Maior acionista da Oi pede troca de presidente
Gestora de investimentos GoldenTree Asset Management manifestou preocupação com as finanças da operadora e pediu saída de Eurico Teles

A gestora de investimentos GoldenTree Asset Management, maior acionista da Oi, com 14,57% de participação, manifestou preocupação com as finanças da operadora e pediu a troca do presidente executivo, Eurico Teles.
“O conselho deve nomear um CEO (presidente executivo) que possa implementar a reestruturação operacional e buscar as oportunidades de valor agregado descritas pela empresa no seu recém lançado plano estratégico”, escreveu a acionista, numa carta enviada ao conselho de administração.
A carta tem data de 16 de agosto, dois dias após a divulgação do balanço da Oi referente ao segundo trimestre, quando foi revelado que o prejuízo da operadora subiu 24%, para R$ 1,6 bilhão, enquanto o dinheiro disponível em caixa recuou 17,4%, para R$ 4,3 bilhões.
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A GoldenTree disse temer que o futuro da companhia esteja seriamente ameaçado por causa de más tomadas de decisões, resultados financeiro e operacional decepcionantes, e incapacidade de melhorar a governança corporativa. “Acreditamos que esses problemas sérios podem ser resolvidos, mas isso exigirá que a diretoria aja imediatamente antes que o dano à Oi se torne irreversível”, afirmou.
Na semana passada, o Estado antecipou que, com a piora nos números da Oi, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já havia avisado o governo que poderia até intervir na operadora. O diagnóstico da situação da tele, apresentado à Anatel, indicou que o dinheiro em caixa chegou ao “mínimo necessário” e há previsão de que os recursos terminem em fevereiro se nada for feito.
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A GoldenTree era uma das maiores credoras da Oi e se tornou um dos principais acionistas após a transformação da dívida em ações, conforme previa o plano de recuperação judicial aprovado no fim de 2017. Na sequência, a gestora participou ainda do aumento de capital de R$ 4 bilhões, no início de 2019.
A GoldenTree reclamou que os resultados financeiros da Oi têm ficado abaixo do projetado no plano de recuperação, e acrescentou que a queda das ações reflete a visão do mercado de que a companhia continuará se deteriorando, a menos que ocorra uma mudança na gestão.
Incapacidade
A GoldenTree citou como exemplo que a previsão da Oi para geração de caixa em 2019 é 25,2% inferior ao projetado no plano e 26,2% menor que o estimado por analistas de mercado no início do ano. Além disso, esse mesmo número da Oi também ficou abaixo que das concorrentes TIM e Vivo.
Em outra crítica, a gestora de investimentos disse estar cética quanto à capacidade da atual administração em vender ativos considerados não estratégicos, como as ações da Oi na operadora angolana Unitel.
“Apesar do otimismo expresso pela administração, temos uma preocupação significativa com a capacidade de gerar liquidez, pois não houve um progresso tangível reportado sobre essas negociações”, afirmou.
Embora o GoldenTree não tenha citado nomes na sua carta, o principal cotado como substituto de Teles é Rodrigo Abreu, que passou a compor o conselho de administração da Oi no ano passado. O nome de Abreu já foi submetido ao juiz da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, Fernando Viana, pelo presidente do conselho, Eleazar de Carvalho, segundo fontes. Abreu é ex-presidente da TIM e atual presidente da Quod, empresa de análise de crédito dos cinco maiores bancos do País.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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