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Economia aguarda retomada

Impasse na reforma trava investimentos

Segundo Kasnar, as indústrias ainda sofrem impacto dos erros da política econômica dos últimos anos e podem ter de rever projeções em função do que ainda está "na promessa"

Fachada de posto de atendimento da Previdência Social
Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

À espera do desfecho das discussões sobre a reforma da Previdência, muitas empresas projetaram a melhora da economia e a retomada da expansão de seus negócios neste ano. "O governo criou uma expectativa no mercado, que ainda não foi concretizada", diz Istvan Kasnar, professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Ebape).

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Segundo Kasnar, as indústrias ainda sofrem impacto dos erros da política econômica dos últimos anos e podem ter de rever projeções em função do que ainda está "na promessa". "Ao considerar a reforma da Previdência uma bala de prata para a recuperação da economia, o governo esquece que tem toda uma agenda maior de reformas que devem ser colocadas em prática", diz ele, referindo-se ao déficit das contas públicas.

O ambiente de incerteza não contribui para que as empresas se animem a tirar investimentos do papel, segundo Roberto Padovani, economista-chefe do Banco Votorantim. Na dúvida, muitas companhias estão jogando para 2020 os projetos previstos para este ano.

Vale e Petrobrás

 O sentimento de espera se reflete no levantamento feito pela Economática, que aponta queda de 5,7% dos lucros das companhias abertas no primeiro trimestre. A pesquisa desconsidera os resultados de Vale, Petrobrás, Oi e bancos.

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No caso da operadora, os dados trimestrais não são comparáveis porque a empresa enxugou seus resultados no ano passado, incluindo a dívida no plano de recuperação judicial, inflando os resultados. Os bancos, por sua vez, ficaram de fora por não representar o setor produtivo. Já Vale e Petrobrás distorcem os resultados do conjunto em função do tamanho das duas companhias.

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A Petrobrás registrou lucro líquido de R$ 4 bilhões no primeiro trimestre do ano, queda de 42% sobre o mesmo período de 2018. Se a petroleira fizesse parte do levantamento, os ganhos das empresas brasileiras teriam recuado 14,7% entre janeiro e março.

A Vale, além de ter sido excluída do levantamento em função do porte frente às outras companhias, teve o resultado afetado pela tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais. O rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em 25 de janeiro, resultou em 238 mortos até o momento. Diante dos altos custos para tentar minimizar os efeitos da tragédia, a mineradora registrou prejuízo de R$ 6,4 bilhões, ante um lucro líquido de R$ 5,1 bilhões no mesmo período do ano passado.

A crise da mineradora, no entanto, em função da menor oferta do minério de ferro no mercado global, acabou impulsionando os preços do insumo e a própria Vale tem sido agora beneficiada pelo movimento.

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Outros setores

Enquanto a maior parte dos negócios foi afetada pela crise da economia doméstica, outros melhoraram a rentabilidade, como energia elétrica, eletroeletrônicos e locação de veículos.

O dólar valorizado garantiu o resultado de parte das empresas exportadoras - como as de agronegócio. Mas nem as exportadoras estão imunes a "solavancos": as companhias de papel e celulose, por exemplo, foram afetadas nos primeiros meses do ano pelo preço baixo da commodity no mercado internacional. O setor fechou o primeiro trimestre com prejuízo acumulado de mais de R$ 1,4 bilhão.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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