Menu
Dados da Bolsa por TradingView
2019-11-28T12:15:47-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Câmbio

Será que o mercado não quer mais o ‘casadão’ no dólar?

Oferta à vista de US$ 1 bilhão foi colocada integralmente, já venda casada com retirada de swaps não teve aceitação

28 de novembro de 2019
12:15
Real e Dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

O Banco Central (BC) fez nova oferta de dólar no mercado à vista na manhã desta quinta-feira. O lote de até US$ 1 bilhão foi colocado integralmente. O que difere essa atuação das feitas na terça e quarta-feira é que ela foi anunciada previamente.

Mas o que chama atenção e pode ser uma sinalização de mudança de atuação do BC no mercado é que a oferta de dólar à vista casada com a retirada de swaps cambiais, conhecida também como “casadão”, não teve aceitação. Assim, não ocorreu a troca de derivativos (swaps) por dólar à vista e o BC acabou rolando os US$ 785 milhões em contratos de swap que vencem em janeiro.

A dúvida é se o mercado está demandando apenas dólar à vista, preferindo manter a exposição que tem em swaps cambiais. De forma bem simplificada, a demanda à vista atende a necessidade de mandar dólares para pagar compromissos ou remeter para fora do país. O swap é encarado como um instrumento de proteção, de “hedge”. O agente não tem necessidade do dólar físico, mas quer se proteger contra eventual variação do preço da moeda. (Quer entender cada instrumento? Veja esse texto).

Essa discussão parece distante do nosso bolso, mas alterações na forma de atuação podem ter consequência direta sobre a formação de preço do dólar, aliviando ou ampliando a pressão compradora que vimos nos últimos dias - veja nossa cobertura de mercados.

Opções do BC

Em evento, ontem, o diretor de Política Monetária do BC, Bruno Serra Fernandes, disse que o objetivo do BC com as operações de troca de swaps por dólar à vista não era zerar a carteira de swaps, mas sim prover liquidez naquilo que for mais adequado pelo mercado no momento. “Faremos isso até o ponto em que o mercado der sinais de que não precisa mais”, disse o diretor.

Será que o resultado das operações de hoje são um desses sinais? Uma resposta aos questionamentos aqui levantados pode vir ainda hoje ou mesmo amanhã, com o BC decidindo como fará a rolagem dos swaps cambiais que vencem em fevereiro e somam US$ 7,457 bilhões.

O BC tem opções. Pode simplesmente fazer a rolagem tradicional, que é trocar o vencimento de fevereiro por outro mês, se mantendo neutro. Pode seguir com o modelo de troca de swaps por dólar à vista, que começou a ser feito no fim de agosto. E pode, também, não fazer nada e deixar os swaps vencerem, algo que teria um efeito de compra no mercado futuro. Pode ainda, comunicar que fará a rolagem de fevereiro apenas em janeiro, já que está adianto no cronograma.

A mudança de atuação no câmbio feita em agosto foi para atender à maior demanda do mercado por dólares à vista. Temos uma mudança estrutural no nosso mercado, reflexo, basicamente da queda de taxa de juros, que gerou dois efeitos. Fim das operações de arbitragem (captar dinheiro a zero no mundo e ganhar nosso juro) e troca de dívida externa por interna feita pelas empresas.

Agora, podemos estar observando nova demanda só por dólar à vista. Pode ser algo apenas sazonal, em função do aumento na demanda por moeda para remessas de lucros de dividendos. Aqui, o BC também tem a opção de ofertar linhas com compromisso de recompra, como se fosse um empréstimo das reservas.

Apesar dos ruídos que as intervenções causam, elas são parte do trabalho natural do BC de zelar pelo bom funcionamento do mercado. Por isso que o BC sempre enfatiza que o câmbio é flutuante, mas que pode atuar sempre que entender que o mercado está disfuncional, descolado dos fundamentos ou com problemas de liquidez.

Comentários
Leia também
DINHEIRO QUE PINGA NA SUA CONTA

Uma renda fixa pra chamar de sua

Dá para ter acesso a produtos melhores do que encontro no meu banco? (Spoiler: sim).

NOTA DE PESAR

Quem foi Armando Klabin, responsável por conduzir companhia ao ramo de embalagens

Presidente do conselho de administração da Klabin faleceu ontem, no Rio de Janeiro, aos 89 anos

Coluna do jojo

Bolsa hoje: as idas e vindas da taxa de juros

Confira os principais destaques que movimentam os mercados no Brasil e no exterior

Tendências da bolsa

AGORA: Ibovespa futuro abre em alta após ‘Super Quarta’ e dólar recua; saiba o que movimenta a bolsa hoje

A ‘Super Quarta’ trouxe um novo capítulo para o tapering e movimentar os negócios, mas os juros no Brasil devem ter impacto limitado no pregão de hoje

O melhor do seu dinheiro

A prova de fogo dos investimentos em renda fixa, Bolsas depois da ‘Super Quarta’ e outros destaques que mexem com seu dinheiro

Antes de pensar em ficar rico com investimentos, é preciso pensar no dia de amanhã. Então é fundamental reservar uma parcela do seu patrimônio para constituir uma reserva de emergência. Trata-se daquele dinheiro que você pode resgatar a qualquer momento para um caso de necessidade. Por isso mesmo, deve ficar em aplicações conservadoras e com […]

Efeitos da pandemia

Câmara aprova isenção de Imposto de Renda para pessoas com sequelas pela covid-19

Caso o projeto seja sancionado, caberá ao Ministério da Saúde estabelecer os critérios de caracterização, bem como as condições para a manutenção dos benefícios

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies