Ibovespa sobe pelo quinto dia, desafiando até mesmo o tom mais cauteloso no exterior
O Ibovespa contrariou a tendência global e fechou em alta, aproximando-se do patamar dos 94 mil pontos. O tom mais cauteloso visto lá fora só foi sentido no mercado de câmbio, com o dólar à vista subindo e voltando a R$ 5,13

Em teoria, a sessão desta quinta-feira (4) tinha tudo para mostrar um comportamento mais cauteloso por parte dos investidores: a agenda de indicadores domésticos estava esvaziada, o noticiário de Brasília não trazia novidades e o exterior indicava uma certa prudência — uma combinação que poderia desencadear alguma correção no Ibovespa e no dólar à vista.
E, durante a manhã, parecia que o rali da bolsa brasileira chegaria ao fim: o Ibovespa operava em ligeira queda, ficando em linha com os mercados globais. Nada que zerasse os ganhos recentes, mas, ainda assim, uma mudança de tom em relação aos últimos dias.
Só que, durante a tarde, os agentes financeiros domésticos resolveram voltar às compras na bolsa, embora sem abrir mão da cautela: o Ibovespa virou para alta, mas o dólar à vista se firmou no campo positivo — uma estratégia clássica dos momentos de incerteza.
- Eu gravei um vídeo para falar sobre a sessão desta quinta e tirar algumas dúvidas dos leitores e espectadores. Veja abaixo:
Ao fim da sessão, o Ibovespa avançava 0,89%, aos 93.828,61 pontos — a quinta alta consecutiva do índice —, enquanto o dólar à vista se valorizava 0,81%, a R$ 5,1311. Desde o início da semana, o índice já acumula ganhos de 7,35%, enquanto a moeda americana recua 3,89%.
O comportamento do Ibovespa chama ainda mais a atenção por causa do tom majoritariamente negativo visto no exterior: as principais praças da Europa fecharam em baixa e, nos EUA, o S&P 500 (-0,34%) e o Nasdaq (-0,69%) recuaram — a exceção foi o Dow Jones, com leve ganho de 0,05%.
Como eu disse no começo do texto, a agenda econômica doméstica esteve esvaziada nesta quinta-feira, assim como o noticiário político local. Assim, o protagonismo coube ao exterior — e, lá fora, tivemos dados mistos sendo divulgados, o que inspirou alguma cautela aos investidores.
Leia Também
Estímulo em tempos difíceis
A prudência vista no exterior se deve, em grande parte, aos sinais emitidos pelo Banco Central Europeu (BCE) em sua decisão de política monetária. Por um lado, a instituição ampliou seu programa de compras emergenciais em 600 bilhões de euros, dando continuidade à injeção de recursos no sistema financeiro; por outro, manteve as taxas de juros da região inalteradas.
O que pesou mesmo sobre o humor dos investidores, no entanto, foram as declarações da presidente do BCE, Christine Lagarde. Ela mostrou pessimismo em relação às perspectivas econômicas do bloco, projetando queda de 8,7% no PIB em 2020 — ela também trabalha com um cenário de queda de inflação.
Esse tom mais realista adotado por Lagarde serviu para esfriar um pouco os ânimos do mercado, que vinha trabalhando com um cenário de recuperação rápida da atividade na Europa. Assim, um movimento de correção e realização de lucros acabou ganhando força nesta quinta.
Nos EUA, os investidores digeriram os mais recentes dados do mercado de trabalho: na semana encerrada em 30 de maio, foram 1,877 milhão de novos pedidos de seguro-desemprego no país, número que ficou em linha com o projetado pelo mercado, mas que ainda mostra uma fraqueza importante na atividade americana.
Ibovespa descolado?
Dito tudo isso: por que os investidores domésticos continuam tão otimistas?
É uma pergunta difícil, com diversas peças a serem levadas em conta: em primeiro plano, aparece a calmaria vista em Brasília, com uma diminuição nas tensões entre governo, congresso e STF — um fator importante para reduzir o estresse dos mercados por aqui.
No entanto, é importante ressaltar que, apesar desse alívio pontual nos riscos políticos, o clima na capital federal ainda está sujeito à turbulências. Além disso, a pandemia de coronavírus continua numa fase ascendente no país, que já tem mais de 30 mil mortos por causa da doença.
Considerando tudo isso, os investidores optaram por buscar alguma proteção no câmbio, aumentando a demanda por dólares e levando a cotação da moeda americana novamente para além dos R$ 5,10.
Mas, paralelamente a esse tom mais prudente no mercado de moedas, também tivemos uma renovação do otimismo na bolsa, que deu mais um passo rumo aos 94 mil pontos — um nível que não era visto desde o começo de março.
No mercado de juros, os investidores também mudaram de humor ao longo da sessão: se, durante a manhã, o tom era de ajuste positivo nos DIs curtos, ao fim do dia o comportamento era o inverso:
- Janeiro/2021: de 2,18% para 2,16%;
- Janeiro/2022: de 3,03% para 3,01%;
- Janeiro/2023: estável em 4,05%;
- Janeiro/2025: de 5,66% para 5,71%.
Top 5
Veja abaixo os cinco papéis de melhor desempenho do Ibovespa logo após a abertura:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| BEEF3 | Minerva ON | 13,36 | +7,31% |
| EMBR3 | Embraer ON | 8,93 | +4,81% |
| SUZB3 | Suzano ON | 39,85 | +4,51% |
| JBSS3 | JBS ON | 21,47 | +4,22% |
| BRAP4 | Bradespar PN | 36,80 | +3,84% |
Confira também as cinco maiores baixas do índice:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| ECOR3 | Ecorodovias ON | 13,57 | -4,23% |
| CIEL3 | Cielo ON | 4,38 | -3,52% |
| RAIL3 | Rumo ON | 22,36 | -3,41% |
| GOLL4 | Gol PN | 17,04 | -3,13% |
| CCRO3 | CCR ON | 14,69 | -3,04% |
NOVA ESCALAÇÃO
Tenda (TEND3) ganha vaga no Ibovespa — mas duas ações ficaram pelo caminho; veja a nova carteira do índice
8 de setembro de 2026 - 12:46MERCADOS HOJE
Petróleo fecha em alta e se aproxima de US$ 100, e China aumenta reservas cambiais e em ouro; veja o dia nos mercados globais
7 de setembro de 2026 - 17:47TROCA-TROCA
Dividendos para setembro: Itaú (ITUB4) e Vale (VALE3) saem da carteira da Rico; veja quem entrou
7 de setembro de 2026 - 16:10SETOR DE CONSTRUÇÃO
Não é MRV (MRVE3) nem Direcional (DIRR3): Itaú BBA acredita que outra ação pode valorizar até 107%
7 de setembro de 2026 - 12:17RENDA PASSIVA
Quem mais pagou dividendos em 2026? Veja o ranking das 10 maiores pagadoras no 2º trimestre
5 de setembro de 2026 - 17:45ESTRATÉGIA DO GESTOR
Nem Tesouro IPCA+, nem crédito: aposta de Stuhlberger agora está na bolsa
5 de setembro de 2026 - 12:01DOIS GIGANTES, DUAS APOSTAS
200 mil ou pé atrás? Os três elementos que decidirão os próximos meses da bolsa brasileira
4 de setembro de 2026 - 18:45ONDE INVESTIR
Onde investir em setembro? Com eleições pegando fogo e uma onda de RJs, veja onde apostar na bolsa, renda fixa, FIIs e exterior
4 de setembro de 2026 - 11:50RADAR DE FIIS
BTLG11 vai às compras e coloca galpões ocupados por Mercado Livre e Amazon no carrinho; veja detalhes da transação de R$ 959 milhões
4 de setembro de 2026 - 9:57FII DO MÊS
Mau humor do mercado deixa fundo imobiliário favorito dos analistas 15% mais barato; veja os FIIs indicados para setembro
4 de setembro de 2026 - 6:04QUAL A VISÃO PARA O FUTURO
Após saída de Steinbruch do cargo de CEO, XP faz alertas para CSN (CSNA3) e CSN Mineração (CMIN3)
3 de setembro de 2026 - 16:48AÇÃO DO MÊS
Analistas elegem Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3) para investir em setembro; confira o ranking completo
3 de setembro de 2026 - 6:02NO OLHO DO FURACÃO
MPF denuncia fundadores da TRX por gestão fraudulenta, diz jornal; confira a resposta da gestora
2 de setembro de 2026 - 14:41CRISE CONTINUA
Citi está mais pessimista com Natura (NATU3) e rebaixa ação para venda. Por que a faxina na casa não convence o banco?
2 de setembro de 2026 - 12:45ENTREVISTA EXCLUSIVA
Multimercados em crise? CEO da Bradesco Asset vê ‘seleção natural’ e diz que uma nova onda de consolidação vem aí
1 de setembro de 2026 - 12:46FIM DA NEGOCIAÇÃO CONTÍNUA
B3 tira ação da Ambipar (AMBP3) das negociações regulares da bolsa por atraso; entenda
1 de setembro de 2026 - 10:15FRED KRUEGER ESTÁ DE VOLTA?
Kinea alerta para ‘pesadelo’ fiscal no Brasil e revela onde está buscando proteção antes das eleições
1 de setembro de 2026 - 7:08BALANÇO DO MÊS
Só deu ouro em agosto: metal precioso e ‘ouro digital’ entregaram até 25% de retorno no mês, deixando a renda fixa comendo poeira
31 de agosto de 2026 - 18:45BTG PACTUAL MACRO DAY 2026
Mercado aposta que nada vai melhorar no Brasil. É justamente por isso que gestores estão comprando renda fixa
31 de agosto de 2026 - 17:45RETOMADA À VISTA?