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Presidente questiona condição de brasileiros se auxílio emergencial acabar, levantando incertezas sobre a extensão da ajuda e agravando risco fiscal. Principal índice acionário da bolsa brasileira tem sessão volátil, após acumular 12% de alta nas primeiras sessões do mês
Os mercados locais operam sob instabilidade nesta quarta-feira (11), com o Ibovespa destoando das bolsas americanas, que marcam ganhos percentuais neste momento, e o dólar terminou a sessão apontando para cima em leve alta.
Por volta das 17h30, o principal índice acionário da B3 opera em queda de 0,5%, cotado aos 104.545 pontos, na esteira de um novo ruído político interno, interrompendo uma sequência de seis altas seguidas em que acumulou alta de 12%.
Mais cedo, na mínima, o índice chegou a cair 0,9%, para 104.140 pontos — mas também frequentou o campo positivo, chegando a avançar 0,38% para 105.462,33 pontos.
No radar dos investidores, a grande novidade é a declaração de ontem do presidente Jair Bolsonaro, que sugeriu a possibilidade da manutenção do auxílio emergencial para o ano que vem, o que agrava o risco fiscal.
"Se acaba o auxílio, como ficam quase 40 milhões de invisíveis, que perderam tudo?", disse o presidente, em discurso ontem à noite.
Além disso, uma resposta do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, também contribui para o desconforto político no cenário doméstico.
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O deputado reagiu a outras falas do presidente, segundo as quais o Brasil tem que "deixar de ser um país de maricas", em relação ao coronavírus, e outra em que disse "quando acaba a saliva, tem que ter pólvora" ao se referir a possíveis sanções relacionadas à Amazônia, sem citar o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden.
Maia também fez menção a uma fala do ministro Paulo Guedes de ontem sobre o risco de hiperinflação, levantando o receio dos investidores com vistas para a relação do governo com ele:
Em meio a um estado de paralisia na apreciação de reformas econômica, o líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros, afirmou que, após o primeiro turno das eleições, haverá votações na casa. "Maia receberá pauta e espero que possamos superar obstrução", diz Barros.
No cenário macroeconômico, uma decepção para atividade brasileira também gera certa cautela nos investidores.
As vendas no comércio varejista subiram 0,6% em setembro, abaixo do esperado pelos analistas, cuja estimativa média era de avanço de 1,4%.
Em 2020, o varejo acumula queda de 3,6%. Nos últimos doze meses, o recuo é de 1,4%. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Entre os destaques positivos da sessão de hoje, as ações penalizadas recentemente do setor de e-commerce avançam — Via Varejo ON (VVAR3) e B2W ON (BTOW3) estão entre os principais ganhos —, acompanhando o desempenho positivo de hoje do índice Nasdaq, que reúne ações de tecnologia.
Os papéis Magazine Luiza ON (MGLU3) também sobem, com a recuperação de preços do setor.
Veja as principais altas percentuais agora:
| CÓDIGO | EMPRESA | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| VVAR3 | Via Varejo ON | 18,76 | 5,16% |
| BPAC11 | BTG Pactual units | 79,69 | 4,92% |
| BTOW3 | B2W ON | 74,88 | 2,48% |
| B3SA3 | B3 ON | 55,40 | 2,40% |
| MRFG3 | Marfrig ON | 14,83 | 2,13% |
Papel que esteve entre as maiores altas ontem, Ultrapar ON (UGPA3) devolve alguns desses ganhos com os investidores optando pela realização de lucros e tem a segunda maior perda do índice. Confira também as principais quedas:
| CÓDIGO | EMPRESA | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| UGPA3 | Ultrapar ON | 20,28 | -6,54% |
| BRKM5 | Braskem PNA | 23,97 | -5,70% |
| HGTX3 | Cia Hering ON | 18,09 | -4,74% |
| EQTL3 | Equatorial ON | 21,15 | -3,82% |
| HYPE3 | Hypera ON | 29,92 | -3,70% |
Os índices acionários americanos prosseguem, no geral, se mantendo no azul. O Dow Jones, índice que reúne ações do setor industrial e de serviços, é o que tem comportamento mais volátil hoje.
Em meio a uma recuperação de preços das ações de tecnologia, que sofreu perdas recentemente, o índice Nasdaq tem forte alta.
Recentemente, papéis das empresas do setor caíram forte com a perspectiva de uma vacina contra o coronavírus, após essas ações saírem como as grandes vencedores da pandemia no mundo corporativo.
Os principais índices acionários da Europa, em Londres, Paris e Frankfurt, fecharam em alta de no mínimo 0,4%.
No âmbito político, a equipe do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declinou de realizar um apontamento técnico e rotineiro que permitiria ao presidente eleito Joe Biden o acesso a informações secretas.
Sem o aval, não é possível que Biden ordene o envio de seus representantes para se incorporar às agências governamentais nem ter acesso ao Departamento de Estado para que facilite ligações com líderes estrangeiros.
O democrata, no entanto, não está parado: Biden deverá escolher ao menos dois nomes para a composição de seu gabinete até o feriado de Ação de Graças.
O dólar terminou avançando 0,4%, cotado a R$ 5,4164. Na máxima, a moeda subiu forte, em alta de 1,2%, para R$ 5,4560 — na mínima, caiu 0,21%, para R$ 5,3817.
A performance da divisa incorpora tanto a piora do cenário político como a força do dólar no exterior.
O Dollar Index (DXY), índice que compara o dólar a uma cesta de moedas como euro, libra e iene, aponta valorização de 0,3% neste momento.
Os juros futuros, por sua vez, prosseguiram em um movimento de alta durante toda a sessão, em meio ao pior cenário interno, e fecharam para cima.
A percepção dos investidores a respeito do risco fiscal e a deterioração das condições políticas se agravou, elevando as taxas futuras uma vez mais. Veja os principais vencimentos:
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