Menu
2019-10-24T19:38:45-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Mudança de tendência

Após dois trimestres no vermelho por Brumadinho, a Vale voltou a lucrar

A Vale não registrou provisões adicionais relacionadas à Brumadinho no terceiro trimestre de 2019. Sem esses impactos, a mineradora reportou lucro de US$ 1,654 bilhão

24 de outubro de 2019
19:38
Barragem da Vale desaba em Brumadinho (MG)
Barragem da Vale desaba em Brumadinho (MG) - Imagem: Corpo de Bombeiros/Divulgação

A Vale deu o primeiro sinal de que o desastre de Brumadinho começa a ser superado — ao menos, do ponto de vista financeiro. A mineradora reportou um lucro líquido de US$ 1,654 bilhão no terceiro trimestre deste ano, uma alta de 17,4% em relação aos ganhos de US$ 1,4 bilhão registrados no mesmo período de 2018.

O resultado marca uma virada em relação à tendência vista nos trimestres anteriores: nos primeiros três meses desse ano, a Vale teve um prejuízo de US$ 1,642 bilhão; entre abril e junho, a companhia também ficou no vermelho: na ocasião, as perdas somaram US$ 133 milhões.

E grande parte desses resultados negativos registrados pela Vale ao longo do primeiro semestre podem ser atribuídos ao rompimento da barragem I na mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho. Nos dois primeiros trimestres desse ano, a empresa teve que lidar com provisões bilionárias relacionadas à tragédia.

Mas, neste trimestre, a Vale não precisou reconhecer provisões adicionais referentes ao desastre: entre julho e setembro, foram registradas apenas gastos referentes aos serviços de comunicação, acomodação e assistência humanitária, além de despesas com equipamentos, serviços jurídicos, ajuda alimentícia e impostos, no montante total de US$ 225 milhões.

Sendo assim, fica mais fácil para acompanhar o balanço da empresa. Começando pela primeira linha: a Vale terminou o terceiro trimestre com uma receita líquida de US$ 10,217 bilhões, um crescimento de 7,1% na base anual. Os custos dos produtos e dos serviços vendidos, por outro lado, caiu 1,3%, para US$ 5,681 bilhões.

Com a receita aumentando e os custos diminuindo, o lucro bruto da Vale teve um crescimento importante: a linha chegou a US$ 4,536 bilhões entre julho e setembro desse ano, um ganho de 19,8% na mesma base de comparação. O lucro operacional foi a US$ 3,617 bilhões, uma alta de 10,6% ante o mesmo intervalo de 2018.

Por fim, o Ebitda ajustado — ou seja, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização — ficou em US$ 4,6 bilhões, uma expansão de 6,42% em um ano.

"No terceiro trimestre de 2019, progredimos para a estabilização de nosso negócio e avançamos com o nosso objetivo de reparação integral de Brumadinho", diz o diretor-presidente da Vale, Eduardo Bartolomeo, em mensagem aos acionistas. "Aliadas ao nosso compromisso com a segurança e a alocação disciplinada de capital, nossas ações reduzem as incertezas e nos conduzem para resultados sustentáveis".

A melhoria nos resultados da Vale também foi impulsionada pela forte valorização do minério de ferro. O preço de referência praticado entre julho e setembro ficou em US$ 102 a tonelada — há um ano, as cotações estavam em US$ 66,7 a tonelada. Os preços mais elevados acabaram compensando a queda de 17,4% na produção da commodity.

Investimentos mais volumosos

Também chama a atenção no balanço da Vale a alta nos investimentos, que chegaram a US$ 891 milhões no terceiro trimestre desse ano — um crescimento de 28,7% em relação ao mesmo intervalo de 2018 e um avanço de 2% na comparação com o trimestre anterior.

A maior parte desse montante foi alocado na área de minerais ferrosos, que recebeu US$ 491 milhões entre julho e setembro, uma alta de 12,3% em um ano. Em sequência, aparecem as divisões de metais básicos, com US$ 314 milhões (+40,8%); de carvão, com US$ 79 milhões (+163%); e de energia, com US$ 7 milhões (+250%).

Queda no endividamento

Outro ponto de destaque foi a forte redução no endividamento. A dívida líquida da Vale somava US$ 5,3 bilhões ao fim de setembro, o nível mais baixo desde o quarto trimestre de 2008. A cifra é 45,2% menor que a registrada em junho — ao término do terceiro trimestre do ano passado, a dívida líquida era de US$ 10,7 bilhões.

Segundo a companhia, essa diminuição do endividamento se deve a dois fatores: a liberação de caixa bloqueado no valor de US$ 1,8 bilhões, e a forte geração de caixa no trimestre, que chegou a US$ 2,95 bilhões.

Com isso, a alavancagem da Vale, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda nos últimos 12 meses caiu para 0,5 vez ao fim do trimestre — em junho, esse indicador estava em 0,9 vez.

Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

Alguém anotou a placa?

Coronavírus derrubou quase tudo em fevereiro; só o dólar e uma parte da renda fixa se salvaram

Entre mortos e feridos, salvaram-se poucos; dólar disparou, bolsa desabou, e até alguns títulos de renda fixa tiveram desempenho negativo no mês.

Dinheiro no bolso

Banco do Brasil aprova pagamento de R$ 517,4 milhões em juros sobre capital próprio

Total a ser pago, relativo ao primeiro trimestre de 2020, equivale a R$ 0,1814 por ação

Seu Dinheiro na sua noite

O que nós fizemos depois da queda da bolsa

Eu sei que assistir de braços cruzados à forte queda das ações em meio à completa falta de clareza sobre os impactos do coronavírus nos investimentos é difícil. Mas foi exatamente o que nós aqui do Seu Dinheiro fizemos. Bem, não ficamos exatamente de braços cruzados. Acompanhamos de perto todos os desdobramentos deste momento delicado […]

Perdas generalizadas

Coronavírus derruba o mercado e faz o Ibovespa cair 8,43% em fevereiro, o pior mês desde maio de 2018

O coronavírus se espalhou pelo mundo e trouxe uma enorme onda de aversão ao risco às bolsas. Como resultado, o Ibovespa desabou em fevereiro e o dólar à vista renovou as máximas, flertando com o nível de R$ 4,50

Pensando nas taxas

Goldman Sachs prevê 3 cortes de juros pelo Fed até junho com coronavírus

Primeira redução seria de 0,25 ponto já na reunião do próximo do comitê, marcada para os dias 17 e 18 de março

Polêmica em Brasília

Presidente do Senado convoca sessão para votar vetos do Orçamento impositivo

Projeto obriga o governo a pagar todas as emendas parlamentares neste ano

BC dos EUA

FED: fundamentos da economia continuam sólidos, mas coronavírus representa risco

Declaração foi dada pelo presidente do FED, Jerome Powell, em comunicado divulgado nesta sexta-feira

REAL DESVALORIZADO

Real está no topo da lista das moedas de emergentes com maior queda desde janeiro

Segundo o levantamento, o real está atrás até mesmo de moedas como o Rand Sul-africano (ZAR) e o peso colombiano (COP). Mas o movimento de depreciação de moedas emergentes em relação ao dólar não é único no Brasil

Ouça o que bombou na semana

Podcast Touros e Ursos: Como navegar as águas turbulentas do mercado?

O surto de coronavírus pegou os mercados em cheio, provocando enormes perdas ao Ibovespa e fazendo o dólar disparar rumo a novas máximas. Nesse cenário, nossos repórteres discutem como se comportar em meio ao tsunami de notícias negativas e proteger seus investimentos. Confira os destaques da semana: O coronavírus chegou com tudo aos mercados Dólar […]

Militares nas ruas

Governo federal confirma prorrogação de GLO no Ceará até dia 6 de março

Prazo original também tinha duração de uma semana e venceria nesta sexta-feira, 28

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements