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A expectativa em relação às decisões de política monetária do Fed e do BC, amanhã, deu um viés de precaução ao Ibovespa e às bolsas americanas
Wall Street está tomada de cartazes e letreiros luminosos. "A luta dos juros" é o assunto do momento entre os agentes financeiros — e a expectativa para esse duelo, marcado para quarta-feira (31), traz ampla ansiedade aos mercados globais, inclusive o Ibovespa.
No córner azul, estará o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. A instituição decidirá, na tarde de amanhã, a nova taxa de juros do país, e as casas de aposta indicam o favoritismo do cenário de corte de 0,25 ponto percentual. No entanto, há quem esteja colocando dinheiro em cenários diferentes.
No córner vermelho, estarão os mercados globais, que passaram os últimos dias treinando para não serem pegos de surpresa. Afinal, o Fed possui um amplo leque de movimentos — jabs, diretos, cruzados, ganchos, esquivas —, e os agentes financeiros não querem ser nocauteados por um golpe inesperado.
Assim, os agentes financeiros preferiram promover os últimos ajustes na estratégia nesta terça-feira (30), véspera da luta decisiva. E a maior parte desse último treinamento foi dedicada ao aprimoramento da defesa: tanto as bolsas americanas quanto o Ibovespa encerraram o pregão em queda, refletindo a cautela dos mercados antes de subir ao ringue.
O principal índice acionário brasileiro fechou em baixa de 0,53%, aso 102.932,76 pontos — na mínima do dia, o Ibovespa chegou a cair 0,86%, aos 102.596,13 pontos. Nos Estados Unidos, o Dow Jones (-0,09%), o S&P 500(-0,26%) e o Nasdaq (-0,24%) seguiram tendência semelhante.
O dólar à vista também refletiu essa preocupação: a moeda americana terminou a sessão em alta de 0,22%, a R$ 3,7915 — no momento de maior tensão, a divisa tocou os R$ 3,7992 (+0,43%).
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A luta de amanhã é especialmente importante para os mercados porque há ampla expectativa de corte de juros por parte da autoridade monetária americana, o que, se confirmado, representará o primeiro movimento de redução nas taxas dos EUA em uma década.
No meio do mês, os agentes financeiros até chegaram a apostar que o BC americano poderia ser agressivo e promover um ajuste mais amplo, de 0,50 ponto percentual nos juros. No entanto, com a economia do país não dando sinais mais intensos de fraqueza — e com o Banco Central Europeu (BCE) hesitando em reduzir as taxas na região —, esse cenário parece bem menos provável.
Assim, os mercados sobem ao ringue esperando que o primeiro golpe a ser desferido pelo Fed seja um cruzado de 0,25 ponto percentual. No entanto, após esse primeiro ataque, não há consenso quanto ao que a autoridade monetária poderá fazer daí em diante.
"Um corte de juros de 0,25 pelo Fed parece bem definido", diz Victor Candido, economista da Journey Capital. No entanto, ele pondera que as sinalizações a serem dadas a respeito dos próximos passos da política monetária — quando e se ocorrerão novos ajustes negativos, e em qual intensidade — também são fatores muito importantes para os mercados.
Afinal, os juros são fatores fundamentais na tomada de decisão dos agentes financeiros: taxas mais baixas diminuem a atratividade dos investimentos em renda fixa e estimulam a tomada de risco pelos mercados. Nesse cenário, as ações e ativos de países emergentes acabam ficando mais interessantes, já que tendem a oferecer retornos mais altos.
De qualquer maneira, os mercados optaram por diminuir um pouco suas posições em bolsa nesta terça-feira, de modo a ficarem menos expostos a eventuais surpresas por parte do Fed — o que fez o Ibovespa retornar ao nível dos 102 mil pontos.
Mas, no Brasil, os mercados irão enfrentar mais uma luta amanhã.
O Banco Central do Brasil também divulgará amanhã sua decisão a respeito da taxa Selic, por volta das 18h — portanto, poucas horas depois de o Fed publicar suas diretrizes de política monetária, às 15h. E, assim como o BC americano, o Copom também pode desferir diversos golpes diferentes.
Por aqui, as casas de aposta também indicam que um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros é o cenário mais provável para a luta de amanhã. Só que os agentes financeiros locais parecem mais preocupados quanto à imprevisibilidade dos movimentos do BC.
Um movimento mais agressivo, de corte de 0,50 ponto percentual, não está completamente descartado. No entanto, também não está fora de cogitação uma postura pacifista do Copom, mantendo a Selic nos atuais 6,5% ao ano. "O BC tem condição de não fazer nada, dada a comunicação. Tem espaço para tudo", diz Candido.
E, assim como no caso do Fed, as sinalizações a respeito dos próximos passos também serão fundamentais para definir o comportamento dos ativos brasileiros — seja o Ibovespa, o dólar à vista ou a curva de juros — daqui para frente.
Nesse contexto, o dólar à vista teve mais um dia de alta, aproximando-se do nível dos R$ 3,80, também impulsionado pelos ganhos da moeda americana no exterior em relação a quase todas as divisas do mundo. As curvas de juros, por sua vez, ficaram perto da estabilidade, tanto na ponta curta quanto na longa, com os mercados optando por aguardar pela definição da luta antes de promover ajustes mais intensos de posição.
Nesse contexto, os DIs para janeiro de 2020 caíram de 5,57% para 5,56%, enquanto as com vencimento em janeiro de 2021 recuaram de 5,43% para 5,42%. Na ponta longa, as curvas para janeiro de 2023 ficaram estáveis em 6,30%, e as com vencimento em janeiro de 2025 tiveram baixa de 6,85% para 6,83%.
Enquanto se prepara para a luta de amanhã, o Ibovespa usou o noticiário corporativo e a temporada de balanços como ferramentas para ajustar posições e se preparar de maneira definitiva. Quanto aos resultados trimestrais, duas empresas que compõem o Ibovespa reportaram seus números recentemente: Itaú Unibanco e Multiplan.
O banco encerrou o período entre abril e junho deste ano com lucro de R$ 7,034 bilhões, um avanço de 10,2% na base anual — apesar disso, os papéis PN da instituição (ITUB4) recuaram 3,32%. O dia foi marcado pelo mau desempenho das ações do setor bancário: Bradesco ON (BBDC3) teve baixa de 1,74%, Bradesco PN (BBDC4) caiu 2,07% e as units do Santander Brasil fecharam em queda de 3,10%.
Já a operadora de shoppings reportou baixa de 20,9% em seu lucro, para R$ 115,2 milhões, mas viu sua receita líquida avançar 6% na mesma base de comparação, para R$ 324,8 milhões. Nesse cenário, os ativos ON (MULT3) da companhia subiram 1,53% neste momento.
Ainda dentro do Ibovespa, destaque para o bom desempenho das ações mais expostas à economia doméstica, caso de GPA PN (PCAR4), em alta de 3,86%, Ecorodovias ON (ECOR3), com valorização de 2,00%, e MRV ON (MRVE3), com ganho de 2,40%, entre outras.
O BTG Pactual realizou apenas uma troca na sua carteira de ações para o mês de fevereiro. O banco retirou a Vale (VALE3), que deu lugar para Axia Energia (AXIA6). Além disso, os analistas também aumentaram sua posição em Caixa Seguridade (CXSE3), de 5% para 10%, e reduziram em B3 (B3SA3), de 10% para 5%. A carteira tem como objetivo […]
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