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2019-10-14T14:33:52-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Guerra comercial em foco

Trump foi ao Twitter para falar sobre a China — e fez o Ibovespa fechar em alta

O Ibovespa e as bolsas globais terminaram o dia no campo positivo, mostrando uma postura otimista após Trump confirmar uma reunião com o vice-primeiro-ministro da China

10 de outubro de 2019
10:32 - atualizado às 14:33
Trump no Twitter
Trump usou sua rede social favorita para confirmar um encontro com autoridades chinesas, o que deu força aos mercadosImagem: Shutterstock

Os mercados globais começaram a sessão desta quinta-feira (10) em ponto morto. Tanto o Ibovespa quanto as bolsas americanas passaram os primeiros minutos de pregão sem se afastar muito do zero a zero, com os agentes financeiros mostrando uma postura bastante cautelosa.

Não era para menos: afinal, começou hoje a rodada de negociações entre autoridades dos Estados Unidos e da China, no âmbito da guerra comercial. E o noticiário referente aos diálogos entre as potências era desencontrado, para dizer o mínimo.

Informações quanto a supostos desentendimentos entre americanos e chineses, matérias a respeito de eventuais acordos que estariam prestes a serem fechados, textos alertando para a possibilidade de as conversas terminarem mais cedo que o previsto, boatos sobre concessões por parte da Casa Branca... a confusão aumentava a cada novo elemento.

Nesse cenário de incertezas, os mercados preferiram não se expor a riscos desnecessários na abertura da sessão : as bolsas do mundo mantinham-se ao redor da estabilidade e o dólar não exibia uma tendência clara — por aqui, a moeda americana ganhava força, chegando a tocar o nível de R$ 4,13 mais cedo.

Essa prudência, no entanto, começou a se dissipar pouco antes das 11h, quando o celular dos mercados vibrou com uma notificação do Twitter: Donald Trump estava escrevendo. E, desta vez, as manifestações do presidente americano trouxeram um alívio generalizado às negociações.

"Um grande dia de negociações com a China. Eles querem fazer um acordo, mas eu quero?", escreveu o Trump. "Eu irei me encontrar com o vice-primeiro-ministro amanhã, na Casa Branca".

O vice-primeiro ministro da China, no caso, é Liu He, o chefe da delegação do país asiático que está conduzindo as negociações comerciais com os americanos. Assim, Trump confirmou oficialmente que irá dialogar com a autoridade chinesa nesta sexta-feira, afastando os rumores quanto ao término antecipado das conversas entre as partes.

Essa sinalização provocou uma melhora imediata de humor nos mercados globais: no Brasil, o Ibovespa ganhou força e chegou a subir 1,22%, aos 102.482,98 pontos, terminando a sessão em alta de 0,56%, aos 101.817,13 pontos. Com isso, o índice praticamente zerou as perdas acumuladas nos dois primeiros pregões dessa semana.

O Ibovespa, assim, ficou em linha com as bolsas americanas: o Dow Jones (+0,57%), o S&P 500 (+0,64%) e o Nasdaq (+0,60%) fecharam em alta, após um início hesitante. Na Europa, as principais praças acionárias também terminaram o dia com ganhos firmes.

Como já foi dito, o mercado tem se mostrado bastante sensível ao noticiário referente à guerra comercial, e qualquer nova informação — oficial ou extra-oficial — tem capacidade para mexer com o rumo das negociações no mundo. E o tuíte de Trump fez exatamente isso, ao provocar uma mudança de humor nos investidores.

"Com essa confirmação do encontro, cresce a expectativa em relação ao fechamento de algum tipo de acordo", diz um analista. Ele pondera, no entanto, que esse alívio é pontual, uma vez que, até que o desfecho oficial seja conhecido, a tendência é a de que os mercados globais continuem apresentando um comportamento volátil.

E essa percepção de que a guerra comercial ainda está longe de uma conclusão fez com que o Ibovespa e as bolsas americanas perdessem parte da intensidade ao longo do dia, embora ainda tenham fechado em alta. Resta, agora, saber como será o desenrolar da conversa entre Trump e He, amanhã.

Incertezas no horizonte

No front doméstico, os agentes financeiros continuaram reagindo bem ao acordo fechado no Congresso para a distribuição dos recursos do megaleilão do pré-sal. No entanto, sem maiores novidades no cenário local, o mercado acabou ficando a mercê do noticiário externo — e, por mais que o tom lá fora tenha sido de otimismo hoje, ainda é preciso ter cuidado.

O analista lembra que o panorama internacional segue com diversos fatores de tensão, incluindo a própria guerra comercial entre Estados Unidos e China, o processo tumultuado de saída do Reino Unido da União Europeia e os riscos de desaceleração da economia global.

Tais pontos acabaram limitando o potencial de alta do Ibovespa e trouxeram pressão ao dólar à vista. A moeda americana acabou sendo usada como ativo de proteção, especialmente num cenário de Selic cada vez mais baixa no Brasil — o que diminui o diferencial de juros em relação aos EUA, reduzindo o apelo para a entrada de dólares no país.

Novo alívio nos DIs

No mercado de juros, o tom continuou sendo de baixa nesta quinta-feira, dando continuidade ao movimento visto nos últimos dias: os DIs para janeiro de 2021 caíram de 4,71% para 4,65%, os com vencimento em janeiro de 2023 recuaram de 5,83% para 5,75%, e os para janeiro de 2025 foram de 6,48% para 6,44%.

Essa onda de ajustes negativos nos DIs se deve à percepção de que o BC ainda possui bastante espaço para continuar cortando a Selic, levando-a a novos pisos históricos — e a deflação registrada em setembro apenas fortaleceu essa leitura.

Otimismo chinês

Com a expectativa quanto ao fechamento de algum acerto entre EUA e China — o que diminuiria as tensões no front comercial e poderia dar um ânimo às economias dos dois países e do mundo —, as ações de empresas que dependem diretamente do mercado chinês apareceram entre os destaques positivos do Ibovespa.

É o caso da mineradora Vale, cujas ações ON (VALE3) subiram 3,44%, e das siderúrgicas CSN ON (CSNA3), em alta de 5,31%; Gerdau PN (GGBR4), com ganho de 3,67%; e Usiminas PNA (USIM5), avançando 2,33%. Também contribuiu para o bom desempenho desses papéis a valorização de 2,88% na cotação do minério de ferro.

Ainda dentro desse grupo, destaque para as ações ON da Suzano (SUZB3), que avançaram 5,34% nesta quinta-feira — a China é um importante mercado consumidor de celulose.

Surpresa positiva

A ação de melhor desempenho do Ibovespa, contudo, foi Yduqs ON (YDUQ3), que subiu 6,74%. A antiga Estácio surpreendeu o mercado ao reportar uma captação de 132.353 novos alunos no primeiro semestre desse ano, um crescimento de 45% em relação ao mesmo período de 2018, com expansão no total de novos estudantes nos segmentos de EAD e presencial.

Dia de estreia

Fora do Ibovespa, destaque para as ações ON da Vivara (VIVA3), que começaram a ser negociadas hoje na bolsa. Os papéis chegaram a subir 3,5% logo após a abertura, mas fecharam em alta de apenas 0,46% a R$ 24,11 — o IPO foi fechado ao preço unitário de R$ 24,00.

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