Brasil ganhou 42 mil novos milionários em 2019
Pesquisa do Credit Suisse também mostra que o número de ultra ricos, aqueles com mais de US$ 50 milhões, subiu em 860 no país. Alta só foi menor que a vista nos EUA

O Brasil ganhou 42 mil novos milionários entre 2018 e 2019 segundo a décima edição do Global Wealth Report, feita pelo Credit Suisse Research Institute. E esse número deve continuar aumentando já que a projeção é de um aumento de 23% no número de milionários até 2024, dos atuais 259 mil para 319 mil. Em 2010, o país tinha apenas 36 mil deles.
É considerado milionário aquele com ativos avaliados em mais de US$ 1 milhão (imóvel principal fora), ou algo como R$ 4,1 milhões. O relatório também chama atenção para o aumento no número de ultra ricos, ou “Ultra High Net Worth -UHNW”, aqueles com mais de US$ 50 milhões, que foi 860 no ano passado. Segunda maior alta entre os países pesquisados, perdendo apenas para os EUA, com aumento de 4,2 mil.
Segundo o Credit Suisse, a riqueza global teve uma alta modesta de 2,6% no ano passado, totalizando US$ 360 trilhões. Já riqueza por adulto atingiu novo recorde de US$ 70.850, ficando 1,2% acima do nível observado em meados de 2018. As principais contribuições para o crescimento da riqueza global vieram dos EUA (US$ 3,8 trilhões), da China (US$ 1,9 trilhão) e da Europa (US$ 1,1 trilhão). Valorização dos ativos não financeiros foi o principal motor para o aumento da riqueza.

Concentração e prosperidade
Segundo o estudo, mais da metade dos adultos do mundo, 2,9 bilhões de pessoas, tem riqueza inferior a US$ 10 mil, enquanto cerca de 1% dos milionários concentram 44% de toda a renda global. Ainda assim, o Credit Suisse aponta que tendência de concentração de renda teve breve redução, depois do pico registrado em 2016.
Aqui no Brasil, a estimativa é de que o 1% mais rico da população detém 49% de toda a riqueza familiar do país. Já a proporção de brasileiros com riqueza inferior a US$ 10 mil é maior do que a observada no mundo todo, com 70% ante 57%.
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Ainda no Brasil, desde 2010, a riqueza média caiu 3% em dólares americanos, até chegar ao patamar atual de US$ 23.550 mil. Os ativos financeiros respondem por 49% do patrimônio bruto das famílias brasileiras.
Olhando outro recorde de renda global, o número de pessoal com US$ 10 mil a US$ 100 mil teve o maior crescimento do século, saindo de 514 milhões de pessoas no ano 2000 para 1,7 bilhão em meados de 2019.
Segundo o estudo, esse aumento reflete a prosperidade das economias emergentes, especialmente a China, e um aumento da classe média no mundo em desenvolvimento. A renda média desse grupo é de US$ 33.530 e os ativos totais são de US$ 55,7 trilhões.
No mundo
O Credit Suisse estima que há 46,8 milhões de milionários ao redor do mundo, um alta de 1,1 milhão no comparativo atual. Os EUA concentram 40% deles e a China 10%.
No quesito riqueza por adulto, a Suíça lidera a lista (US$ 17.790), seguida dos Estados Unidos (US$ 11.980), do Japão (US$ 9.180) e dos Países Baixos (US$ 9.160).
De volta aos ultra ricos, o relatório estima que 55.920 adultos tinham um patrimônio de pelo menos US$ 100 milhões, enquanto 4.830 tinham ativos líquidos em valor superior a US$ 500 milhões.
A América do Norte domina a composição regional, com 84.050 membros (50%). A Europa contabiliza 33.550 (20%). O número de ultra ricos que vivem em países da região da Ásia-Pacífico, com exceção da China e da Índia, chega a 22.660 (14%).
O estudo projeta um aumento de 27% na riqueza global nos próximos cinco anos, chegando a US$ 459 trilhões até 2024. Os países de renda baixa e média são responsáveis por 38% do crescimento, embora respondam por apenas 31% da riqueza atual.
O número de milionários também aumentará consideravelmente nos próximos cinco anos, chegando perto de 63 milhões. Enquanto o número de pessoas de altíssima renda atingirá 234 mil.

Mulheres
O patrimônio das mulheres cresceu em relação ao dos homens na maioria dos países, resultado da crescente participação feminina na força de trabalho e da divisão mais proporcional da riqueza.
Segundo o estudo, tradicionalmente, a herança tem sido uma fonte de riqueza mais importante para as mulheres do que para os homens – em parte porque rendas mais baixas limitaram o acúmulo por conta própria, em parte porque elas ficaram viúvas e também porque as mulheres herdeiras aproveitam a herança por mais tempo do que os homens herdeiros, uma vez que elas tendem a viver mais.
Millennials
Segundo o estudo, o grupo dos millennials (nascidos entre 1981 e 1996) não tem muita sorte. Como se não bastasse eles terem sido atingidos na juventude pela crise financeira global e pelas poucas perspectivas de trabalho que se seguiram, ele enfrentam em muitos países a desvantagem dos altos preços dos imóveis, dos juros baixos e da baixa renda, o que dificulta a aquisição da casa própria e a formação de patrimônio.
Embora enfrentem muitas desvantagens aparentes, esse grupo pode contar com herança e ajuda financeira dos pais. Mas o aumento esperado no patrimônio herdado traz consequências para a distribuição de riqueza e a desigualdade tanto em países desenvolvidos quanto em economias emergentes.
A íntegra do relatório está aqui.
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