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abrindo a mão

Governo começa a pagar R$ 1,13 bi em obras em atraso

Medida era aguardada pelo setor da construção, que vinha cobrando maior previsibilidade para tocar as obras

Vista aérea de imóveis do Minha Casa Minha Vida em processo de construção. São Paulo
Vista aérea de imóveis do Minha Casa Minha Vida em processo de construção. São Paulo. - Imagem: Shutterstock

Após meses de reclamações de construtoras por atrasos nos pagamentos, o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) vai desembolsar R$ 1,13 bilhão para colocar em dia as faturas das obras já em andamento, incluindo Minha Casa, Minha Vida e transposição do Rio São Francisco

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O ministro Gustavo Canuto disse ao Estadão/Broadcast, plataforma de notícias em tempo real do Grupo Estado, que a expectativa é quitar de 80% a 100% dos valores devidos já na próxima semana.

A medida era aguardada pelo setor da construção, que vinha cobrando maior previsibilidade para tocar as obras. A liberação será possível porque, com as receitas do megaleilão de petróleo do pré-sal, o Ministério da Economia desbloqueou todo o Orçamento e editou ontem decreto para elevar os limites de pagamento das pastas.

Segundo o ministro, serão R$ 499 milhões para a habitação, R$ 233 milhões para segurança hídrica e R$ 201 milhões para saneamento. Os demais recursos servirão para quitar contratos de repasse com a Caixa para obras menores (como pavimentação ou calçamento). Algumas dessas estão com atraso superior a 90 dias.

Além do Minha Casa, Minha Vida e da transposição do São Francisco, serão beneficiadas as obras dos BRTs Transbrasil (Rio de Janeiro), de Campinas, de Fortaleza, Linha 9 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Linha 2 do metrô da Bahia, corredores de ônibus e terminais em São José do Rio Preto (SP) e corredores de Santos (SP).

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Ao todo, o ministério teve o seu limite financeiro ampliado em R$ 1,88 bilhão para despesas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que abarca os investimentos, e R$ 2,06 bilhões para custeio, que podem ser usados na troca de frota de veículos de órgãos ligados à pasta, como a Codevasf, por exemplo.

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A expectativa, segundo Canuto, é que a liberação ajude as construtoras, algumas em dificuldade financeira, e movimente o mercado da construção. "Os pagamentos criam outro ânimo para investimentos e aceleração das obras. Construtoras que estavam pensando em demitir podem rever isso, ou quem demitiu pode recontratar", disse.

No caso das obras menores, ele ressaltou que o reflexo é mais capilarizado, com impacto na economia local. Além disso, com atraso superior a 90 dias nos pagamentos, a empresa poderia rescindir o contrato de forma unilateral, paralisando a obra. Os repasses ajudam a regularizar a situação e afastar esse risco, reforçou Canuto.

'Insustentável'

Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, zerar as dívidas é importante, uma vez que a situação de algumas empresas está "insustentável" diante da falta de pagamento. "Esperamos poder daqui para frente ter previsibilidade para poder tocar as obras", afirmou.

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O ministério prevê manter a regularidade dos demais pagamentos projetados para 2019. Até o fim do ano, o total de repasses das obras deve somar R$ 2,6 bilhões, projetou o ministro. Com isso, os gastos do MDR devem chegar a R$ 9 bilhões em investimentos em 2019.

Canuto disse ainda que seguirá tentando no Congresso um espaço adicional no Orçamento para fazer uma espécie de "reserva" para garantir a continuidade da execução das obras no início de 2020, cujo Orçamento destina pouco mais de R$ 6 bilhões para a pasta.

A estratégia é aprovar um crédito suplementar no Orçamento para empenhar e pagar ainda em 2019 recursos destinados a obras que são executadas por Estados, municípios ou fundos específicos (como é o caso do Fundo de Arrendamento Residencial, que banca o Minha Casa, Minha Vida).

O dinheiro formaria uma reserva de caixa, que começaria a ser paga efetivamente nos primeiros meses do ano que vem. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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