Menu
2019-12-04T16:06:22-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
câmbio

Mais de US$ 27 bilhões saíram do país em 2019, maior fuga desde 1982

Dados do Banco Central mostram fluxo cambial negativo em US$ 40 bilhões em 12 meses até novembro. Dezembro tende a marcar novas saídas

4 de dezembro de 2019
17:06 - atualizado às 16:06
Dólar subindo
Imagem: Shutterstock

Novembro terminou com uma saída líquida de dólares do país de US$ 5,7 bilhões, elevando o saldo negativo do ano no fluxo cambial para cima dos US$ 27 bilhões (US$ 27,156 bilhões). Assim, 2019 caminha para marcar a maior fuga de dólares desde 1982, como já tínhamos alertado em outubro.

A tendência é de novas saídas agora em dezembro, pois historicamente empresas e fundos fecham balanços e elevam as remessas de lucros e dividendos para fora do país. Para dar um parâmetro, todos os meses de dezembro, desde 2010, têm fluxo negativo. No ano passado, apenas o último mês do ano teve saída de US$ 12,7 bilhões.

O que poderemos ter é uma repetição do visto em novembro, que foi uma redução no ritmo de saídas. Em novembro do ano passado, o fluxo cambial tinha sido negativo em US$ 6,614 bilhões, acima dos US$ 5,7 bilhões registrados neste ano.

Olhando os saldos em 12 meses, o fluxo cambial total é negativo em US$ 40 bilhões, sendo reflexo de uma saída de US$ 57 bilhões na conta financeira e um tímido ingresso comercial de US$ 17 bilhões, menor leitura desde os 12 meses findos em julho de 2015.

De volta aos dados de novembro, apenas na última semana do mês, o fluxo foi negativo em US$ 4,5 bilhões. A semana dos dias 25 a 29 foi marcada por forte instabilidade cambial, com o BC tendo de fazer atuações à vista, além dos leilões de rolagens. Parte do movimento de compra foi colocado na conta do ministro da Economia, Paulo Guedes, que falou que teríamos de nos acostumar com dólar mais alto e juro mais baixo.

Virado o mês, o dólar saiu das máximas históricas nominais na linha dos R$ 4,26 e caminha para um novo pregão de baixa, nesta quarta-feira – veja nossa cobertura de mercados. Alguns operadores chamam atenção para a movimentação do investidor estrangeiro no mercado futuro de dólar, onde venderam mais de US$ 2,5 bilhões nos últimos dois dias.

O que acontece?

O diagnóstico não é novo e já falamos dele em outras ocasiões. De fato, o próprio BC vem alertando sobre uma mudança estrutural no mercado de câmbio brasileiro desde abril, quando o diretor de Política Monetária, Bruno Serra Fernandes, fez importante palestra falando da perda relativa de atratividade do financiamento externo e de com isso afetava a liquidez em dólares no país.

Resumindo a questão. O comprometimento com uma agenda de ajuste fiscal, proporcionou a queda da inflação e dos juros. Com isso, o Brasil deixou de ser o paraíso das operações de arbitragem de taxa de juros (carry-trade). Leia-se, pegar dólar no mercado externo a custo quase zero e virar ganhar Selic de 14% ou mais.

Além disso, as reformas no mercado de crédito, notadamente a redução do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no crédito direcionado, proporcionaram um rápido crescimento do mercado de capitais doméstico. Temos empresas domésticas – Petrobras notadamente – pré-pagando dívidas que foram tomadas no mercado externo e contratando financiamentos em moeda local.

Grosso modo, somando as duas coisas, não temos o dólar de curto prazo vindo arbitrar juros e, além disso, temos maior demanda pela moeda para pagamentos externos.

Também tivemos eventos pontuais que pesaram sobre a formação de preço nas últimas semanas, como a frustração com a participação estrangeira nos leilões do pré-sal, o aumento da instabilidade política na América Latina e uma revisão nas contas externas de 2018.

Apesar da enorme saída de dinheiro, podemos avaliar que o quadro não é preocupante. Como o próprio BC vem destacando, a alta do dólar acontece em um ambiente de queda do risco-país e juros longos em movimento de baixa. A desvalorização não está associada a uma crise de balanço de pagamentos e o mercado também não está pedindo mais juros para financiar a dívida brasileira.

Como o juro não deve mudar de lugar tão cedo, seguiremos fora do radar do chamado “hot money”, ou dinheiro de curto prazo. No entanto, com progresso na agenda de reformas e elevação no ritmo de crescimento, poderemos ver um aumento no fluxo de investimentos externos produtivos.

Comentários
Leia também
OS MELHORES INVESTIMENTOS NA PRATELEIRA

Garimpei a Pi toda e encontrei ouro

Escolhi dois produtos de renda fixa para aplicar em curto prazo e dois para investimentos mais duradouros. Você vai ver na prática – e com a translucidez da matemática – como seu dinheiro pode render mais do que nas aplicações similares dos bancos tradicionais.

reparação histórica

MPT rejeita denúncias de racismo contra Magazine Luiza por programa para negros

Para o MPT, não houve violação trabalhista, mas sim uma ação afirmativa de reparação histórica

seu dinheiro na sua noite

O Abaporu da bolsa

Tarsila do Amaral pintou em 1928 uma figura de traços relativamente simples. Com a cabeça diminuta e os pés gigantes, ela surge nua tendo por companhia apenas o sol a pino e um enorme cacto. Foi só depois da reação empolgada do marido Oswald de Andrade que a artista veio a batizar o quadro de […]

Um outro olhar

Investidores mudam o foco, dólar cai e Ibovespa vive dia de forte recuperação

Bolsa recupera terreno e fecha em alta de 1,33%; dólar retorna a R$ 5,51 com reação a sinalizações de banqueiros centrais

fintech do Mercado Livre

Mercado Pago recebe aporte de R$ 400 milhões do Goldman Sachs

Os recursos têm como destino a divisão de crédito da instituição, o Mercado Crédito, e servirão para expandir a oferta de crédito para pequenos e médios vencedores que usam o Mercado Pago e o Mercado Livre

presidente popular

Avaliação positiva de Bolsonaro sobe de 29% para 40%, diz Ibope

Após cair ao longo do primeiro ano de governo, a popularidade do presidente Jair Bolsonaro disparou agora em setembro, na comparação com dezembro do ano passado

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements