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A Alemanha, motor da economia da zona do euro, voltou a falhar. Nesse cenário, o Ibovespa fechou em leve queda e o dólar à vista subiu a R$ 4,17, com os mercados optando por dirigir com cuidado
O Ibovespa e as bolsas americanas começaram a semana num ritmo bastante vagaroso, como se não tivessem muita pressa para chegar a algum destino. E, de fato, os agentes financeiros mostraram-se pouco apressados nesta segunda-feira (23), preferindo andar bem devagar e sem vergonha de pisar no freio em alguns momentos.
Toda essa cautela, diga-se, não foi à toa: a estrada a ser percorrida pelos mercados na sessão de hoje não era exatamente um carpete: entre os buracos na pista gerados pela desaceleração da economia da Alemanha e as curvas sinuosas decorrentes da guerra comercial, era mais prudente ir com calma.
Como resultado, o Ibovespa não apareceu em momento algum no campo positivo no pregão desta segunda-feira. Durante a manhã, o principal índice da bolsa brasileira até chegou a cair 0,76%, tocando os 104.019,5 pontos na mínima. Mas, ao fim do dia, ficou praticamente parado: teve uma leve baixa de 0,17%, aos 104.637,82 pontos.
Essa postura de maior prudência ao volante também pode ser constatada pelo fraco giro financeiro do Ibovespa: ao longo do dia, o índice movimentou apenas R$ 11,1 bilhões, o menor volume de negociações desde o dia 2 — data em que os mercados americanos estiveram fechados por causa de um feriado local.
Para se ter uma ideia do quão baixo foi esse volume, basta compará-lo com o restante do mês de setembro: considerando todos os pregões do mês até o dia 20, o Ibovespa movimentou, em média, mais de R$ 17 bilhões por sessão.
Nos Estados Unidos, o tom foi bastante parecido: após abrirem a sessão em baixa, o Dow Jones (+0,06%), o S&P 500 (-0,01%) e o Nasdaq (-0,06%) encerraram o dia muito perto da estabilidade. Por mais que tenham se afastado das mínimas, as praças dos EUA não encontraram força para buscar ganhos mais firmes.
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Nas bolsas da Europa, por outro lado, a sessão foi bastante negativa. Na Alemanha, o DAX recuou 1,01%; na França, o CAC 40 teve baixa de 1,05%; na Espanha, o IBEX 35 caiu 0,93%; no Reino Unido, o FTSE 1000 fechou em queda de 0,26%; e, na Itália, o FTSE MIB registrou perdas de 1,01%.
Esse tom mais negativo visto nas praças do velho continente se deve ao noticiário vindo de lá, mais especificamente, da Alemanha: os mais recentes dados econômico do país voltaram a indicar que a atividade local atravessa uma desaceleração contínua.
E, com os números decepcionantes da economia alemã, os agentes financeiros globais precisaram redobrar a atenção ao volante. Por mais que os mercados não tenham engatado a marcha a ré e recuado em sua trajetória, os investidores optaram por tirar o pé do acelerador e dirigir com cautela.
Toda essa cautela teve como pano de fundo a piora nos dados referentes à economia da Alemanha. O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria do país caiu de 43,5 em agosto para 41,4 em setembro, menor nível em mais de 10 anos.
Já o PMI do setor de serviços alemão recuou de 54,8 no mês passado para 52,5 neste mês, leitura mais baixa em nove meses. Esses dos indicadores acenderam um sinal de alerta aos mercados, mostrando que a desaceleração na atividade na zona do euro pode estar acontecendo num ritmo mais acentuado que o previsto.
"A Alemanha é a maior economia da zona do euro, e os dados mais fracos acabaram chamando a atenção", diz Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos. "O PIB do país já entrou em contração, então o mercado acaba ficando mais cauteloso. Um dos pontos de pressão sobre o crescimento mundial é a Europa, com foco na Alemanha".
Em meio à fraqueza da atividade alemã, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, sinalizou que ainda há espaço para continuar cortando os juros da região, caso necessário. Essa indicação até trouxe algum ânimo ao Ibovespa e às bolsas americanas, mas foi incapaz de reverter completamente o clima de cautela.
A desaceleração na Europa trouxe ainda mais preocupação ao front das negociações comerciais entre Estados Unidos e China. As duas potências terão uma nova rodada formal de negociações no mês que vem, mas sinalizações recentes emitidas pelos dois países diminuem as expectativas quanto ao fechamento de algum tipo de acordo no curto prazo.
Na última sexta-feira, uma delegação chinesa que visitava os EUA para definir as bases para essa nova rodada de negociações encerrou os trabalhos mais cedo que o previsto, o que deixou os agentes financeiros desconfiados quanto aos progressos feitos pelas duas partes.
E, ainda na sexta-feira, foi a vez do presidente americano, Donald Trump, jogar um balde de água fria nos mercados. Em entrevista coletiva, o republicano disse não ter interesse num "acordo parcial" com a China, afirmando que só está disposto a assinar um termo comercial completo com os chineses.
"O que vinha sendo encarado de uma maneira mais otimista pelo mercado — a realização de um encontro de alto escalão — acabou perdendo força. Marcaram uma reunião oficial, mas e agora? Vai sair algo em outubro?", questiona Beyruti, resumindo o sentimento de desconfiança dos agentes financeiros nesta segunda-feira.
Esse contexto global também provoca impactos no mercado de câmbio: o dólar à vista terminou a sessão em alta de 0,43%, a R$ 4,1714 — é o maior nível de encerramento desde 3 de setembro. Na máxima, foi aos R$ 4,1845 (+0,74%).
Lá fora, a sessão foi marcada pela valorização da moeda americana em relação às divisas fortes — o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta com as principais moedas do mundo, como o euro, a libra e o iene, operou em alta desde o início do dia.
Na comparação com as moedas emergentes, o dólar teve um desempenho misto, ganhando força em relação ao real, ao peso chileno e ao peso mexicano, mas recuando na comparação com o rublo russo e o rand sul-africano.
Por aqui, o noticiário local foi mais fraco nesta segunda-feira. Contudo, o restante da semana trará diversos fatores que poderão mexer com as negociações: na terça-feira (24), será divulgada a ata da última reunião do Copom — a autoridade monetária cortou novamente a taxa Selic em 0,5 ponto, atingindo o novo piso histórico de 5,5% ao ano.
O documento é importante porque poderá trazer novas pistas quanto à postura do Banco Central em relação à taxa de juros, ratificando ou não mais um corte na Selic na próxima reunião. Na quinta-feira (26), será conhecido o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), outro documento capaz de dar pistas a respeito da política monetária.
Ainda amanhã, destaque para o discurso do presidente Jair Bolsonaro na abertura da Assembleia Geral da ONU. Por fim, atenção também para a tramitação da reforma da Previdência no Senado. A votação do texto em primeiro turno pelo plenário da casa estava prevista para terça-feira, mas foi adiada.
No meio da tarde, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, foi ao Twitter para informar que a continuidade da tramitação da reforma ocorrerá apenas na quarta-feira (25), a partir das 16h.
Por conta da realização da sessão do Congresso Nacional na próxima terça-feira, a votação em primeiro turno da Reforma da Previdência (PEC 6/2019), no Plenário do @SenadoFederal, iniciará na quarta-feira (25), às 16 horas.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADECONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE— Davi Alcolumbre (@davialcolumbre) September 23, 2019
Antes da divulgação desses novos elementos que podem dar maior clareza quanto à visão do BC a respeito da Selic, a curva de juros acompanhou o dólar à vista e fechou em alta, tanto na ponta curta quanto na longa.
Os DIs com vencimento em janeiro de 2021 subiram de 4,97% para 5,01%, e os para janeiro de 2023 avançaram de 6,08% para 6,13%. No vértice mais extenso, as curvas para janeiro de 2025 foram de 6,70% para 6,74%.
A principal contribuição negativa para o Ibovespa veio do setor bancário: as ações dos grandes bancos caíram em bloco e trouxeram pressão ao índice como um todo. Bradesco ON (BBDC3), Itaú Unibanco PN (ITUB4) e as units do Santander Brasil (SANB11) tiveram perdas de 0,82%, 0,32% e 0,39%, nesta ordem. Banco do Brasil ON (BBAS3) fechou em baixa de 0,48%.
Por outro lado, as ações da Petrobras ganharam terreno e ajudaram a limitar as perdas do Ibovespa. Os papéis PN (PETR4) subiram 1,78% e os ONs (PETR3) tiveram alta de 0,43%, impulsionados pelo tom positivo do petróleo no exterior.
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