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Juros

IPCA abaixo de 3% e Selic de quanto?

Inflação surpreende para baixo e está abaixo do piso da meta de 2,75% para 2019

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central (BC)
Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central (BC) - Imagem: Pedro França/Agência Senado

A deflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,04% em setembro, trazendo a inflação acumulada no ano para 2,49%. Em 12 meses, temos 2,89%. Menores leituras desde 1998.

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A meta do Banco Central (BC) de 4,5% é para o ano fechado, mas temos o IPCA rodando abaixo do piso da meta de 2,75%. Os núcleos de preços, que tentam captar a inflação livre de choques, também estão bastante comportados ou mais do que “confortáveis”, na linguagem do BC, entre 2,2% e 2,5% em 12 meses.

Mas antes de seguirmos adiante nessa discussão, deixo aqui umas dicas de leitura sobre investimentos com Selic nesses patamares. Há dicas para investidores conservadores e para os de perfil mais arrojado. Também deixo como sugestão o nosso e-book sobre investimentos em bolsa de valores.

Em tese, o BC não faz política monetária olhando para trás. O foco está nas projeções e expectativas para 2020, já que os cortes de juros feitos neste ano terão seu efeito concentrado ao longo do ano que vem.

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No entanto, como a inflação corrente é um dos principais componentes das expectativas, a surpresa com o IPCA do mês deve reforçar as apostas de Selic mais perto de 4% que de 5% neste ano. A mediana do mercado captada pelo Focus já está em 4,75%.

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Por ora, a comunicação do BC vem chancelando nova redução de meio ponto na Selic, que está em 5,5% ao ano, na reunião de 31 de outubro do Comitê de Política Monetária (Copom). Roberto Campos Neto e equipe terão de balizar essa “corrida para o fundo” nas expectativas de juros, que chegaram a apontar Selic de 7% neste ano.

Como disse um amigo de mercado: "é surreal como a inflação está baixa no Brasil". A dúvida é se ela “morreu” ou está apenas hibernando. Resposta que deveremos ter quando a economia mostrar uma reação mais firme.

Há quem aposte que há espaço para crescimento por um bom tempo antes de pressões inflacionárias (o tal hiato aberto) e há quem diga que nossa capacidade de crescer é pequena e, além disso, empresários e demais formadores de preço apenas esperam uma oportunidade para repassar custos, como o dólar mais caro, assim que a situação permitir.

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Em junho de 2017, o ex-presidente do BC Ilan Goldfajn disse que “quebramos a espinha dorsal da inflação”. De fato, desde então a inflação só tem rastejado abaixo da meta.

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