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Felipe Saturnino

Felipe Saturnino

Graduado em Jornalismo pela USP, passou pelas redações de Bloomberg e Estadão.

O dia nos mercados

Puxado por NY e bancos, Ibovespa sobe e ignora risco fiscal; dólar recua

Projeção do UBS BB sobre resultados de bancos no terceiro trimestre embala alta do índice, que acompanha desempenho positivo de bolsas americanas

Felipe Saturnino
Felipe Saturnino
8 de outubro de 2020
10:21 - atualizado às 15:31
Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Os investidores recorrem ao otimismo observado em Nova York para voltar às compras na bolsa brasileira nesta quinta-feira (8), em meio aos receios sobre a política fiscal no Brasil.

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Os índices americanos sobem com a promessa de mais estímulos à enfraquecida economia dos Estados Unidos, o que melhora o sentimento de risco dos agentes financeiros.

Além disso, o desempenho positivo dos bancos, entre as maiores altas do Ibovespa, também ajuda a sustentar a alta firme do principal índice acionário da B3 hoje.

O UBS BB afirmou em relatório que grandes instituições financeiras brasileiras deverão apresentar números mais rentáveis no terceiro trimestre, com a redução do custo do risco de crédito e melhores receita de taxas de serviço.

Por volta das 15h, o Ibovespa operava em alta de 1,75%, aos 97.198,37 pontos, perto da máxima de 1,82%, aos 97.268,82 pontos.

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Lá fora, as bolsas americanas operam no azul. O S&P 500 é o que registra mais ganhos percentuais, de 0,6%, e o Dow Jones sobe 0,3%, como a Nasdaq, que avança 0,33%.

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O dólar, após abrir em alta pela manhã, computa perdas de 0,5%, aos R$ 5,5971, com um ambiente de tomada de risco disseminado nos mercados financeiros globais, devolvendo .

O otimismo é sustentado com a expectativa de avanço nas negociações de estímulos adicionais à economia nos Estados Unidos.

"Ibovespa reflete o ambiente externo, deixando a questão fiscal de lado pelo menos hoje", diz Ari Santos, operador de renda variável da Commcor. "Por lá, quem quer ganhe as eleições, vai ter pacote de estímulos, e hoje temos calmaria política, sem ruídos."

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Depois de suspender as negociações, o presidente Donald Trump voltou a conversar sobre a injeção de recursos na economia debilitada pela pandemia do coronavírus.

Na agenda, o destaque fica com os números do varejo brasileiro de agosto, que confirmaram a tendência de recuperação da atividade.

As vendas registraram aumento de 3,4% em relação ao mês anterior, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Na comparação com agosto do ano passado, sem ajuste sazonal, as vendas subiram 3,10%.

Top 5

Os bancos estão entre os destaques de hoje, após as projeções otimistas do UBS BB sobre os resultados do terceiro trimestre. Veja as maiores altas percentuais do Ibovespa por ora:

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CÓDIGOEMPRESA PREÇOVARIAÇÃO
IRBR3IRB ONR$ 7,30 13,35%
SANB11Santander Brasil unitsR$ 30,45 6,95%
BBDC3Bradesco ONR$ 19,02 4,68%
CCRO3CCR ONR$ 12,63 4,29%
ITUB4Itaú Unibanco PNR$ 23,75 4,63%

Veja também as maiores quedas percentuais do índice

CÓDIGOEMPRESA PREÇO VARIAÇÃO
BTOW3B2W ONR$ 86,64 -2,25%
ELET3Eletrobras ONR$ 30,64 -2,17%
USIM5Usiminas PNAR$ 10,37 -2,08%
MULT3Multiplan ONR$ 21,23 -1,71%
ELET6Eletrobras PNBR$ 30,91 -1,56%

Mercado ignora ambiente pesado

O Ibovespa não deu vida fácil para os investidores na quarta (7), quando encerrou o dia descolando do cenário positivo observado no exterior. A preocupação com o cenário fiscal do país pesou e o principal índice da bolsa brasileira recuou 0,09%, aos 95.526,26 pontos, em sessão volátil na qual o índice chegou a avançar 0,8% na máxima

Após algumas oscilações, o dólar também passou o dia sob pressão e ao fim da sessão avançou 0,53%, a R$ 5,62.

Os agentes financeiros locais seguem de perto a situação das contas públicas do país em meio ao aumento de gastos para conter a pandemia do coronavírus.

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Ontem, o governo correu para desmentir uma notícia da revista Veja, que dizia que o estava em estudo estender o auxílio emergencial até metade de 2021.

Mesmo com a negativa do ministro Paulo Guedes, o rumor aumentou a percepção de incerteza dos investidores, que não tiveram força para retomar a alta vista no início do dia. O mercado local espera agora uma medida mais concreta de que o governo realmente irá respeitar o teto de gastos e controlar a situação das contas públicas.

Por isso, qualquer notícia vinda de Brasília e tudo o que pode mexer com o quadro fiscal brasileiro devem ser determinantes para o desempenho do pregão.

Vale também ficar de olho no presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que participa de mais um evento com profissionais do mercado.

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Clima leve lá fora

Enquanto no Brasil a preocupação com a saúde fiscal concentra as atenções, lá fora o foco está na figura de Donald Trump.

Depois de derrubar as bolsas globais na terça-feira, ao anunciar a suspensão da negociação do pacote de estímulo fiscal trilionário que era discutido no Congresso, o presidente americano reanimou os mercados ontem ao voltar atrás (pelo menos em parte) da medida.

Trump recorreu mais uma vez ao Twitter para anunciar que estava pronto para apoiar medidas de socorro ao setor aéreo. Com a sinalização de novos estímulos, considerados essenciais para a recuperação econômica da maior economia do mundo, o mercado engrenou em um novo movimento de recuperação.

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