentos para apoiar a atividade no país, embora tenha ressaltado que o cenário é desafiador, com inúmeros riscos no curto prazo.
Ao menos por enquanto — a decisão acabou de ser divulgada —, os mercados reagiram de maneira ligeiramente tímida ao Fed: tanto nos EUA quanto no Brasil, as bolsas aumentaram levemente o ritmo de ganhos. Agora, os investidores ficarão atentos à coletiva de imprensa do presidente da instituição, Jerome Powell, às 15h.
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Ainda nos Estados Unidos, o mercado reage positivamente à notícia de que a empresa farmacêutica Gilead está avançando em estudos para o desenvolvimento de um medicamento eficaz no tratamento da Covid-19. Os testes, ainda que preliminares, tem mostrado resultados animadores — o que contribui para melhorar o humor lá fora.
Cautela e alívio
No Brasil, o noticiário referente ao cenário político continua em primeiro plano para os investidores — e a notícia de que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspendeu a nomeação de Alexandre Ramagem para o comando da Polícia Federal, conforme desejado pelo presidente Jair Bolsonaro, trouxe algumas instabilidades às negociações.
Apesar disso, o cima é de relativa tranquilidade nos mercados brasileiros, tendo em vista a permanência de Paulo Guedes à frente do ministério da Economia. Desde segunda-feira (27), quando Bolsonaro deu declarações públicas de apoio a ele, os agentes financeiros têm assumido uma postura mais aliviada em relação às instabilidades políticas.
Esse cenário ajuda a explicar o forte alívio visto no dólar à vista nesta semana — alguns operadores também citam a proximidade do fechamento da taxa Ptax de abril e a consequente pressão para reduzir a cotação da moeda americana como um fator de influência para a queda da divisa.
No mercado de juros, o dia é de ajustes positivos nas curvas mais curtas após a forte baixa vista ontem. Mas, em linhas gerais, os investidores seguem apostando firme em mais cortes na Selic, de modo a estimular a atividade doméstica — o BC se reúne na próxima semana para decidir o futuro da taxa:
- Janeiro/2021: de 2,82% para 2,88%;
- Janeiro/2023: estável em 4,85%;
- Janeiro/2025: de 6,62% para 6,54%.
Balanços e mais balanços
No front corporativo, destaque para os diversos balanços que foram divulgados desde a noite de ontem. Em primeiro plano aparece a Vale: a mineradora fechou o período entre janeiro e março deste ano com um lucro de US$ 239 milhões, revertendo parte das perdas contabilizadas há um ano.
Nesse contexto, os papéis ON da mineradora (VALE3) operam em alta de 4,82% nesta quarta-feira, e aparecem entre os destaques positivos do Ibovespa.
Outras integrantes do índice também reportaram seus números trimestrais, como Raia Drogasil, Cielo, Smiles e Weg — veja aqui o resumo dos resultados dessas companhias.
Top 5
Confira abaixo as cinco ações de melhor desempenho do Ibovespa nesta quarta-feira:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| CSNA3 | CSN ON | 8,81 | +12,80% |
| IRBR3 | IRB ON | 10,04 | +11,56% |
| USIM5 | Usiminas PNA | 5,06 | +8,43% |
| GOLL4 | Gol PN | 13,04 | +6,97% |
| EMBR3 | Embraer ON | 8,72 | +6,73% |
E as cinco maiores perdas do índice no momento:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| RAIL3 | Rumo ON | 19,63 | -2,82% |
| RADL3 | Raia Drogasil ON | 107,77 | -2,51% |
| TAEE11 | Taesa units | 27,57 | -2,58% |
| BPAC11 | BTG Pactual units | 43,86 | -1,44% |
| FLRY3 | Fleury ON | 23,12 | -1,24% |
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