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Eduardo Campos

Eduardo Campos

Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.

O Mercado é soberano

Fiasco em Davos?

Participação de Bolsonaro no Fórum Econômico Mundial recebeu enxurrada de críticas, mas uma métrica menos subjetiva sugere um resultado diferente

Eduardo Campos
Eduardo Campos
27 de janeiro de 2019
11:58 - atualizado às 11:08
Presidente Jair Bolsonaro na reunião do Conselho Internacional de Negócios, em Davos. - Imagem: Alan Santos/PR

A esperada participação do presidente Jair Bolsonaro no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça, gerou mais notícias e avaliações negativas do que positivas. O discurso de abertura foi criticado, bem como o não comparecimento em entrevista coletiva.

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No entanto, proponho uma avaliação por métrica menos subjetiva. Partindo do pressuposto que o mercado é soberano, a participação foi positiva.

O Ibovespa, principal índice de ações da B3, bateu recordes nominais de pontuação na quarta e quinta-feira, depois de um tombo na terça que pode ser colocado na conta de eventos externos. O dólar também voltou a ser negociado abaixo de R$ 3,80.

Como disse um amigo de larga experiência em mesas de operação e tesourarias, “o mercado bombou”, principalmente depois das falas do ministro da Economia, Paulo Guedes, na quarta-feira, quando ele "salvou o mercado" ao reafirmar que vai buscar zerar o déficit primário ainda em 2019, fazer uma agressiva agenda de privatizações, e dizer que a reforma da Previdência em estudo pode gerar economia de R$ 700 bilhões a R$ 1,3 trilhão.

Colocando toda a questão de outra forma e seguindo um ensinamento de outro amigo de mercado: "não estou aqui para estar certo, estou aqui para ganhar dinheiro". Podemos elaborar lindas teses sobre a participação brasileira em Davos, mas o que importa é: "isso é sinal de compra ou de venda?"

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O mercado “quer acreditar” e esses eventos refirmam o “voto de confiança” dado desde o período eleitoral na “carta de intenções” apresentada por Bolsonaro, que tem como fiador Paulo Guedes. Aliás, como disse um amigo: “eu votei no Guedes”.

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Toda a expectativa desde então está na capacidade de entrega das propostas dessa “carta de refundação” da economia brasileira, que finalmente se pautaria pelos princípios liberais defendidos pelo ministro e seus “Chicago Oldies”.

O dia do “acerto de contas” ou o “teste do pudim”, por assim dizer, está se aproximando. É a retomada dos trabalhos no Congresso Nacional. Eleitos os presidentes da Câmara e do Senado, a expectativa será ainda maior sobre qual será o texto final da reforma da Previdência a ser apresentado.

Creio que mais relevante que isso deverá ser a primeira votação de qualquer outro projeto mais relevante que o governo venha a encaminhar enquanto a Previdência é debatida pelos parlamentares. Entre as 35 prioridades apresentadas para os 100 primeiros dias, o único projeto que poderia “fazer preço” é a autonomia formal do Banco Central (BC).

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A semana que começa reserva intensa agenda de indicadores econômicos, mas o foco estará, mesmo na eleição do Congresso no dia 1º de fevereiro. O presidente estará ausente em função de cirurgia a ser realizada na segunda-feira, mas isso não deve reduzir a temperatura de um noticiário político negativo para Bolsonaro e sua família, mas que até agora não bate no mercado.

Como diz Ivan Sant’Anna, colunista do Seu Dinheiro, “mercado que responde bem a notícia ruim é mercado de alta”. Isso tem se mantido verdade, com a estratégia “buy the deep” ou compre as quedas, se mostrando vencedora. Fevereiro vai colocar isso à prova.

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