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análise

Nova CPMF não é bode na sala. Paulo Guedes defende imposto por convicção

Imposto sobre transações financeiras é duramente atacado, mas ministro e equipe avaliam que esse seria o melhor imposto

O ministro da Economia, Paulo Guedes privatizações
O ex-ministro da Economia, Paulo Guedes - Imagem: José Cruz/Agência Brasil

A pergunta entre colegas e em grupos de discussão é: o que o Paulo Guedes quer defendendo a volta da CPMF? As teses variam entre desespero por arrecadação, já que a penúria fiscal só se agrava, ou o famoso “bode na sala”. O ministro força um tema para ter algo em troca, como um regime de capitalização na Previdência. Mas até onde pude descobrir é uma questão de convicção mesmo.

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Não é de hoje que Guedes e seu agora ex-secretário da Receita, Marcos Cintra, defendem algum tipo de imposto sobre transações financeiras (ITF). Cintra, na verdade, defende isso tem uns 30 anos. Mas por mais que a equipe se esforce, dificilmente o tributo escapará da relação com o antigo imposto do cheque, a CPMF, e toda a ira que ela desperta.

Em tempo. Ao longo do dia, após a divulgação desta reportagem, Marcos Cintra foi demitido. O presidente Jair Bolsonaro foi ao Twitter dizer que o secretário da Receita caiu por causa disso e que a proposta de recriação da CPMF está fora da reforma tributária por ordem sua.

Mas por que Guedes deixou a discussão seguir?

No plano das ideias, o que Guedes defende é a substituição de outros impostos e contribuições por esse percentual de transações financeiras. Por ora, fala-se em trocar pelos impostos que incidem sobre a folha de pagamento, visando ampliar a criação de empregos. Segundo Guedes, liberais não aumentam impostos.

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Mas, no limite, se buscaria uma migração para um modelo quase que exclusivo de tributação bancária, que acabaria com todos os demais impostos como IPI, PIS/Cofins, IOF, CSLL, ICMS e ISS. Também estaríamos dispensados, empresas e consumidores, de gastarmos horas preenchendo guias e declarações, de contratar advogados, ter com fiscais.

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Também colocaríamos fim a uma infinidade de regimes especiais, que funcionam como remendos ao manicômio tributário, que tem infindáveis cadeias de créditos e um sistema de imunidades e isenções que, por vezes, não faz sentido. Exemplo: pão francês não paga IPI, mas farinha de rosca, que é pão velho moído, paga (Bernard Appy contou essa outro dia).

Passando do limite e indo para o mundo dos sonhos, um imposto só e feito apenas por declaração bancária, praticamente eliminaria a necessidade de uma Receita Federal, colocaria fim a trilhões de reais em disputas tributárias, desafogaria o Judiciário e daria fim ao Carf, que esteve envolto em recentes escândalos de corrupção (tributaristas e fiscais não têm esse tipo de sonho, naturalmente).

O próprio Guedes já falou algo nesse sentido. Quem tem capacidade financeira, contrata um exército de advogados e fica 20,30 anos brigando na Justiça. Quem tem conexão política, vem aqui em Brasília e consegue alguma isenção, refinanciamento ou regime especial.

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A chance do nada

Mas vindo para o mundo real, apesar de ter apoio de parte do empresariado – o Instituto Brasil 200 é defensor da causa e já saíram notícias que teríamos até memes para defender o imposto – ninguém quer ouvir falar de imposto “novo”, muito menos de algo parecido com CPFM.

A reação de ojeriza se justifica pela convicção de que não tem essa coisa de substituição, o governo vai mesmo é tungar o bolso da população.

No lado da política, a receptividade é muito baixa. Mesmo que existam contrapartidas, como menor imposto de renda para empresas e pessoas físicas e tributação de dividendos, deputados e senadores não tenderiam a assumir o risco de ficar com a conta da nova CPMF. No mundo da política, não existe “impossível”. Tudo tem seu preço. Mas, por ora, o custo de levar isso adiante parece proibitivo.

Tuítes antigos do presidente Bolsonaro negando a volta da CPMF circulam nas redes antes mesmo de ele negar formalmente a volta do imposto.

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Também resgataram alguns do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, criticando a proposta, que chegou a ser aventada por Joaquim Levy em 2015, quando ministro da Fazenda.

O que é visível, no momento, é que com essa proliferação de propostas, fica cada vez menor a chance de alguma mudança ser realmente aprovada.

Temos essa ideia de Guedes, que não foi apresentada por completo, há uma proposta já em andamento na Câmara e outra sendo debatida no Senado.

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Os estraves são os mesmos. Todos concordam que o sistema tem que mudar, mas não pode tirar receita da União, dos Estados e municípios, nem rever regimes especiais, isenções e créditos. É o famoso muda tudo, para tudo ficar como sempre esteve. Algum consenso será possível? Quem vai arbitrar as diferentes propostas?

Toda a vez que temos lançada a ideia de uma reforma tributária, lembro de um amigo repórter aqui de Brasília, que disse que criou os três filhos fazendo a cobertura dessas reformas. Será que desta vez vai?

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