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Manifestação de Maia em favor do veto desfez pressão adicional sobre ativos brasileiros; início da sessão na Câmara levou bolsa a firmar-se em alta.
A expectativa de manutenção, pela Câmara dos Deputados, do veto do presidente Jair Bolsonaro à possibilidade reajuste de salários de algumas categorias do funcionalismo público fez o Ibovespa apagar a queda acentuada que se desenhava no início da sessão e fechar em alta enquanto transcorria a sessão legislativa na qual o assunto seria apreciado.
Depois de uma manhã nebulosa nos mercados financeiros, a melhora no ambiente de negócios deu-se no início da tarde, com os investidores repercutindo a sinalização do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM/RJ) em favor da manutenção do veto presidencial à possibilidade de reajuste salarial dos servidores públicos. Os comentários de Maia também aliviaram a pressão sobre o dólar, que seguiu em alta, mas longe das máximas.
A Câmara dos Deputados está votando na tarde de hoje o veto à possibilidade de reajuste salarial para algumas categorias do funcionalismo público. Ontem à noite, depois de o Senado ter derrubado o veto, o ministro da Economia, Paulo Guedes, criticou a decisão como "um crime contra o País".
No início da tarde, Maia afirmou estar trabalhando para manter o veto, o que levou o Ibovespa a apagar uma queda que chegou a mais de 1% e colocar-se em território positivo.
“Ainda existe a chance de a Câmara voltar atrás na medida, mas a derrota no Senado mostra os enormes desafios para o ajuste fiscal no Brasil”, afirma Dan Kawa, sócio-gestor da TAG Investimentos.
Os analistas também seguem atentos à discussão sobre a prorrogação do auxílio emergencial de R$ 600 e a criação de um programa permanente de renda mínima até o fim do ano - medida de grande impacto fiscal e que preocupa os investidores. O novo programa deve ser anunciado até a terça-feira da semana que vem.
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"Em todo este contexto, abre-se uma série de dúvidas", observa Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset. "Como o BC deve encarar a manifestação do Federal Reserve sobre os juros no Brasil? Qual o real cacife político de Bolsonaro para tentar avançar com a agenda que desesperadamente Guedes tenta implantar e o país tanto precisa? E o quanto mais a classe política pode criar de danos em meio à pandemia?", questiona ele.
Na avaliação de Pedro Galdi, analista de mercado da Mirae Asset, a tendência do Ibovespa para hoje era acompanhar os movimentos observados nos mercados de ações no exterior. A votação no Senado, segundo ele, acabou por acentuar a tendência de queda antes do alívio proporcionado pela fala de Maia.
Apesar da melhora da bolsa com os comentários de Maia, os ativos de risco reagiram em todo o mundo ao teor da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve Bank (Fed, o banco central dos Estados Unidos), divulgada ontem à tarde.
No documento, a autoridade monetária norte-americana projeta uma retomada econômica instável para os EUA e sinaliza que não pretende promover medidas extraordinárias de estímulo.
Como a injeção de liquidez patrocinada pelos bancos centrais pelo mundo tem sustentado as altas recentes das bolsas de valores globais, a aparente proximidade do fim das condições para tal cenário pesou sobre os mercados financeiros.
Os mercados de ações fecharam em queda na Europa e na Ásia. Em Wall Street, os índices de ações norte-americanos recuperaram-se na esteira do setor de tecnologia e de notícias referentes ao avanço das pesquisas sobre uma vacina para a covid-19.
Já o Ibovespa, que ontem já havia reagido negativamente às repercussões iniciais da ata do Fed, perdeu a marca dos 100 mil pontos pela segunda vez na semana depois de apenas alguns minutos de pregão, mas depois conseguiu recuperar-se com base nos comentários de Maia.
Depois do início da sessão na Câmara, a bolsa começou a subir em meio à expectativa de que o veto será mantido até fechar em alta de 0,61%, aos 101.467,87 pontos.
Confira a seguir as maiores altas e baixas entre os componentes do Ibovespa na sessão de hoje.
MAIORES ALTAS
MAIORES QUEDAS
E enquanto o Ibovespa se recuperava com os comentários de Maia, o dólar devolvia a maior parte da alta que mais cedo o levou a R$ 5,6727, o nível mais elevado em relação ao real desde 20 de maio.
Apesar do alívio, o mercado de câmbio seguiu pressionado pelo trecho da ata do Fed que cita de maneira específica a recente desvalorização do real como uma consequência combinada dos sucessivos cortes na taxa de juros pelo Banco Central (BC), do avanço desenfreado da covid-19 pelo Brasil e da persistente turbulência política no País.
A forte depreciação do real levou o BC a intervir por meio de um leilão de dólares no mercado à vista durante a manhã. A medida teve impacto limitado e a taxa de câmbio seguiu pressionada, fechando em alta de 0,40%, com o dólar cotado a R$ 5,5522, bem longe da máxima do dia.
Já os contratos de juros futuros recompuseram prêmios ao longo de toda a curva a termo durante quase toda a sessão por causa dos temores fiscais. Nos momentos finais, com o início da sessão na Câmara para tratar do veto de Bolsonaro, os juros cederam até fechar perto da estabilidade.
Confira as taxas negociadas de alguns dos principais contratos negociados na B3:
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