Ibovespa zera ganhos no fim com queda em NY em meio à incerteza sobre estímulos
Dólar também encerra dia no zero a zero, demonstrando cautela dos investidores sobre pacote de ajuda à economia dos Estados Unidos, e juros futuros sobem com temor fiscal. Após pregão, saiu a notícia de que autoridades americanas estão mais próximas de um acordo

O Ibovespa deu mostras nesta quarta-feira (21) de que podia manter o patamar de 101 mil pontos, alcançado durante a sessão de hoje, após superar a barreira dos 100 mil ontem, quando terminou o dia no maior nível de fechamento em mais de um mês.
Mas as incertezas sobre o acordo por estímulos à economia dos Estados Unidos entre a Casa Branca e os democratas foram um fator preponderante para a limitação da alta, fazendo com que os investidores reduzissem o ímpeto comprador mais para o fim da sessão.
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Em Nova York, os agentes financeiros monitoraram os desenvolvimentos sobre um acerto trilionário que pode revigorar a economia americana mais rapidamente, no mesmo dia em que o Federal Reserve, banco central americano, apontou que a recuperação econômica ainda é moderada.
No fim do dia, de fato veio a notícia positiva — embora já fosse tarde demais para os índices acionários: as autoridades responsáveis pelo acordo estão mais perto de um entendimento e devem voltar a falar na quinta.
Mas hoje o dia lá fora voltou a mostrar que a ajuda fiscal é um guia essencial para os negócios daqui.
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Na máxima, o Ibovespa chegou a subir 1,04%, para 101.585,92 pontos, embalado também pela promessa de bons resultados financeiros, como os dos bancos.
No fim do dia, no entanto, encerrou a sessão no zero a zero, em alta mínima de 0,01%, aos 100.552,44 pontos, puxado pelas quedas nos principais índices americanos.
"Há dois fatores principais hoje: o mercado externo, com essa expectativa de estímulos antes das eleições, e os resultados financeiros, com o mercado ajustando as expectativas ao realizado", disse mais cedo Igor Cavaca, analista da Warren, sobre a alta do Ibovespa vista durante a maior parte da sessão.
Segundo Ari Santos, operador de renda variável da Commcor, o índice variou conforme "o humor lá fora, esperando notícias sobre estímulos e também alguma novidade sobre vacina".
"Se tanto Petrobras e bancos não sustentarem uma alta forte, dificilmente o índice consegue subir forte como foi ontem", afirmou ele.
E, de fato, as ações da Petrobras não conseguiram sustentar uma alta, diminuindo as chances de o índice apresentar uma alta forte como a de ontem. As ações de bancos, por sua vez, foram muito bem novamente.
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Os papéis preferenciais (BBDC4) e ordinários (BBDC3) do Bradesco subiram 1,02% e 0,92% hoje. As ações PN de Itaú (ITUB4) avançaram 0,9%, enquanto as units do Santander (SANB11) tiveram alta de 0,88% e as ON do Banco do Brasil, 0,75%.
Segundo analistas, o principal motor dessa alta consistente dos bancos recentemente é a expectativa para balanços positivos do terceiro trimestre.
As principais altas percentuais do dia são as ações de empresas do setor de shoppings. Os papéis ordinários (ON) de Multiplan (MULT3) e Iguatemi (IGTA3) estiveram entre os cinco maiores ganhos do índice. Ações do BR Malls (BRML3) também subiram forte, 2,6%.
Segundo Cavaca, da Warren, hoje se viu um movimento de ajuste nas posições que subiram menos desde março, "os shoppings entre elas". "Além disso, a discussão sobre a compra da vacina chinesa mostra que a possibilidade de uma vacina no ano tem se tornado mais factível, impactando direto o setor", disse ele.
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Os papéis da Qualicorp foram a maior alta percentual do índice. As ações da empresa de planos de saúde sobem 5% neste momento, com a intenção da Rede D'Or, hoje já a maior acionista da Qualicorp, de comprar mais ações da companhia.
As ações ON da EZTEC (EZTC3), por sua vez, subiram 3,8% em reação positiva às projeções da empresa para este ano e o próximo.
Veja as principais altas do Ibovespa abaixo:
| CÓDIGO | EMPRESA | PREÇO | VARIAÇÃO |
| QUAL3 | Qualicorp ON | R$ 34,37 | 5,75% |
| BRKM5 | Braskem PNA | R$ 24,35 | 4,73% |
| EZTC3 | EZTEC ON | R$ 40,90 | 3,81% |
| MULT3 | Multiplan ON | R$ 21,97 | 3,73% |
| IGTA3 | Iguatemi ON | R$ 34,16 | 3,33% |
Outra notícia do mundo corporativo é a continuidade da briga pela Linx. A Totvs estendeu o prazo da oferta pela empresa, e a tendência é que haja uma disputa com a Stone até o fim. As ações da Totvs subiram 0,9%.
A Weg, por sua vez, foi destaque entre as baixas do Ibovespa. Pela manhã, a empresa divulgou um balanço que surpreendeu o mercado positivamente, com alta de 54% no lucro trimestral ante o mesmo período do ano passado.
No início do pregão, os papéis (WEGE3) chegaram a subir mais de 4,4%, mas terminaram em queda de 6,16%, liderando as perdas do índice, com os investidores realizando lucros.
Varejistas, Lojas Renner e Lojas Americanas também ficaram entre as maiores quedas do dia.
A Cielo chegou a estar entre as maiores perdas, após redução do preço-alvo da ação pelo Goldman Sachs.
Ações PN e ON da Petrobras recuaram 0,10% e 0,05%, respectivamente, reagindo à queda do preço do petróleo Brent. Confira as maiores quedas do índice nesta quarta:
| CÓDIGO | EMPRESA | PREÇO | VARIAÇÃO |
| WEGE3 | Weg ON | R$ 78,40 | -6,16% |
| IRBR3 | IRB ON | R$ 6,83 | -3,80% |
| LAME4 | Lojas Americanas PN | R$ 26,58 | -2,99% |
| CVCB3 | CVC ON | R$ 15,07 | -2,90% |
| LREN3 | Lojas Renner ON | R$ 40,50 | -2,48% |
Bolsas americanas caem
As bolsas de Nova York abriram hoje com sinais mistos e ficaram de lado durante a maior parte da sessão, apenas no fim do dia se firmando no campo negativo.
O Dow Jones teve perdas de 0,35%, o S&P 500, de 0,22% e o Nasdaq, de 0,28%. Ainda há muita incerteza em torno da aprovação de um acordo para um novo pacote de estímulos fiscais, mas uma boa notícia saiu após o pregão.
A porta-voz da presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, a democrata Nancy Pelosi, disse que a deputada e o secretário do Tesouro do país, Steven Mnuchin, conversaram durante 48 minutos pelo telefone e que a conversa deixou o acordo mais próximo.
Amanhã, Pelosi e Mnuchin devem conversar mais sobre o pacote de ajuda fiscal.
Mais cedo, Pelosi havia dito que estava otimista com o acerto de uma medida de resgate à economia após os efeitos da covid-19.
"Estou muito feliz", disse Pelosi à MSNBC. "Acho que temos perspectiva para um acordo."
No entanto, o líder republicano no Senado, Mitch McConnell defendeu, em conversas reservadas com outros republicanos, que o pacote não fosse aprovado antes das eleições, segundo o jornal The New York Times.
Ontem, as bolsas americanas se animaram com a perspectiva de um acordo, com sinalização de Pelosi de que já estava otimista sobre um acerto entre democratas e a Casa Branca.
No mesmo dia, o chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, se disse otimista de que um acordo poderia sair nas próximas 48 horas.
Os mercados internacionais se mantêm de olho também na agenda de resultados corporativos do terceiro trimestre.
A Netflix divulgou os números ontem à noite, que decepcionaram o mercado, com queda brusca de novos assinantes e lucro abaixo do esperado, o que levou as ações da companhia a caírem 6,9% na Nasdaq hoje.
Ainda hoje, a fabricante de carros elétricos Tesla divulga os seus resultados, após o fechamento dos mercados.
Enquanto isso, na macroeconomia, o Federal Reserve, banco central americano, divulgou hoje o Livro Bege, relatório sobre as condições econômicas dos EUA.
Segundo o relatório, a atividade do país continua a aumentar, mas ainda em nível moderado. As perspectivas, no entanto, são otimistas, segundo contatos pelos distritos do país.
Dólar estável, juros fecham em alta
O dólar à vista fechou perto da estabilidade, em alta levíssima de 0,02%, cotado a R$ 5,6145.
No exterior, a tendência de desvalorização do dólar se manteve. O Dollar Index (DXY), índice que compara o dólar a uma cesta de divisas como euro, libra e iene, apresentou mais um dia de recuo, em queda de 0,4%.
"Me parece uma estratégia do mercado em meio a essa expectativa para o acordo por estímulos", diz Alessandro Faganello, operador de câmbio da Advanced Corretora, sobre a pequena oscilação da moeda. "O dólar ficou meio de lado, porque era uma posição melhor à espera do pacote."
Frente a moedas pares emergentes do real, como rublo russo e rand sul-africano, o dólar apresentou baixa na sessão desta quarta — maiores do que em relação ao real.
No lado dos juros, o dia foi de flutuação, até as taxas terminarem a sessão em leve alta.
Tanto os juros futuros da ponta curta quanto da longa subiram. No entanto, o caminho foi tortuoso até o fechamento da sessão: durante a tarde as taxas chegaram a cair, enquanto, cedo da manhã, apresentaram alta.
"O mercado deu uma animadinha com as declarações sobre o teto de Maia e Guedes, mas até as eleições municipais, sem informações sobre o Renda Cidadã, não tem o que comemorar, tem muita incerteza", diz Paulo Petrassi, sócio-gestor da Leme Investimentos.
Segundo Petrassi, o movimento dos juros de alta espalhada entre vértices curtos e longos também esteve relacionado ao leilão de prefixados de amanhã, em que haverá oferecimento de títulos como LTN (Letras do Tesouro Nacional) e NTN-F (Notas do Tesouro Nacional série F).
O gestor também destaca o fato de o governo estar negociando a transferência de R$ 100 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para os cofres do Tesouro, a fim de arcar com os megavencimentos da dívida nos quatro primeiros meses de 2021, o que apenas ameniza uma situação fiscal dura, segundo ele.
À espera do Copom na semana que vem, Petrassi diz que o Banco Central deverá subir o tom falando que são necessários cortes de gastos concretos para manter a política monetária no atual patamar estimulativo.
"De novo, vimos o prêmio de risco do Brasil subir um pouco", disse Paulo Nepomuceno, analista de renda fixa da Terra Investimentos, sobre a alta dos juros hoje. "A política fiscal está muito frouxa, produzindo déficits, cenário externo complexo: ou seja, Brasil derrubou demais os juros, BC vai ter que subir ano que vem."
Confira o desempenho dos principais vencimentos hoje:
- Janeiro/2021: de 1,959% para 1,955%
- Janeiro/2022: de 3,24% para 3,25%
- Janeiro/2023: de 4,55% para 4,58%
- Janeiro/2025: de 6,36% para 6,39%
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