Brasil de volta ao páreo! País é uma das apostas para 2019 do bilionário e veterano de Wall Street, Byron Wien
Ele aumentou a alocação da sua carteira de risco para 10% em nações emergentes e, para ele, o Brasil é o destaque de novo

Todo começo de ano é aquele mesmo ritual. Mal começa um ciclo e lá vou fazer as minhas simpatias para cumprir todos os objetivos da minha lista de prioridades. Assim como eu, o bilionário e vice-presidente da empresa Blackstone Private Wealth Solutions, Byron Wien, também é fã de manter uma certa tradição.
Desde 1986, ele faz uma lista com as dez maiores surpresas que o investidor pode se deparar a cada ano. A empresa possui US$ 457 bilhões sob sua gestão. Para 2019, a novidade é o retorno do Brasil como uma das apostas entre os emergentes. Segundo ele, o país voltou a chamar atenção entre as demais nações em desenvolvimento diante da ascensão de um governo mais conservador.
Na visão dele, o preço das ações está bem atrativo se comparamos com outros anos e com mercados mais desenvolvidos. Byron destaca que a contínua expansão da classe média em países como China e Brasil incentiva o aumento da renda e da confiança do consumidor.
Antes X depois
Na semana em que o país participa do Fórum Econômico Mundial e tem, pela primeira vez, um presidente latino-americano falando na abertura, por até 45 minutos, a expectativa é animadora para o mercado brasileiro. E isso pode ajudar com que mais investidores externos vejam o Brasil com grande potencial de atrair capital estrangeiro nos próximos anos.
A última vez em que o país tinha aparecido na lista de maiores surpresas de Byron foi em 2015. Na ocasião, o bilionário destacou que a ex-presidente Dilma Rousseff estava com uma postura política mais de centro e que tinha introduzido uma série de políticas de incentivo ao mercado com foco em melhorar a economia. Por fim, o bilionário disse que o país voltava a ser o favorito dos emergentes mais uma vez.
As maiores apostas para este ano
No topo da lista está a expectativa de que o crescimento mais fraco da economia mundial incentive o Banco Central americano (FED) a não promover mais aumentos na taxa de juros durante este ano. Na visão dele, a instituição deve manter uma posição mais dovish (suave) até que a economia norte-americana volte a buscar um patamar mais positivo.
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O veterano de Wall Street diz que em um cenário sem aumento de juros, o valor de mercado das empresas devem voltar a ficar mais atrativos depois de um ano ruim para as bolsas americanas em que todas terminaram no vermelho, no pior resultado em uma década.
Para este ano, a perspectiva de Byron é que um dos principais índices dos Estados Unidos, o Standard & Poors (S&P 500) feche o ano com alta de 15%. O bilionário ainda disse que espera alguns ralis e correções no preço dos ativos ao longo de 2019.
Com a inflação controlada, a ideia é que a curva de juros permaneça positiva e que os juros pagos pelos títulos públicos de dez anos se mantenham abaixo de 3,5%. Até o pregão da última sexta-feira (18), os papéis fecharam em 2.788 pontos.
Na opinião de Byron, os tradicionais catalisadores responsáveis pelo crescimento do PIB americano também devem mudar. Ele disse que as despesas com compra de bens de capital e até mesmo o mercado imobiliário devem ter apenas ganhos modestos em 2019.
Para ele, a expansão deve continuar, mas estará mais atrelada ao consumo e aos incentivos do governo por meio do corte de impostos. E, segundo ele, não há sinal de recessão tão próximo. Byron acredita ela não deve vir antes de 2021.
Mercados
Ao apostar na melhora dos mercados, o especialista prefere não recomendar investimentos em metais como o ouro. Na avaliação dele, o metal caiu US$ 1.000, enquanto o mercado de equities tanto nos Estados Unidos quanto fora melhorou.
Com uma expectativa mais positiva para as bolsas neste ano, a alta no preço das ações nos Estados Unidos deve fazer com que o país continue a ter a liderança no mercado de capitais. As maiores apostas estão nos setores de tecnologia e biotecnologia, por conta do crescimento dos rendimentos.
O valor de ações fora de segmentos relacionados ao setor de energia deve desapontar por causa da desaceleração econômica.
Apesar de estar mais otimista com países emergentes como Brasil e China, o especialista não está confiante de que será aprovado algum acordo com relação ao Brexit. Ele disse que vai chegar dia 29 de março e nada estará definido.
Para ele, depois que o primeiro acordo for reprovado pelo Parlamento britânico deve ser feito um segundo referendo e o Reino Unido deve votar para permanecer na União Europeia.
Dificuldades nos EUA
Para ele, ainda que exista um temor com o futuro da economia, o FED anunciou no último dia 4 de janeiro que rever o programa de redução do balanço de ativos da instituição em treasuries e títulos lastreados em hipotecas. Tais ativos foram comprados depois da crise de 2008. A expectativa é que isso continue a diminuir a liquidez nos mercados, o que é visto de forma negativa pelos analistas.
O fluxo de capital estrangeiro para os Estados Unidos também deve sofrer uma queda por conta de uma política monetária mais suave ou "dovish" feita pelo FED. Tal decisão deve impactar na expansão dos negócios, já que vai atrair menos dinheiro para os Estados Unidos.
E as questões políticas?
Byron também falou sobre o desfecho da investigação instaurada pelo promotor especial Robert Mueller sobre a possível interferência russa na campanha de Donald Trump durante as eleições de 2016. Para ele, o caso deve terminar com um processo contra membros da Organização Trump, que são próximos do presidente.
Mas, na visão dele, as evidências não devem levar ter impacto direto em Donald Trump. Mesmo assim, um êxodo dos maiores aliados do presidente pode resultar em uma crise de confiança no governo.
Já sobre o Congresso norte-americano, que tem uma maioria democrática, a expectativa para este ano é positiva. Byron acredita que a casa fará muito mais do que o esperado, especialmente em relação à política monetária.
Para ele, as maiores vitórias estarão relacionadas à preservação de partes importantes de projetos como o "Obamacare" (voltado para a área de saúde) e de iniciativas na área de política migratória. A maior aposta dele é que seja anunciado um programa federal de infraestrutura a ser implementado em 2020. Vamos aguardar, certo?
Montando uma carteira internacional
Diante das perspectivas do bilionário para os Estados Unidos e o mundo, Byron montou o que seria uma carteira mais arriscada para investidores que estiverem dispostos a receber maior retorno neste ano.
Na hora de escolher, o especialista retirou qualquer aposta em ouro e disse que separou 10% do patrimônio para investir em ativos de mercados emergentes. A justificativa é que eles têm maior potencial de crescimento, o que poderia oferecer retornos mais atrativos.
Outro detalhe é que a aposta em ativos dos mercados europeus ficou em apenas 5%, por conta da expectativa de desaceleração da economia. No caso dos ativos japoneses, a alocação foi semelhante. Na visão de Byron, há melhores oportunidades em outros lugares do que nas bolsas japonesas.
Com perspectivas mais negativas para Europa e Ásia, a maior aposta de Byron continua sendo no mercado norte-americano. O veterano de Wall Street alocou cerca de 15% da carteira em ativos dos Estados Unidos.
Já o resto da alocação da carteira foi em large caps multinacionais (empresas de grande porte e bastante líquidas), hedge funds, investimentos no mercado imobiliário e fundos de private equity (fundo que compra companhias que ainda não são negociadas em bolsa).
Há também aplicações em commodities agrícolas e recursos naturais, assim como outras formas não muito convencionais de investimento em renda fixa, como em dívidas de mercados emergentes (EMDs).
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