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Felipe Saturnino

Felipe Saturnino

Graduado em Jornalismo pela USP, passou pelas redações de Bloomberg e Estadão.

fechamento dos mercados

Ibovespa tem maior sequência semanal de altas desde janeiro de 2019 com Vale e bancos, quase apagando perdas no ano

Índice subiu pela 6ª semana consecutiva; ações da Eletrobras são destaque no período, após BTG recomendar compra e perspectiva de privatização no 1º semestre de 2021. Dólar cai 6%

Felipe Saturnino
Felipe Saturnino
11 de dezembro de 2020
19:00 - atualizado às 19:04
Touro grande saindo de dentro do ibovespa
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

O Ibovespa terminou no azul mais uma semana.

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Para ser exato, foi a 6ª seguida. Sim, a 6ª alta semanal consecutiva do principal índice acionário da B3. É coisa rara de ser. O fato não ocorria desde janeiro de 2019, quando Jair Bolsonaro tomou posse como presidente da República. Naquela ocasião, a sequência se iniciou ainda no fim de dezembro, na reta final da transição do governo Michel Temer para o atual.

De quebra, o índice, impulsionado pelos desempenhos de Vale e bancos, ainda ficou perto de apagar as perdas acumuladas no ano (ainda cai 0,45% no período), em que demorou a se recuperar das consequências causadas pela pandemia de coronavírus.

Só foi muito recentemente — o mês de novembro que o diga, com base no "rali da vacina" — que as blue chips como Petrobras e bancos retomaram a rédea e voltaram a subir, embora ainda conservem, no geral, quedas no acumulado de 2020.

O ímpeto de alta dessas ações acabou impulsionando a recuperação do Ibovespa. E o fluxo de estrangeiros, como vocês sabem (e nós temos escrito e vamos escrever mais sobre isso por aqui), teve um peso nisso.

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Nesta semana, a alta foi de 1,6%, o que permitiu ao índice retomar, ontem, o patamar de 115 mil pontos, que havia sido frequentado por ele pela última vez apenas em 18 de fevereiro, quase 10 meses atrás — em um cenário pré-covid-19, lembremos.

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Não se pode falar que a sessão desta sexta-feira (11) tenha sido lá boa. Foi morna, apesar de o índice ter mudado de sentido a partir da hora e meia final de negócios.

No geral, o cenário exterior negativo deu as cartas, em meio a indefinições políticas tanto na Europa como nos Estados Unidos.

O primeiro-ministro Boris Johnson disse que há uma grande possibilidade de que os esforços para se alcançar um acordo de comércio de última hora com a União Europeia, em meio ao Brexit, fracassem.

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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse hoje que "as posições permanecem distintas em questões fundamentais". Na Europa, os principais índices acionários à vista em Londres, Paris e Frankfurt fecharam em queda de ao menos 0,8%, exatamente a queda marcada pelo FTSE 100, na Inglaterra.

Nos Estados Unidos, novas frustrações acerca de um pacote de ajuda financeira pesaram. Após sinais de progresso em meio a uma pressão bipartidária por estímulo de cerca de US$ 900 bilhões, os republicanos do Senado sugeriram na quinta que não poderiam aceitar alguns aspectos das propostas.

Assim, os principais índices em Wall Street caem — S&P 500 recua 0,1%; o Dow Jones, 0,2%, e o Nasdaq, 0,2%.

Um fator negativo que pesou localmente veio da política. O relatório da PEC Emergencial ficará para 2021, segundo o relator, o senador Marcio Bittar.

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A proposta cria mecanismos de ajuste fiscal para a União na hipótese de operações de crédito excederem despesa de capital, além de previsão de gatilho para estados e municípios no caso da elevação de despesas correntes para mais de 95% das receitas correntes.

Por aqui, o Ibovespa terminou a sessão onde começou: ficou estável, aos 115.130 pontos.

Quem sobe, quem desce na semana

As ações da Eletrobras foram os grandes destaques da semana que acaba. Os papéis avançaram repercutindo a boa visão do mercado para o seu futuro operacional e as perspectivas de privatização em 2021.

Na terça (8), o BTG Pactual iniciou a cobertura das ações da Eletrobras com a recomendação de compra, sendo "uma das relações mais atraentes de risco-recompensa" no setor, mesmo se descartados os efeitos de uma privatização. O Ivan Ryngelblum fez uma matéria sobre o assunto.

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No relatório, os analistas destacaram os ajustes operacionais realizados pela administração desde 2016 e a possibilidade de uma privatização destravar ainda mais valor.

O preço-alvo estabelecido para as ações ordinárias (ELET3) foi de R$ 57,00 e para as preferenciais classe B (ELET6) em R$ 63,00, representando um potencial de alta de 84% e 69%, respectivamente, em comparação ao fechamento de segunda.

Hoje, a novidade foi no cronograma para a privatização da empresa. Líder do governo no Congresso, o senador Eduardo Gomes disse que a privatização da companhia será colocada em pauta no primeiro semestre. As ações subiram até 7,2%.

Os papéis da Vivo também foram destaques de alta, depois de o Bradesco BBI elevar o preço-alvo das ações de R$ 60 para R$ 61, demonstrando otimismo com o setor de telecomunicações.

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Ações de Vale e de bancos também avançaram e, tendo participação relevante na carteira do Ibovespa, sustentaram a alta do índice. Os papéis da mineradora reagiram à disparada do minério de ferro no porto de Qingdao, na China, que chegaram à 10ª alta consecutiva, enquanto Itaú PN e Banco do Brasil ON subiram mais de 3%.

Veja as maiores altas semanais do Ibovespa:

CÓDIGOEMPRESAPREÇO (R$)VARIAÇÃO SEMANAL
ELET3Eletrobras ON           38,69 12,96%
ELET6Eletrobras PNB           38,45 11,26%
CSNA3CSN ON           28,25 8,20%
CMIG4Cemig PN           13,69 8,14%
VIVT3Telefônica Brasil ON           47,05 7,42%

Ações que sofreram com a pandemia, Azul PN e Embraer ON registraram perdas nas últimas cinco sessões, demonstrando uma disposição dos investidores de realizarem lucros (no mês, os papéis ainda sobem no mínimo 7%).

Os investidores também aproveitaram para realizar lucros com os papéis da Lojas Americanas, que ainda sobem 3% no mês.

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Os papéis da Yduqs voltaram a cair na semana — o setor de educação sofreu fortes recuos no ano com a evasão e a inadimplência em meio à pandemia.

Confira as principais baixas da semana:

CÓDIGOEMPRESAPREÇO (R$)VARIAÇÃO SEMANAL
RAIL3Rumo ON           18,77 -9,06%
LAME4Lojas Americanas PN           23,61 -6,72%
CSAN3Cosan ON           71,19 -6,70%
RENT3Localiza ON           63,70 -4,95%
YDUQ3Yduqs ON           35,20 -4,01%

Dólar sobe e juros caem

O mercado de câmbio teve um dia levemente negativo, com a alta do dólar, uma sessão depois de o dólar repercutir o comunicado da última decisão do Copom e se aproximar do retorno à casa dos R$ 4.

A moeda subiu 0,2%, cotada aos R$ 5,0461 — o dólar também apontou valorização diante da maioria de pares emergentes do real e teve leve ganho frente a rivais fortes como euro, libra e iene, segundo aponta o Dollar Index (DXY).

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O comportamento do câmbio, hoje, encontra explicação na cautela que toma conta dos mercados internacionais, e os investidores aproveitaram para aumentar um pouco a proteção.

Ainda assim, a figura maior demonstra o alívio no câmbio: nesta semana, o dólar recuou 5,6%, renovando as suas mínimas do período de pandemia, voltando aos menores patamares desde junho. Em novembro, a moeda caiu 7% frente ao real, reagindo à volta de fluxo estrangeiro à B3 com a redução do risco coronavírus (avanço no desenvolvimento de vacinas) e definição da eleição americana (a vitória de Joe Biden representa mais multilateralismo e menos protecionismo, o que tende a enfraquecer o dólar).

Os juros futuros dos depósitos interbancários, por sua vez, registraram forte queda nas partes intermediária e longa da curva, de no mínimo 10 pontos-base (0,1 ponto percentual), e quedas mais leves na parte curta, como nos juros para janeiro/2022 (de 0,04 ponto).

As taxas deste modo devolveram um pouco das altas vistas ontem, quando a curva reagiu ao comunicado do Copom mais duro sobre a situação dos núcleos de inflação e o mercado reprecificou, principalmente para a parte intermediária da curva, uma alta de juros, antecipando-a.

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"Com o dólar mais tranquilo e um pouco de fluxo de estrangeiros na bolsa e para as NTN-Fs [prefixados de vencimentos mais longos], o mercado acalmou bastante", diz Paulo Nepomuceno, analista de renda fixa da Terra Investimentos, que também destaca que a curva de juros estava "muito alta" e que o cenário político mais calmo diminui a percepção de risco demonstrada pelos juros.

Veja os juros dos principais vencimentos agora:

  • Janeiro/2021: de 1,906% para 1,904%
  • Janeiro/2022: de 3,06% para 3,02%
  • Janeiro/2023: de 4,44% para 4,33%
  • Janeiro/2025: de 5,99% para 5,89%

O comitê também fechou a porta para cortes da Selic e estipulou que o "forward guidance" do comitê poderá ser removido conforme as projeções para inflação de 2022 ganham peso no horizonte relevante da política monetária.

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