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2020-12-08T18:33:06-03:00
Ivan Ryngelblum
Ivan Ryngelblum
Jornalista formado pela PUC-SP, com pós-graduação em Economia Brasileira e Globalização pela Fipe. Trabalhou como repórter no Valor Econômico, IstoÉ Dinheiro e Agência CMA.
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Ações da Eletrobras têm potencial de alta de até 84%, diz BTG Pactual

Analistas iniciam cobertura da empresa, afirmando que ela apresenta a melhor relação entre risco e recompensa do setor elétrico

8 de dezembro de 2020
14:46 - atualizado às 18:33
Privatização Eletrobras
Sede da Eletrobras no Rio de Janeiro - Imagem: Divulgação

Uma gigante em ascensão. É este o título do relatório do BTG Pactual que anuncia o início de cobertura das ações da Eletrobras. Só por aí dá para ter uma ideia do que os analistas João Pimentel e Fillipe Andrade pensam sobre a companhia.

Destacando os ajustes operacionais realizados pela administração desde 2016 e a possibilidade de uma privatização destravar ainda mais valor, eles estabeleceram o preço-alvo para as ações ordinárias (ELET3) em R$ 57,00 e para as preferenciais classe B (ELET6) em R$ 63,00, representando um potencial de alta de 84% e 69%, respectivamente, em relação ao fechamento de segunda-feira (07).

A recomendação, como não poderia deixar de ser, é de compra. “A Eletrobras apresenta uma das relações mais atraentes de risco-recompensa em nossa cobertura, uma vez que ainda oferece potencial de alta significativa, mesmo quando se descarta qualquer efeito de uma privatização”, diz trecho do relatório.

A visão positiva do BTG Pactual contagiou os acionistas. Os papéis ON fecharam em alta de 5,92%, a R$ 35,62, e os PNB terminaram com ganho de 4,99%, a R$ 35,96.

Ajustes nas operações

A primeira parte do relatório do banco centra nos ajustes realizados na Eletrobras desde 2016, quando Wilson Ferreira Jr. assumiu como CEO. Até então, segundo os analistas, a companhia sofria com uma governança corporativa frágil, estrutura societária complexa, falta de transparência, investimentos questionáveis, além de problemas operacionais e os efeitos da Medida Provisória (MP) 579, que alterou as regras do setor elétrico e resultou em uma série de problemas para as empresas.

Nos últimos cinco anos, a Eletrobras passou por uma grande reestruturação, que resultou num amplo corte de gastos e a venda de distribuidoras, linhas de transmissão e outros ativos considerados não essenciais.

O resultado foi uma companhia financeiramente mais robusta, de acordo com o BTG Pactual, com a alavancagem financeira – a relação entre a dívida líquida e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) – caindo das 8,0 vezes apurada em 2016 para abaixo de 3,0 vezes no terceiro trimestre.

Tudo isso, destacam os analistas, resultou em um ganho de R$ 42 bilhões em valor de mercado no período.

Privatização = mais valor

Apesar de reconhecerem os esforços da administração em dar sustentabilidade e eficiência à Eletrobras, os analistas do BTG Pactual afirmam que existe um limite para o que pode ser feito.

Eles afirmam que ainda é preciso avançar muito, mas o fato de ela ser uma estatal impede mais avanços.

“Comparada aos seus pares privados, ela permanece altamente ineficiente e com falta de capacidade para investir tanto quanto no passado, por isso que o processo de capitalização, altamente esperado, é absolutamente vital para a continuidade de seu sucesso”, diz trecho do relatório.

Caso a saída da União do capital social seja concretizada, os analistas do BTG Pactual afirmam que o preço-alvo para as PNBs vai para R$ 75,00, o que representa um impressionante potencial de alta de 113% em relação às cotações atuais.

O valor estabelecido por eles neste início de cobertura pressupõe que a chance de a Eletrobras ser privatizada é de 50%.

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