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Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

Papéis subiram mais de 7%

‘Estácio a distância’ empolga o Itaú BBA — e as ações da educacional vão às alturas

O Itaú BBA elevou sua recomendação e preço-alvo para as ações da Estácio, mostrando otimismo com a estratégia da empresa para o segmento de ensino a distância. E, como resultado, as ações lideraram os ganhos do Ibovespa nesta sexta-feira (7)

Victor Aguiar
Victor Aguiar
7 de junho de 2019
14:31 - atualizado às 11:03
fachada de faculdade da Estácio
Itaú BBA está otimista com a Estácio - Imagem: Liz Guimarães/Estadão Conteúdo

Num passado não tão distante, o setor de educação era um dos queridinhos da bolsa brasileira. O futuro parecia promissor: os incentivos governamentais ao ensino superior e a demanda cada vez maior por cursos universitários colocavam empresas como Estácio, Kroton e Ser Educacional entre as joias da coroa do mercado acionário.

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Mas esse cenário desbotou de uns tempos para cá. Os cortes no Fies funcionaram como um balde de água fria, já que o programa de financiamento estudantil era peça fundamental na engrenagem dessas companhias. E, com a máquina emperrada, o mercado colocou o setor de escanteio.

Restou às empresas educacionais apostarem em outros modelos de negócio, com destaque para o ensino a distância (EAD). Essa modalidade tem crescido de maneira exponencial e trazido ânimo novo ao setor — e uma empresa parece estar bem posicionada para captar a demanda por cursos dessa natureza: a Estácio.

Ao menos, é o que pondera o Itaú BBA. Em relatório, os analistas Susana Salaru e Vitor Tomita mostram-se bastante otimistas quanto ao potencial de crescimento do EAD da Estácio. E, como resultado, elevaram a recomendação para as ações da empresa, passando de "neutro" para "outperform" (acima da média do mercado).

A nova modelagem do Itaú BBA ainda passa por uma elevação do preço-alvo para os papéis da empresa. Agora, o banco prevê que as ações da Estácio encerrarão o ano na faixa de R$ 40,00.

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Como resultado, os ativos ON da companhia (ESTC3) operaram em forte alta nesta sexta-feira e lideraram a ponta positiva do Ibovespa, fechando o pregão com valorização de 7,44%, a R$ 29,45. Ou seja: mesmo com os ganhos de hoje, o Itaú ainda vê espaço para uma valorização adicional de 35,8% até o fim do ano.

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Estácio a distância

É preciso destacar, antes de tudo, as características do mercado brasileiro de educação. O acesso ao ensino superior ainda é baixo, mas os preços cobrados por um curso universitário presencial são impeditivos para uma grande parte da população — criando um gargalo de resolução complicada.

Nesse cenário, o Itaú BBA pondera que os programas de ensino a distância se tornaram um fator importante para as companhias do setor de educação, já que conseguem atender parte da demanda por ensino a preços acessíveis.

E é nesse ponto que os analistas elogiam a Estácio e a estratégia adotada pela companhia. "Para participar de maneira completa no mercado de educação superior, a Estácio está expandindo rapidamente sua unidade de EAD", ressalta o Itaú BBA. "Esse crescimento no segmento de ensino a distância está encaminhado para se tornar um fator-chave para as receitas da empresa".

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O banco ainda ressalta que a flexibilidade financeira da Estácio permite que a empresa desenvolva um portfólio cada vez mais diverso de cursos de EAD. Essa característica, somada à escala da companhia, faz com que o Itaú BBA classifique a empresa como uma das vencedoras no processo de expansão do mercado de ensino a distância — e sem perder a rentabilidade.

Foco no EAD

Os resultados da Estácio no primeiro trimestre vão em linha com as ponderações feitas pelo Itaú BBA. Entre janeiro e abril deste ano, a captação total da empresa chegou a 187,1 mil alunos, um crescimento de 12,8% ante o mesmo período do ano passado.

Desse montante, 98 mil estudantes foram matriculados no segmento EAD — um avanço de 28,6% na mesma base de comparação —, enquanto os outros 89,1 mil alunos foram captados em cursos de graduação presencial — uma queda de 0,5%.

A Estácio encerrou o primeiro trimestre deste ano com 561,3 mil alunos em sua base, uma alta de 2,8% na comparação anual. Novamente, o EAD sustentou esse crescimento: no ensino a distância, a base aumentou 19,9%, para 239,2 mil estudantes; na modalidade presencial, houve queda de 7%, para 322,1 mil alunos.

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O ticket médio mensal do ensino presencial no primeiro trimestre foi de R$ 819,9, valor 3,8% maior que o registrado nos primeiros três meses de 2018. No EAD, esse valor é bem mais baixo: R$ 278, cifra 4% superior à registrada no primeiro trimestre do ano passado.

Em termos de indicadores financeiros, a Estácio terminou o período entre janeiro e março deste ano com lucro líquido de R$ 246,7 milhões, um crescimento de 25% ante o mesmo intervalo de 2018. O Ebitda — isto é, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização — caiu 0,2%, para R$ 329,6 milhões, e a receita líquida caiu 0,3%, para R$ 932,6 milhões.

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