Menu
Dados da Bolsa por TradingView
2019-10-14T14:34:12-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.
(Mais uma) marca histórica

Dia de recordes: otimismo com a Previdência faz Ibovespa subir aos 105 mil pontos

O Ibovespa fechou em alta de mais de 1%, mostrando otimismo quanto à votação da reforma da Previdência. No exterior, as bolsas americanas também subiram — o Nasdaq renovou a máxima de encerramento

10 de julho de 2019
10:33 - atualizado às 14:34
Capa do "Guiness Book", o livro dos recordes
Ibovespa chegou a tocar os 106 mil pontos na máxima; o dólar à vista teve queda firme - Imagem: Shutterstock

Mais uma sessão, mais um recorde: eis a rotina do Ibovespa durante quase todo o mês de julho — e esta quarta-feira (10) não foi diferente, com os agentes financeiros mostrando bastante confiança em relação à votação da reforma da Previdência na Câmara.

Os olhos dos mercados estiveram voltados para Brasília desde o início do dia, acompanhando atentamente as movimentações dos principais agentes políticos quanto às novas regras para a aposentadoria. E embora a votação do texto não tivesse começado até o encerramento das negociações, às 17h, o clima foi de amplo otimismo na bolsa.

Como resultado, o Ibovespa terminou o pregão em alta de 1,23%, aos 105.817,06 pontos, atingindo um novo recorde de fechamento — é a quinta sessão consecutiva em que atinge novas marcas históricas. No melhor momento do dia, o índice foi além e bateu os 106.650,12 pontos (+2,03%), chegando pela primeira vez ao patamar dos 106 mil pontos.

O Ibovespa, contudo, não foi o único índice acionário a conquistar marcas inéditas nesta quarta-feira. nos Estados Unidos, o Nasdaq fechou em alta de 0,75%, aos 8.202,53 pontos, e também renovou as máximas de fechamento — o S&P 500 (+0,45%) e o Dow Jones (+0,29%) subiram, mas sem tocar novos recordes de encerramento.

O dia também foi marcado por um forte alívio no mercado de câmbio. Por aqui, o dólar à vista terminou a sessão e queda de 0,77%, a R$ 3,7568 — é o menor nível para a moeda americana desde o fim de fevereiro.

É hoje?

Por aqui, o noticiário referente à Previdência dominou as atenções do mercado. A Câmara, afinal, encerrou a fase de discussão da reforma nesta madrugada, abrindo espaço para que o plenário começasse já hoje a votação do texto-base da proposta, em primeiro turno.

E, com base nas sinalizações emitidas pelo governo ao longo dos últimos dias e no alinhamento no discurso dos principais agentes políticos, os agentes financeiros assumiram uma postura de otimismo desde os primeiros minutos do pregão, apostando firmemente na aprovação da pauta.

Caso a Previdência tenha uma margem relevante de apoio nessa primeira etapa, o presidente da Casa, Rodrigo Maia, já sinalizou que deve haver uma votação para a quebra de interstício. Ou seja: os deputados poderão derrubar a exigência de um intervalo de cinco sessões do plenário entre o primeiro e o segundo turno dos pleitos no plenário.

"Aí teríamos a tramitação da reforma dentro do cronograma mais aguardado, o que daria mais tração e fôlego ao texto", diz Rafael Passos, analista da Guide Investimentos, dizendo esperar que a primeira etapa da votação seja concluída já hoje.

Essa possibilidade traz ampla animação aos mercados já que, nesse cenário, o texto-base da Previdência seria definitivamente aprovado pelo plenário da Câmara antes do recesso do Congresso, com início no dia 18 — assim, na retomada dos trabalhos parlamentares, em agosto, a proposta já estaria pronta para ser debatido pelo Senado.

E o próprio Maia tem assumido uma postura que dá ânimo aos mercados. Nesta manhã, o presidente da Câmara disse estar "muito otimista" em relação à aprovação da reforma da Previdência na Casa.

Até onde vai?

Em relatório de análise gráfica, o Itaú BBA afirma que o Ibovespa possuía resistência ao redor dos 105 mil pontos — faixa rompida nesta quarta-feira. Vencido esse patamar, o banco afirma que o índice possui espaço para continuar subindo até os 120 mil pontos.

Do lado de baixa, o Itaú BBA identifica um suporte inicial perto dos 102.600 pontos e, caso esse nível seja perdido, o Ibovespa poderá cair e direção aos 101.700 pontos e, posteriormente, aos 100 mil pontos.

Já a corretora Bradesco corretora vê tendências menos intensas, enxergando os 107 mil pontos como objetivo inicial para o índice. Uma vez atingida essa pontuação, a corretora afirma que um movimento de realização de lucros pode ser desencadeado — e um primeiro apoio para o Ibovespa estaria ao redor dos 102.500 pontos.

Recordes e mais recordes

Lá fora, o dia também foi marcado por amplo otimismo. O S&P 500 e o Dow Jones, embora não tenham acompanhado o Nasdaq e renovado as máximas de fechamento, atingiram novos recordes em termos intradiários.

No melhor momento da sessão, o Dow Jones chegou a subir 0,75%, aos 26.983,16 pontos, enquanto o S&P 500 tocou os 3.002,98 pontos (+0,78%) — é a primeira vez na história que o índice superou os 3 mil pontos.

Sinalizações do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, foram decisivas para trazerem essa onda de otimismo às bolsas americanas. O dirigente do banco central dos EUA prestou contas ao Congresso do país nesta tarde, mas adiantou sua fala inicial ainda durante a manhã — e o mercado gostou do que viu.

Powell afirmou que, desde a reunião de junho, as incertezas provenientes da guerra comercial continuam a pesar sobre o cenário econômico americano — e o menor crescimento econômico mundial também traz instabilidade ao panorama traçado pela instituição.

Os mercados entenderam a fala do presidente do Fed como um indicativo de que um corte de juros pelo BC americano está cada vez mais próximo, o que dá força às bolsas globais e aos ativos de risco.

"De forma geral, os BCs têm sido bem suaves, tanto na Europa quanto nos EUA", diz Passos. "Isso é positivo para o mercado de ações e para os emergentes, e o Brasil está muito bem posicionado para captar esse movimento".

Além do impacto sobre as bolsas, as declarações de Powell também mexeram de maneira intensa com o mercado global de câmbio. Lá fora, o dólar perdeu força de maneira generalizada, tanto em relação às principais divisas do mundo quanto às moedas de países emergentes e dependentes das commodities.

Nesse segundo grupo, estão inclusos o peso mexicano, o rublo russo, o peso colombiano, o rand sul-africano, o peso chileno e o dólar neozelandês — o real, assim, também aproveitou-se do contexto externo para continuar recuperando terreno ante o dólar.

Juros seguem em queda

Em meio a todo esse panorama, as curvas de juros fecharam em baixa, tanto na ponta curta quanto na longa. Os DIs para janeiro de 2021, por exemplo, caíram de 5,62% para 5,59%; no vértice mais extenso, as curvas com vencimento em janeiro de 2023 recuaram de 6,40% para 6,31%, e as para janeiro de 2025 foram de 6,94% para 6,86%.

Também contribui para o ajuste negativo nos juros o resultado da inflação medida pelo IPCA em junho. O índice teve alta de 0,01% no mês passado, o menor percentual desde novembro de 2018, quando recuou 0,21%.

O resultado dá forças às leituras de que as pressões inflacionárias no Brasil estão sob controle, o que abre espaço para que o Banco Central (BC) corte a taxa Selic, de modo a estimular a economia local.

Varejistas na dianteira

Esse cenário de juros em queda e otimismo em relação à tramitação da reforma deu forças às ações do setor de varejo. B2W ON (BTOW3) avançou 7,51% e liderou os ganhos do Ibovespa; nesse segmento, destaque também para Lojas Americanas PN (LAME4), com alta de 4,13%.

Ainda no setor de varejo, Magazine Luiza ON (MGLU3) e Lojas Renner ON (LREN3) avançaram 1,79% e 1,60%, respectivamente.

Petróleo e minério fortes

Outro fator que cooperou para o bom desempenho das bolsas globais foi a alta expressiva do petróleo: o Brent subiu 4,42% e o WTI avançou 4,50%, em meio à queda dos estoques da commodity nos Estados Unidos, o que aumenta a percepção de que a demanda tende a aumentar no curto prazo.

Com o petróleo no campo positivo, as ações da Petrobras mantiveram-se no azul desde o início do dia: os papéis PN (PETR4) tiveram ganho de 1,45%, enquanto as ONs (PETR3) valorizara 0,36%.

Ainda no campo das commodities, o minério de ferro recuou 0,5% hoje no porto chinês de Qingdao. No entanto, o minério havia subido 3% na segunda e 2,7% na terça — ontem, os mercados brasileiros estiveram fechados. Nesse contexto, as ações ON da Vale (VALE3) fecharam em alta firme de 2,32%, contribuindo de maneira decisiva para os ganhos do Ibovespa como um todo.

Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

de olho na inovação

Amazon sinaliza interesse por criptomoedas em anúncio de emprego

Empresa procura “um líder de produto experiente para desenvolver a estratégia e o roadmap de produtos e moedas digitais

balanço em foco

Lucro da Hypera Pharma aumenta 18% no segundo trimestre

Cifra chegou a R$ 470,6 milhões no período; companhia obteve alta de 43,5% na receita líquida, a R$ 1,5 bilhão

seu dinheiro na sua noite

Quebrando recordes na corrida dos ETFs

A pira foi acesa em Tóquio: os Jogos Olímpicos estão oficialmente abertos — e eu estou empolgadíssimo. Não sei vocês, mas eu adoro as Olimpíadas, principalmente os esportes não muito convencionais. Claro, é legal assistir futebol, vôlei e basquete, mas eu gosto mesmo é de ver as modalidades que nunca passam na TV. Duelo de […]

FECHAMENTO DA SEMANA

Inflação salgada pressiona juros, mas dados americanos amenizam alta do dólar — já a bolsa não escapou da queda

Em semana recheada de ruídos políticos e incertezas, o Ibovespa acumulou uma queda de 0,72%. Já o dólar à vista subiu 1,86%, a R$ 5,2105

de olho no ir

Alta da arrecadação não dá ‘total liberdade’ para reduzir impostos, diz secretário do Tesouro

Jeferson Bittencourt considerou também que a reforma do IR ainda está em aberto, com muito para se discutir

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies