Menu
2019-12-18T18:45:22-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Novo recorde

Decolando: Ibovespa sobe forte e chega aos 114 mil pontos pela primeira vez na história

Em meio ao clima de otimismo que toma conta dos mercados brasileiros em dezembro, declarações do ministro Paulo Guedes foram bem recebidas pelos investidores e fizeram o Ibovespa subir 1,51% nesta quarta-feira, renovando mais uma vez as máximas

18 de dezembro de 2019
18:45
Foguete Ibovespa
Imagem: Shutterstock

Para o Ibovespa, parece não haver fronteira final. O principal índice da bolsa brasileira teve mais uma alta expressiva nesta quarta-feira (16), audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve — o nível dos 114 mil pontos.

É isso mesmo: o Ibovespa fechou o pregão de hoje com um ganho de 1,51%, aos 114.314,65 pontos, renovando mais uma vez o topo histórico — é a sétima vez só em dezembro que o índice marca novos recordes.

Com o desempenho desta quarta-feira, o Ibovespa já acumula expressivos 5,62% de valorização apenas neste mês. No ano, o resultado é igualmente chamativo: uma alta de 30,07% desde o começo de 2019.

E o que explica mais essa forte valorização? Bem, é preciso ponderar alguns fatores, a começar pelas condições macro que circundam o mercado brasileiro. Diversos pontos atuam em conjunto neste mês para injetar confiança nos agentes financeiros, tanto aqui quanto no exterior.

No front local, há a perspectiva muito mais favorável para a economia brasileira: com a taxa de juros nas mínimas históricas — e sem expectativa de elevação na Selic no curto prazo — e com dados mostrando a retomada no crescimento da atividade doméstica, o ambiente está bastante favorável para o aumento à exposição ao risco, especialmente na bolsa.

E, em termos internacionais, há o alívio nas tensões comerciais entre Estados Unidos e China, com as potências chegando às bases para a primeira fase de um acordo — o que dá força à leitura de que a economia global poderá ser menos penalizada pelas disputas em 2020.

Dito isso, há os fatores pontuais de cada pregão. E, nos últimos dias, as sessões têm sido marcadas pela ausência de novidades negativas — o que traz tranquilidade aos investidores e permitem que, ao menor sinal de otimismo, a onda de alívio se renove.

Nesta quinta-feira, o responsável por trazer ânimo extra aos mercados foi o ministro da Economia, Paulo Guedes, que assumiu um tom positivo ao falar sobre os esforços feitos pela pasta em 2019 e as perspectivas para o próximo ano — uma leitura que animou os agentes financeiros e fez o Ibovespa subir ainda mais.

"O Guedes falou hoje, mas o clima mais otimista já vem dos últimos dias", diz Ari Santos, gerente da mesa de operações da H. Commcor. "Temos expectativa de PIB melhor, menos briga no exterior, agências de classificação de risco mais positivas com o Brasil. O resultado é menos volatilidade".

Palavras de Guedes

Entre outros pontos, o ministro mostrou-se satisfeito com a reforma da Previdência aprovada pelo Congresso, elogiando o trabalho "construtivo da Câmara e do Senado". Guedes ainda destacou o controle mais rígido no front fiscal e ponderou que as PECs que atualmente tramitam no Congresso a respeito da reforma tributária "são complementares".

Além disso, ele ainda projetou um crescimento do PIB de, ao menos, 2% em 2020, mostrando-se otimista quanto à possibilidade de aceleração nos investimentos no setor de infraestrutura — a MP do Saneamento foi usada por Guedes como exemplo para justificar seu otimismo.

Por mais que as declarações não tenham trazido grandes novidades ou fornecido pistas mais concretas quanto aos planos da pasta para 2020, fato é que o mercado recebeu bem as falas, ampliando o ritmo de ganhos do Ibovespa.

Até o meio da tarde, o índice exibia ganhos modestos, lutando para se sustentar acima dos 113 mil pontos. Foi a partir da fala de Guedes que o Ibovespa deu um salto, rompendo o patamar dos 114 mil pontos — e por lá ficando até o fechamento.

Exterior calmo

O único fator de instabilidade no horizonte nesta terça-feira é a votação do processo de impeachment do presidente americano, Donald Trump, pela Câmara dos Deputados do país. Mas é dado como certo que os deputados darão continuidade ao processo, enviando-o ao Senado.

Assim, a votação de hoje não traz maiores turbulências aos mercados, dado o desfecho já aguardado. No Senado, contudo, o cenário deve ser o oposto: a maioria republicana da Casa deve barrar a continuidade das discussões.

Dada a falta de fatores-surpresa, as bolsas americanas praticamente ignoraram o tema do impeachment de Trump nesta quarta-feira, exibindo apenas movimentações marginais. O Dow Jones (-0,10%) e o S&P 500 (-0,04%) fecharam em leve queda, enquanto o Nasdaq (+0,05%) conseguiu sustentar uma alta modesta — suficiente para que o índice atingisse um novo recorde de fechamento.

E o dólar?

No mercado de câmbio, o dia foi bem tranquilo. O dólar à vista apresentou poucas flutuações, fechando o dia em leve baixa de 0,12%, a R$ 4,0596 — a menor cotação desde 5 de novembro, quando a divisa americana estava abaixo dos R$ 4,00 (R$ 3,9939).

O mercado de moedas reagiu ao tom de calmaria visto no exterior, não repercutindo as declarações de Guedes. Lá fora, o dólar exibiu um tom misto em relação às divisas emergentes: fechou em leve alta ante o peso mexicano e o rublo russo, mas teve uma ligeira queda ante o peso chileno e o rand sul-africano.

Alívio nos juros

As curvas de juros aproveitaram o bom humor dos mercados e a leve quedado do dólar à vista para fechar em baixa, tanto na ponta curta quanto na longa — nos últimos dias, os DIS passaram por ajustes positivos relevantes.

Veja abaixo como ficaram as principais curvas nesta terça-feira:

  • Janeiro/2021: de 4,65% para 4,60%;
  • Janeiro/2023: de 5,99% para 5,92%;
  • Janeiro/2025: de 6,60% para 6,56%;
  • Janeiro/2027: de 6,93% para 6,90%.

Corporativo em foco

Por aqui, o noticiário corporativo foi responsável por algumas das principais oscilações na bolsa. Os papéis ON da Marfrig (MRFG3) caíram 4,21% após a conclusão de uma oferta de ações que movimentou R$ 3 bilhões, dos quais mais de R$ 2 bilhões foram vendidos pelo BNDES — o que marcou a saída do banco público da empresa.

Outro destaque foi Hypera ON (HYPE3), com ganho de 3,84%. O mercado reagiu positivamente à aquisição de alguns ativos da Boehringer, por R$ 1,3 bilhões — a operação inclui as marcas Buscopan e Buscofem.

Em comentário, a equipe de análise do BTG Pactual classificou a transação como positiva, dadas as marcas fortes envolvidas e as possíveis sinergias, relacionadas sobretudo às áreas de produção e marketing — você pode ler mais detalhes nesta matéria.

Veja abaixo as cinco ações de melhor desempenho do índice no momento:

  • Engie ON (EGIE3): +5,03%
  • Qualicorp ON (QUAL3): +4,48%
  • GPA PN (PCAR4): +4,00%
  • Bradesco ON (BBDC3): +3,87%
  • Yduqs ON (YDUQ3): +3,86%

Confira também as maiores quedas do Ibovespa:

  • Marfrig ON (MRFG3): -4,21%
  • Cogna ON (COGN3): -3,00%
  • Eletrobras PNB (ELET6): -2,95%
  • MRV ON (MRVE3): -1,51%
  • Eletrobras ON (ELET3): -1,50%
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

Sem medo da Disney+

Netflix surpreende e supera a projeção de crescimento da base de assinantes no 4º trimestre

A Netflix chegou ao quarto trimestre numa posição diferente da habitual. De pioneira nas transmissões via streaming, a companhia agora é uma veterana da indústria — novatas como a Disney+ e a Apple TV+ chegaram com tudo ao mercado, buscando roubar a coroa da empresa. A filosofia da aposentadoria precoce: já pensou em poder se […]

SEU DINHEIRO NA SUA NOITE

Para ler hoje e daqui a dez anos

Enoch Soames é um escritor frustrado que deseja saber se terá a obra reconhecida na posteridade. Depois de fazer um pacto com o diabo, ele viaja 100 anos no futuro e descobre que a única referência sobre ele está justamente na história que estamos lendo. Assim como o personagem do conto escrito pelo britânico Max […]

PODE SUBIR MAIS

Mesmo após alta de 154% em 2019, XP ainda vê potencial de subida e aumenta preço-alvo das ações da Via Varejo

Em relatório, analista Pedro Fagundes da XP subiu o preço-alvo dos papéis da companhia em 12 meses para R$ 17 e viu potencial de alta de 21% em relação ao fechamento de ontem

Vírus na China

Com um novo fator de risco no radar, o Ibovespa caiu mais de 1,5% e o dólar subiu a R$ 4,20

A confirmação de um caso da nova variante do coronavírus nos Estados Unidos trouxe cautela aos mercados, que temem um surto da doença. Como resultado, o Ibovespa caiu forte e o dólar teve mais um dia de alta

NOVIDADES À VISTA

Guedes diz que Brasil vai liberar compras de governo a estrangeiros

“O Brasil está querendo entrar para primeira liga, para primeira divisão de melhores práticas. Isso realmente é um ataque frontal à corrupção”, argumentou

BNDES NO RADAR

Bolsonaro diz que ‘caixa-preta’ do BNDES já foi aberta e evita comentar auditoria

“A caixa-preta já foi aberta, bilhões gastos em outros países”, disse o presidente. Em seguida, encerrou a coletiva de imprensa sem responder outras perguntas

DE OLHO NA LIBERDADE FINANCEIRA

Você pode ser rico em 2030

Eu adoro fazer planos e traçar cenários futuros. Gosto de ler teses sobre como serão profissões, cidades e tecnologias nos próximos dez anos.  Eu também gosto de “brincar” com uma calculadora HP 12c e simular quanto o meu dinheiro (e o dos outros) pode render no futuro nos diferentes cenários. O mais legal dessas simulações […]

mas por enquanto sem detalhes

Para OMC, mecanismo de disputa vai ter que mudar para lidar com novas condições

Diretor-geral da instituição defendeu a importância do livre-comércio em detrimento do protecionismo, e negou que esse sistema provoque desigualdades sociais

números do setor

Vendas e compras de aço da rede de distribuição sobem em dezembro, diz Inda

Levantamento inclui os dados de seus associados e incluem chapas grossas, laminados a quente, laminados a frio, chapas zincadas, chapas eletro-galvanizadas, chapas pré-pintadas e galvalume

direito de Abu Dabi

De olho em entretenimento, fundo Mubadala vai disputar Ibirapuera

Fundo avalia participar, por meio de sua empresa IMM, da licitação de investimento que não deve sair por menos de US$ 100 milhões

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements