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Natalia Gómez
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OLHO NAS AÇÕES

Qual das siderúrgicas é ‘chapa quente’? CSN brilhou no 2º trimestre, mas queridinha dos analistas é a Usiminas

Enquanto os analistas avaliam que o papel da CSN já andou bastante neste ano, a Usiminas ainda tem espaço para apresentar altas significativas, principalmente quando as vendas de aço se recuperarem no mercado interno, o que é esperado para o quarto trimestre deste ano.

8 de agosto de 2019
11:08 - atualizado às 14:26
Trabalhador operando um alto-forno da Usiminas
Trabalhador operando um alto-forno da Usiminas - Imagem: Shutterstock

O balanço da CSN foi, de longe, o que mais brilhou nesta temporada de resultados do segundo trimestre no setor de siderurgia e mineração, com uma alta de 60% no lucro líquido, que somou R$ 1,894 bilhão. Com o preço do minério de ferro nas alturas, a companhia se beneficiou da sua forte produção da commodity (que é matéria-prima do aço) e surfou na onda que foi, em grande parte, provocada pelo acidente da Vale em Brumadinho. Daqui para frente, no entanto, os holofotes estão voltados para outra gigante do setor de aço: a Usiminas.

Impulsionada pela operação de mineração, a CSN já teve grande parte deste movimento refletido no preço das suas ações, segundo os analistas que acompanham o setor. Neste ano, as ações ordinárias da siderúrgica de Benjamin Steinbruch chegaram a dobrar de valor, saindo dos R$ 9 em janeiro para mais de R$ 18 em junho, e agora giram perto de R$ 15.

O processo de desalavancagem da companhia, que tenta reduzir seu índice de endividamento, também foi bem recebido e ajudou a levantar os preços das ações. A relação entre dívida líquida e Ebitda saiu de 5,3 vezes no segundo trimestre de 2018 para 3,65 vezes no mesmo trimestre deste ano.

Enquanto os analistas avaliam que o papel da CSN já andou bastante neste ano, a Usiminas ainda tem espaço para apresentar altas significativas, principalmente quando as vendas de aço se recuperarem no mercado interno, o que é esperado para o quarto trimestre deste ano.

Como a operação de minério de ferro da Usiminas é muito menor do que a da CSN, as ações da empresa caíram ao longo deste ano, refletindo o fraco consumo interno de aço. As ações preferenciais da Usiminas acumulam uma queda de cerca de 15% neste ano.

No resultado do segundo trimestre, o volume de vendas de aço ainda foi fraco, e isso tem pesado sobre a Usiminas, que é mais exposta à demanda interna, segundo Rafael Passos, analista da Guide Investimentos. “A Usiminas está à mercê da recuperação no Brasil, o que deve ocorrer a partir do quarto trimestre”, afirmou. No segundo trimestre, a Usiminas teve lucro líquido de R$ 171 milhões, revertendo prejuízo de R$ 19 milhões registrado um ano antes.

Usiminas, a bola da vez

Diante da chance de uma retomada nas vendas de aço, os analistas estão de olho no potencial de alta da Usiminas nos próximos meses.  Segundo o analista Luiz Caetano, da Planner Corretora, o papel da Usiminas é o seu favorito no setor, com preço justo de R$ 12 para o final do ano e recomendação de compra.

"Existe um excelente potencial de alta em Usiminas devido à expectativa de um segundo semestre melhor para vendas de aço no mercado interno e por ganhos de margem devido à contenção de custos.”

Outra casa que vê potencial de ganhos para a Usiminas é a Mirae Asset, que tem Usiminas e Gerdau como papéis preferidos do setor de siderurgia e mineração, uma vez que a CSN já se apreciou bastante nos últimos meses. Segundo o analista Pedro Galdi, a demanda por aço deve crescer a partir de 2020, e o mercado vai antecipar este movimento no preço das ações da Usiminas ainda este ano.

A Ativa Investimentos tem recomendação de compra para Usiminas, por avaliar que o preço da ação está atrativo, mas destaca que o avanço da ação vai depender da retomada da indústria nacional. “Em um cenário otimista, podemos pensar em uma retomada da demanda de aço no quarto trimestre”, afirmou o analista Ilan Arbetman. Para ele, a ação da Usiminas está “andando de lado” há bastante tempo, e a empresa é a que mais deve se beneficiar do aumento da demanda nacional.

Entre as siderúrgicas, a Gerdau foi que teve um resultado mais fraco no segundo trimestre, mostrando queda nas vendas, na receita, na margem e no lucro, que foi de R$ 373 milhões, queda de 46,6% ante o mesmo trimestre do ano passado. “Apenas a expressiva diminuição nos custos financeiros evitou que os números fossem ainda piores”, comentou o analista da Planner.

Segundo a Gerdau, os volumes caíram devido aos desinvestimentos realizados no exterior, que incluíram a venda de ativos no Chile, na Índia e nos Estados Unidos. Os números decepcionaram o mercado, influenciados tanto pelos desinvestimentos quanto pela fraqueza da economia doméstica, e o futuro ainda é incerto. “Ainda vemos um cenário desafiador para Gerdau em função da crise no mercado argentino impactando as exportações de veículos e uma possível desaceleração dos EUA em função do aumento das tensões comerciais com a China”, afirmou o analista da Guide.

Minério não cai nem sobe

Enquanto a alta do minério levou a CSN às alturas, a Vale não teve o mesmo desempenho pois a sua produção foi muito prejudicada pelo acidente de Brumadinho. Além dos volumes menores do que o seu potencial, a Vale foi impactada pelas novas provisões para o acidente, que somaram R$ 5,3 bilhões somente no segundo trimestre. No total, as provisões e despesas com a tragédia chegam a R$ 23,2 bilhões.

Os especialistas acreditam que o minério não tem espaço para subir mais, mas também duvidam que ele possa cair tão cedo. Segundo as analistas, o desajuste entre oferta e demanda deve manter a commodity na faixa de US$ 100 por tonelada nos próximos meses. “Mesmo com a guerra comercial entre Estados Unidos e China, não há espaço para grandes quedas no preço do minério”, afirma Galdi, da Mirae.

Para Luiz Caetano, da Planner, tanto a Vale quanto a CSN poderão aproveitar preços mais altos do minério de ferro por pelo menos mais dois trimestres. Antes do acidente, a commodity era cotada na casa dos US$ 60 por tonelada, mas o analista não vê o preço voltando para este patamar no curto prazo. “Não acredito em uma queda abrupta dos preços porque existe uma conjugação entre o aumento da produção chinesa de aço e a carência de oferta por causa dos problemas enfrentados pela Vale”, afirmou.

A expectativa dos analistas é de que a Vale consiga retomar gradualmente a produção de minério de ferro e pelotas a partir do terceiro trimestre, começando uma trajetória ascendente depois da crise vivida desde Brumadinho. “Esperamos que o segundo trimestre tenha sido o ponto mais baixo de Vale”, disse Caetano.

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