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Principais impactos negativos partiram da fabricação de produtos alimentícios, produtos farmoquímicos e farmacêuticos e máquinas e equipamentos

A indústria registrou queda na produção em 18 entre 26 as atividades pesquisadas em janeiro de 2019 ante janeiro de 2018, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A produção encolheu 2,6% no período, embora o mês de janeiro de 2019 tenha mostrado o mesmo número de dias úteis do que janeiro do ano anterior.
Os principais impactos negativos partiram da fabricação de produtos alimentícios (-4,0%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-22,5%) e máquinas e equipamentos (-10,3%).
Outras contribuições relevantes decorreram das perdas de veículos automotores, reboques e carrocerias (-3,7%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-10,2%), manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (-14,2%), metalurgia (-2,7%), celulose, papel e produtos de papel (-3,9%), produtos de madeira (-8,2%), outros equipamentos de transporte (-8,7%) e produtos de borracha e de material plástico (-2,6%).
O índice de difusão - que mostra o porcentual de produtos com avanço na produção - aumentou de 36,4% em dezembro para 40,1% em janeiro. "Tem melhora, mas como ainda está abaixo de 50%, isso nos mostra que há um número maior de produtos em queda do que em crescimento", lembrou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.
Para o gerente na Coordenação de Indústria do IBGE, André Macedo, a queda registrada pela indústria em janeiro mostra uma continuidade do processo de menor dinamismo que marcou o segundo semestre do ano passado. "Ainda tem um ambiente de incertezas que faz com que decisões de consumo e investimentos sejam postergadas. Não por acaso bens de capital e bens duráveis vêm com saldo negativo importante acumulado", disse.
O pesquisador lembra que a melhora na confiança do empresariado retratada por algumas pesquisas está muito mais calcada nas expectativas para o futuro do que na avaliação sobre a demanda presente. "E o mercado de trabalho está longe de mostrar qualquer tipo de recuperação, então as famílias também tomam decisão de adiar consumo", completou.
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Na passagem de dezembro de 2018 para janeiro de 2019, a produção de bens de capital caiu 3,0%, o terceiro mês consecutivo de quedas, período em que acumulou uma perda de 10,2%. Em janeiro, houve redução na fabricação de caminhões e máquinas agrícolas. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) de janeiro, que foram divulgados nesta quarta-feira pelo instituto.
Quanto aos bens de consumo duráveis, a produção cresceu 0,5% em janeiro ante dezembro, puxada pela fabricação de automóveis e de eletrodomésticos da linha marrom.
"Mas o crescimento está muito calcado em uma base de comparação depreciada, porque nos últimos dois meses de 2018 a categoria de uso tinha recuado 5,2%", ponderou Macedo. "O aumento na produção de automóveis também foi acompanhado de aumento de estoques, o que pode sugerir alguma redução de ritmo mais à frente. Existe a necessidade de adequar a produção corrente à demanda que existe, seja ela interna ou externa, já que houve uma perda grande com a crise na Argentina", acrescentou.
O rompimento da barragem da Vale na Mina do Córrego do Feijão, na cidade de Brumadinho, em Minas Gerais, no dia 25 de janeiro, ainda não afetou consideravelmente os dados da produção industrial brasileira referentes ao primeiro mês de 2019, mas têm potencial para impactar o desempenho dos meses seguintes, afirmou André Macedo.
"Considerando que o acidente foi só no fim do mês e que tem outras plantas com produção mais relevante, e o setor cresceu no mês anterior, eu não colocaria na conta esse acidente de Brumadinho no resultado de janeiro. Claro que não estou descartando os efeitos disso mais à frente", explicou Macedo.
A produção das indústrias extrativas recuou 1,0% em janeiro de 2019 ante dezembro de 2018, a segunda maior contribuição para a queda média de 0,8% registrada pela indústria brasileira no mesmo período. A atividade industrial de maior impacto sobre a média global no mês foi a de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, com redução de 10,3% na produção.
"Uma planta industrial (farmacêutica) deu férias coletivas em janeiro, normalmente ela concede férias em dezembro", justificou Macedo.
*Com Estadão Conteúdo.
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