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Notícias quanto a um certo desânimo da China nas negociações com os EUA a longo prazo trouxeram apreensão aos mercados nesta quinta-feira. No entanto, o saldo do Ibovespa em outubro foi positivo, em meio à aprovação da reforma da Previdência no Senado e ao acerto preliminar entre americanos e chineses no início do mês
Quem esperava que o Ibovespa teria uma sessão festiva nesse dia das bruxas, apostando no bom humor dos agentes financeiros após o corte de 0,5 ponto na Selic, se deu mal: as bolsas globais passaram toda a sessão desta quinta-feira (31) no campo negativo. E tudo por causa da China, que aprontou uma travessura durante a manhã.
O índice brasileiro encerrou o pregão em baixa de 1,10%, aos 107.219,83 pontos — na mínima, chegou aos 106.355,82 pontos (-1,89%). O desempenho de hoje, no entanto, não foi suficiente para apagar os ganhos do mês: em outubro, o Ibovespa acumulou uma alta de 2,36%.
Afinal, por mais que o susto vindo do exterior tenha feito o coração dos mercados disparar hoje, o mês foi recheado de gostosuras para os agentes financeiros: nas últimas semanas, tivemos a aprovação definitiva da reforma da Previdência no Congresso, um alívio importante na guerra comercial e o já mencionado corte de juros.
Como resultado desse clima de comemoração que tomou conta da bolsa brasileira em outubro, o Ibovespa finalmente conseguiu atingir novos recordes de fechamento. Pouco a pouco, o índice foi buscando níveis inéditos: chegou aos 106 mil pontos, conquistou os 107 mil e, no dia 30, cravou 108.407,54 pontos, a nova máxima.
Assim, o susto de hoje apenas fez com que o Ibovespa realizasse parte dos lucros recentes, nada que ameaçasse a trajetória positiva vista ao longo do mês — fenômeno semelhante ao visto nas bolsas dos Estados Unidos.
Por lá, o Dow Jones encerrou o pregão de hoje em baixa de 0,52%, aos 27.046,23 pontos; o S&P 500 recuou 0,27%, aos 3.038,61 pontos; e o Nasdaq caiu 0,14%, aos 8.292,36 pontos — os três índices, no entanto, também acumularam um desempenho positivo em outubro.
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E, assim como o Ibovespa, o Dow Jones e o S&P 500 chegaram a registrar novas máximas de encerramento ao longo do mês.
O susto de hoje também mexeu com o câmbio: o dólar à vista fechou em alta de 0,55%, a R$ 4,0092. No exterior, o dia foi de valorização da moeda americana em relação às divisas de países emergentes, como o peso mexicano, o rublo russo, o peso chileno e o rand sul-africano.
Mas a história foi a mesma nesse mercado: apesar da pressão vista hoje, o dólar terminou outubro com uma baixa acumulada de 3,51% — no fim de setembro, a divisa era negociada na faixa de R$ 4,15.
Toda a cautela vista nesta quinta-feira se deve a uma indicação nada favorável no front da guerra comercial entre Estados Unidos e China. De acordo com a Bloomberg, o governo de Pequim não está muito empolgado com as negociações com os americanos no longo prazo.
Citando fontes, a agência de notícias diz que os chineses estão abertos à conclusão da "primeira fase" de um acerto com os americanos, de modo a gerar algum alívio nas tensões entre as partes. No entanto, as autoridades do país estariam demonstrando preocupação quanto ao comportamento "instável" do presidente dos EUA, Donald Trump.
A Bloomberg ainda diz que a China não estaria disposta a ceder em alguns pontos mais nevrálgicos das tensões com Washington, como questões ligadas ao setor de tecnologia — o que inviabilizaria um progresso mais substancial nas negociações depois dessa "primeira fase".
"O mercado está bem pesado hoje, com as sinalizações de que um acordo de longo prazo entre Estados Unidos e China ainda é incerto. Isso acaba dando força a um movimento de realização de lucros nas bolsas", diz Luis Sales, analista da Guide Investimentos, lembrando que o Ibovespa e os índices americanos estavam perto das máximas.
Nem mesmo uma manifestação de Trump no Twitter foi capaz de acalmar os ânimos do mercado. Na rede social, o presidente americano disse que o acordo preliminar com a China está 60% pronto, e que o novo local para a assinatura dos termos será anunciado em breve.
China and the USA are working on selecting a new site for signing of Phase One of Trade Agreement, about 60% of total deal, after APEC in Chile was canceled do to unrelated circumstances. The new location will be announced soon. President Xi and President Trump will do signing!
— Donald J. Trump (@realDonaldTrump) October 31, 2019
O susto com o posicionamento da China, no entanto, não tirou a alegria dos mercados financeiros ao longo de outubro. Tanto no cenário doméstico quanto no internacional, o noticiário diminuiu a aversão ao risco por parte dos investidores, dando ânimo às bolsas mundiais e tirando força do dólar.
Por aqui, destaque para a conclusão da tramitação da reforma da Previdência no Congresso. O projeto vinha enfrentando problemas para avançar no Senado, em meio aos constantes problemas de articulação do governo com os congressistas. No entanto, depois de algumas negociações, a proposta finalmente caminhou.
E, após algumas desidratações no Senado, pode-se dizer que a versão final da reforma da Previdência não ficou aquém do que era esperado pelos agentes financeiros. A economia estimada de cerca de R$ 800 bilhões em 10 anos foi considerada satisfatória pelo mercado — assim, mesmo com os atrasos, a percepção foi positiva.
Agora, com o capítulo da Previdência concluído, há a expectativa de que outras pautas econômicas defendidas pelo governo consigam progredir no Congresso, com destaque para as reformas tributária e administrativa, além dos projetos de privatizações e desestatizações.
No exterior, Estados Unidos e China assumiram um clima "paz e amor" neste mês: os governos dos dois países avançaram nas negociações comerciais e anunciaram o fechamento da "primeira fase" de um acordo, a ser assinado em novembro.
Essa aproximação, somada ao tom menos agressivo assumido pelas potências desde então, contribuiu para acalmar os mercados e renovar as esperanças de que as tensões comerciais entre americanos e chineses podem não trazer impactos tão grandes assim ao crescimento econômico global.
Assim, por mais que, vez ou outra, alguma notícia mais turbulenta a respeito das negociações traga alguma apreensão aos investidores — situação vivida hoje —, o clima certamente ficou menos tenso no front da guerra comercial.
Por fim, os bancos centrais do mundo continuam dando estímulo às economias, de modo a impedir uma desaceleração da atividade e uma eventual recessão. Ontem, tanto o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) quanto o Copom cortaram juros em 0,25 ponto e 0,50 ponto, respectivamente, cumprindo o script que era esperado pelos agentes financeiros.
Juros mais baixos tendem a impulsionar o mercado de ações, uma vez que a redução nas taxas tende a diminui os rendimentos dos investimentos em renda fixa. Assim, quem busca retornos mais expressivos precisa procurar outras alternativas, como a renda variável — e a bolsa é a opção natural para quem segue esse caminho.
Por aqui, a temporada de balanços continuou sendo repercutida pelos agentes financeiros — e as reações foram negativas.
Em primeiro plano, apareceram as ações do Bradesco: os papéis PN (BBDC4) caíram 4,09% e os ONs (BBDC3) recuaram 4,12%. Mais cedo, o banco reportou um lucro líquido de R$ 6,542 bilhões no terceiro trimestre, alta de 19,6% na base anual. A rentabilidade, no entanto, ficou em 20,2%, abaixo do índice obtido pelo Santander Brasil.
O mau desempenho dos papéis do Bradesco acaba contaminando todo o setor bancário: Itaú Unibanco PN (ITUB4) recuou 1,74%, Banco do Brasil ON (BBAS3) teve baixa de 2,57% e as units do Santander Brasil caíram 2,97%, o que puxou o Ibovespa para baixo.
Outro ativo que se destacou na ponta negativa foi Vale ON (VALE3), com perdas de 2,86%. As ações foram impactadas pela notícia de que a mineradora acionou o protocolo de emergência Nível 1 da barragem Forquilha IV, em Ouro Preto (MG).
Além disso, a tensão no front Estados Unidos e China também mexeu com os papéis da empresa, já que os chineses são importantes consumidores de minério de ferro, e uma eventual desaceleração econômica do gigante asiático causaria uma redução da demanda pela commodity.
Apesar do corte de 0,5 ponto na Selic, ao nível de 5% ao ano, as curvas de juros fecharam em alta nesta quinta-feira, acompanhando o tom de maior aversão ao risco que toma conta dos mercados globais.
Os DIs para janeiro de 2020 — que refletem as apostas do mercado para a Selic ao fim do ano — subiram de 4,72% para 4,76%, enquanto os para janeiro de 2021 foram de 4,34% para 4,49%. Na ponta longa, as curvas para janeiro de 2023 avançaram de 5,35% para 5,41%, enquanto as para janeiro de 2025 ficaram inalteradas em 6,03%.
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