Às vésperas da sessão da CCJ, Ibovespa e dólar fecham praticamente estáveis
A cautela deu o tom aos mercados nesta segunda-feira, em meio às incertezas em relação à retomada dos trabalhos da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara

Os mercados brasileiros voltaram à ativa nesta segunda-feira, após o feriado da Páscoa. Mas, em meio à ausência de novidades no cenário político e à cautela antes da sessão de amanhã da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, o Ibovespa e o dólar praticamente tiveram mais um dia de folga, fechando muito perto do zero a zero.
O principal índice da bolsa brasileira, por exemplo, terminou o pregão em leve alta de 0,01%, aos 94.588,06 pontos — ao longo do dia, oscilou entre os 93.720,50 pontos (-0,91%) e os 95.037,90 pontos (+0,49%). O dólar à vista mostrou tendência semelhante: fechou com ganho de 0,07%, a R$ 3,9329.
Outro sinal da fraqueza do mercado foi o giro financeiro: ao todo, o Ibovespa movimentou R$ 10 bilhões nesta segunda-feira, o segundo menor volume diário de 2019 — apenas a sessão de 6 de março, quarta-feira de cinzas, registrou um montante inferior (R$ 8,68 bilhões).
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Devagar, quase parando
Toda essa apatia se deve à falta de clareza quanto ao que poderá acontecer na CCJ. O colegiado retomará amanhã aos trabalhos, mas ainda não é certo que a reforma da Previdência será votada já nesta terça-feira.
E isso porque o relator da proposta no colegiado, Marcelo Freitas, deve promover alterações em seu parecer, o que, se confirmado, abrirá espaço para que os deputados peçam mais tempo para avaliar a nova versão do relatório — atrasando novamente a tramitação da reforma.
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Os deputados da oposição já dão sinais de que irão dificultar o jogo: o grupo vai tentar impedir a votação, exigindo do governo a divulgação dos dados detalhados que embasam a proposta.
"Não se sabe como ficará amanhã [a sessão da CCJ], então é complicado", diz Ari Santos, gerente da mesa de operações da H. Commcor. "Ninguém tem certeza de que a previdência vai ser votada e se o processo terá continuidade rápida na Câmara".
Apesar desse cenário nebuloso, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, deu declarações otimistas nesta segunda-feira. Para Maia, a reforma deve ser aprovada amanhã na CCJ e, a partir da semana que vem, já devem ser iniciados os trabalhos na Comissão Especial da casa.
"A bolsa não consegue sair dessa faixa de 93 a 95 mil pontos, falta notícia", comenta um operador, destacando que o dia também foi fraco no exterior, com as bolsas americanas fechando perto da estabilidade: o Dow Jones caiu 0,18%, o S&P 500 teve alta de 0,1% e o Nasdaq avançou 0,22% — na Europa, os mercados ficaram fechados hoje.
O mercado de câmbio também teve um dia sem tendência clara. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação às principais moedas do mundo, teve leve queda hoje. No entanto, a divisa americana ganhou força ante as moedas de países emergentes, como o peso mexicano e o rand sul-africano.
E por mais que o dólar tenha oscilado pouco em relação ao real nesta segunda-feira, chama a atenção o patamar elevado em que a moeda americana parece ter se estabilizado: esta foi a quarta sessão consecutiva em que o dólar ficou acima de R$ 3,90.
As curvas de juros também não se afastaram muito da estabilidade, mas fecharam em leve queda: entre os DIs curtos, os com vencimento em janeiro de 2020 caíram de 6,45% para 6,44%, enquanto os com vencimento em janeiro de 2021 recuaram de 7,03% para 7,01%. Na ponta longa, as curvas para janeiro de 2023 foram de 8,21% para 8,20%, e as para janeiro de 2025 tiveram baixa de 8,77% para 8,75%.
Petróleo em alta
O petróleo teve ganhos firmes nesta segunda-feira, após o governo americano confirmar o fim da isenção concedida a oito países para a compra da commodity do Irã. O WTI subiu 2,31%, enquanto o Brent teve alta de 2,88%.
Apesar do bom desempenho do petróleo, os papéis da Petrobras apresentaram comportamentos distintos, influenciados pela cautela no cenário local: as ações ON subiram 0,36%, enquanto as PNs caíram 0,58%.
Otimismo contagia a Ambev
As ações ON da Ambev estiveram entre os destaques positivos do Ibovespa, fechando em alta de 2,4%. Em relatório, o Goldman Sachs diz esperar por bons resultados da companhia no primeiro trimestre deste ano, projetando crescimento no volume de vendas de cerveja e refrigerantes no Brasil em relação ao mesmo período do ano passado.
Mineração em queda
Já as ações do setor de mineração apareceram entre as maiores perdas do Ibovespa, com destaque para Vale ON (-2,43%). As ações PN da Bradespar, empresa que detém participação relevante na Vale, caíram 1,4%.
Segundo o jornal Valor Econômico, o relator da CPI de Brumadinho no Senado, Carlos Viana (PSD-MG), pode propor em seu relatório final uma alta de 3,5% para 10% na Compensação Financeira pela Exploração de recursos Minerais (Cfem) — uma espécie de royalty pago pelas mineradoras.
As ações ON da CSN, empresa que possui um braço relevante de mineração, também são afetadas e tiveram queda de 2,69%.
JBS segue forte
Os papéis ON da JBS lideraram os ganhos do Ibovespa nesta segunda-feira, com alta de 4,11%. O mercado segue apostando suas fichas num aumento das exportações do frigorífico, em meio ao surto de peste suína africana que atinge a China — segundo a Reuters, novos casos da doença foram detectados na província de Hainan.
BR Distribuidora avança
As ações ON da BR Distribuidora fizeram companhia aos ativos da JBS na ponta positiva do Ibovespa, com ganho de 2,93%. Mais cedo, a Petrobras reiterou que estuda a venda adicional de participação na empresa, embora tenha ressaltado que nenhum banco foi contratado até o momento para conduzir a operação.
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