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A preocupação quanto às implicações da soltura do ex-presidente Lula fez com que o Ibovespa voltasse ao nível dos 107 mil pontos; o dólar à vista teve nova alta e chegou a R$ 4,16
Depois de renovar o recorde de fechamento na sessão passada e encerrar um pregão acima dos 109 mil pontos pela primeira vez na história, o Ibovespa opera em queda firme nesta sexta-feira (8), reagindo de maneira cautelosa aos desdobramentos no cenário político doméstico e ao noticiário referente à guerra comercial.
O índice passou boa parte do dia exibindo baixas de cerca de 1%. Mas, a partir de 16h30 — horário em que a Justiça Federal em Curitiba determinou a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva —, o Ibovespa perdeu ainda mais força, chegando a cair 2,24% no pior momento do dia, aos 107.126,65 pontos.
E, já na reta final do pregão, o petista deixou a prisão, fazendo um discurso aos apoiadores que se encontravam nos arredores da carceragem da Polícia Federal em Curitiba. O Ibovespa, contudo, não aprofundou as perdas: ao fim da sessão, o índice marcava 107.628,98 pontos, uma queda de 1,78% — na semana, acumulou baixa de 0,52%.
Fenômeno semelhante foi visto no mercado de câmbio: a pressão sobre o dólar à vista também aumentou a partir das 16h30, fazendo com que a moeda americana encerrasse a sessão em alta de 1,80%, a R$ 4,1666. Com isso, a divisa acumulou ganhos de 4,30% na semana.
O viés mais defensivo visto por aqui teve relação com a decisão, emitida na noite de ontem pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que derrubou a possibilidade de prisão em segunda instância. O parecer abriu caminho para a soltura do ex-presidente Lula — o que se concretizou no fim da tarde.
Os mercados reagiram com cautela à decisão porque, com a soltura de Lula, há a percepção de que uma nova onda de tensões sociais e polarização política poderá tomar conta do país, opondo os apoiadores do ex-presidente e os defensores da gestão Bolsonaro.
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E essa nova escalada na polarização política viria num momento em que a América Latina como um todo é atingida por uma onda de protestos políticos e tensões sociais de diversas ordens. Assim, nesse contexto mais turbulento no continente, os ativos de países latinoamericanos tendem a ser vistos como mais arriscados pelos investidores globais.
"Um dos principais pontos que segura os investimentos lá de fora é a insegurança jurídica, há muita indefinição nesse sentido por aqui", diz Victor Beyruti, economista ad Guide Investimentos, avaliando que a decisão do STF acaba gerando ruídos nesse front.
Essa leitura provocou um aumento na aversão ao risco em relação aos investimentos no Brasil e na região como um todo, o que pressionou o Ibovespa e o mercado de câmbio, levando o dólar de volta a níveis acima de R$ 4,15 — vale lembrar que, no início da semana, a divisa era cotada perto dos R$ 4,00.
Os ativos locais também foram afetados pelo clima mais prudente visto nos mercados estrangeiros nesta sexta-feira. Após uma onda de otimismo em relação ao acordo comercial entre EUA e China, com relatos de que ambas as partes estariam dispostas a remover as tarifas protecionistas, os agentes financeiros mostraram-se mais hesitantes quanto ao sucesso dessa empreitada.
Desde a tarde de ontem, relatos de que esse plano de retirada das sobretaxas de importação estaria enfrentando forte resistência na Casa Branca trouxeram preocupação aos investidores. Como resultado, o Dow Jones (+0,02%), o S&P 500 (+0,26%) e o Nasdaq (+0,48%) ficaram perto do zero a zero, com um leve viés positivo.
Esse contexto de maior preocupação quanto aos rumos das conversas entre EUA e China provocou uma onda de aversão ao risco no mercado de câmbio, fazendo com que as moedas de países emergentes, como o peso mexicano, o rublo russo, o peso chileno e o rand sul-africano se desvalorizassem em relação ao dólar.
Tal comportamento acabou influenciando o câmbio no Brasil, trazendo pressão ao real. No entanto, vale destacar que a divisa brasileira teve um desempenho muito pior que o de seus pares internacionais — e muito disso se deve à preocupação local em relação ao STF.
Assim como o dólar à vista, as curvas de juros terminaram em alta, mas esses movimentos de correção positiva não foram tão intensos quanto os vistos no mercado de câmbio. Vale ressaltar, ainda, que como o mercado de juros fecha às 16h30, a notícia da soltura de Lula não afetou esses ativos.
Na ponta curta, os DIs com vencimento em janeiro de 2021 subiram de 4,53% para 4,55%; no vértice mais extenso, as curvas para janeiro de 2023 avançaram de 5,62% para 5,66%, enquanto as para janeiro de 2025 foram de 6,21% para 6,25%.
A maior parte dos papéis do Ibovespa apareceu na ponta negativa nesta sexta-feira. Entre os destaques de baixa, CVC ON (CVCB3) despencou 14,15%, após divulgar um resultado trimestral que foi mal recebido pelos analistas. Você pode ver um resumo dos últimos balanços nesta matéria especial.
Entre as blue chips — os papéis de maior liquidez e grande peso individual na composição do índice —, o setor bancário recuou em bloco: Itaú Unibanco PN (ITUB4) teve baixa de 1,49%, Bradesco PN (BBDC4) caiu 2,89%, Banco do Brasil ON (BBAS3) operou em queda de 1,41% e as units do Santander Brasil (SANB11) desvalorizaram 2,47%.
Entre as poucas altas do dia, destaque para BR Distribuidora ON (BRDT3), com ganho de 1,71%; Cielo ON (CIEL3), avançando 1,44%; e Braskem PNA (BRKM5), com valorização de 1,73%.
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O principal índice de ações da B3 encerrou o dia em alta de 2,01%, a 192.201,16 pontos. O dólar à vista terminou as negociações a R$ 5,1029, com queda de 1,01%, enquanto os futuros do petróleo tiveram as maiores quedas percentuais desde a pandemia
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