Mesmo com altos e baixos, queda brusca do petróleo e perdas em NY, Ibovespa fecha no zero a zero
Bolsa brasileira não acompanhou exterior e fechou estável, no dia em que o petróleo futuro caiu abaixo de zero pela primeira vez na história.

Quem vê a cotação de fechamento do Ibovespa nesta segunda-feira (20), véspera de feriado no Brasil, até pensa que estamos bem na fita. Em um dia histórico, em que o petróleo futuro fechou em preço negativo pela primeira vez, o que derrubou as bolsas americanas, o principal índice da bolsa brasileira terminou o pregão estável, com perda de apenas 0,02%, aos 78.972,76 pontos.
Mas quem vê foto não vê filme. Ao longo do dia, o Ibovespa passou por altos e baixos, num pregão agitado. O índice abriu em queda de mais de 2% com a forte aversão a risco no exterior por conta da pandemia de coronavírus e das fortes quedas nos preços do petróleo no fim de semana.
No fim da manhã, o índice foi reduzindo as perdas e chegou a operar em alta de mais de 1% no meio do tarde, com a melhora em NY e vencimento de opções de ações no mercado doméstico.
Os investidores aqui e lá fora tiveram uma certa injeção de otimismo depois que o diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Larry Kudlow, disse, em entrevista, que o presidente americano Donald Trump tem o "objetivo aspiracional" de reabrir a economia do país a partir de 1º de maio.
No entanto, no fim da tarde, o contrato de petróleo WTI com entrega para maio, que vence amanhã, passou a ser negociado a preços negativos, após queda de mais de 100%. Isso penalizou bastante as companhias de energia nos Estados Unidos e levou as bolsas americanas a fecharem em baixa.
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O Dow Jones terminou o pregão em queda de 2,44%, aos 23.650,44 pontos; já o S&P 500 fechou com recuo de 1,79%, aos 2.823,16 pontos; finalmente, o Nasdaq teve perda de 1,03%, aos 8.560,73 pontos.
Aqui, o Ibovespa voltou a operar em queda no fim da tarde, mas fechou perto do zero a zero, mesmo sendo véspera de feriado nacional, ocasião em que os investidores normalmente operam com maior cautela, uma vez que a bolsa não abre no dia seguinte.
Petróleo abaixo de zero
O contrato de petróleo WTI para entrega em maio e vencimento nesta terça-feira despencou mais de 300% nesta segunda-feira, fechando em US$ -37,63 o barril (US$ 37,63 negativos). É a primeira vez na história que o barril de petróleo é negociado a preço negativo no mercado futuro.
Na prática, isso significa que a oferta da commodity está muito maior que a demanda, e que a armazenagem está chegando perto do limite. Assim, os custos de armazenagem superam os preços de mercado, podendo levar, em tese, os produtores a pagarem para "se livrar" do produto.
[captacao]
A demanda por petróleo despencou com a paralisação da atividade econômica devido às políticas de isolamento social para combate à pandemia de coronavírus.
Com os estoques cheios e sem ter onde armazenar mais petróleo, os compradores desistem das compras. E aqueles investidores que rolariam os contratos para junho preferiram encerrar suas posições, uma vez que a diferença de preços entre os dois contratos cresceu tanto que tornou a rolagem desvantajosa.
A forte queda do WTI para maio contaminou outros contratos, que, no entanto, não caíram tanto - pelo menos não ainda. O WTI para junho fechou em queda de 18,38%, a US$ 20,43 o barril. Já o contrato do Brent para junho fechou em queda de 8,94%, a US$ 25,57 o barril.
Petrobras não sofreu tanto
As ações da Petrobras fecharam em baixa, mas não sofreram tanto porque a estatal toma como referência os preços do Brent, negociado em Londres, e não do WTI, negociado nos Estados Unidos.
Ainda assim, os papéis preferenciais (PETR4) fecharam em queda de 1,12%, a R$ 15,95, e os ordinários (PETR3) recuaram 0,90%, a R$ 16,55.
Dólar sobe com tensões políticas e perspectivas de queda nos juros
Os juros futuros fecharam em queda nesta segunda, precificando cortes da Selic nas reuniões do Copom a serem realizadas em maio e junho. Os contratos de DI com vencimento em janeiro de 2021 fecharam abaixo de 3% pela primeira vez, recuando de 3,037% para 2,83%. Já os contratos para janeiro de 2022 recuaram de 3,64% para 3,37%. Os juros para janeiro de 2027 caíram de 6,902% para 6,83%.
O dólar à vista operou em alta durante todo o dia de hoje, fechando com ganho de 1,35%, aos R$ 5,3078. Na máxima, a moeda americana chegou a beirar os R$ 5,32, mas teve breve alívio após o Banco Central leiloar US$ 500 milhões no mercado à vista.
Além da aversão a risco ante o cenário recessivo causado pela pandemia de coronavírus e as perspectivas de corte nos juros, a alta do dólar representa também os temores estrangeiros em relação à estabilidade política do Brasil.
A continuidade das tensões entre o Executivo e os demais poderes prosseguiu neste fim de semana, trazendo incertezas aos mercados.
Parlamentares e a maioria dos governadores já se posicionaram contra a postura de Bolsonaro, que discorda do modelo da ajuda bilionária a estados e municípios aprovada pela Câmara e questiona as medidas de isolamento social para combate à pandemia do coronavírus.
Ontem, Bolsonaro chegou a discursar em uma manifestação de seus apoiadores, que pediam o fechamento do Congresso e intervenção militar.
Veja a seguir as maiores altas e maiores baixas na bolsa nesta segunda-feira:
Maiores altas
- Cyrela (CYRE3): +8,85%
- Magazine Luiza (MGLU3): +8,72%
- Localiza (RENT3): +6,15%
- brMalls (BRML3): +5,84%
- Lojas Americanas (LAME4): +5,79%
Maiores baixas
- Gerdau Metalúrgica (GOAU4): -3,70%
- Embraer (EMBR3): -3,66%
- Gerdau (GGBR4): -3,66%
- CSN (CSNA3): -3,56%
- Vale (VALE3): -3,50%
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