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Mercado Financeiro continua confiante em um desfecho da guerra comercial entre EUA e China e na aprovação da reforma da Previdência no Congresso
Setembro começa com um feriado nos Estados Unidos (Labor Day), o que tende a drenar a liquidez do mercado financeiro nesta segunda-feira. Mas a calmaria no início deste mês é bem-vinda, após a turbulência nos ativos globais em agosto, com a guerra comercial entre Estados Unidos e China ditando o vaivém dos negócios.
O dia, então, é propício para os investidores reavaliarem o cenário e reverem as resoluções para o novo mês, após a ausência de notícias mais negativas na reta final do mês passado ter favorecido um contexto pontual de otimismo. A ver, então, se esse cenário mais animador se confirma, o que permitiria aos mercados viver momentos de maior estabilidade.
O fator-chave continua girando em torno da disputa sino-americana no comércio, após novas tarifas contra produtos chineses e dos EUA entrarem em vigor ontem. Enquanto a decisão da Casa Branca pode deixar empresas e consumidores norte-americanos mais vulneráveis à rodada de tarifas, que, desta vez, atinge bens de consumo que variam de calçados e roupas, passando por produtos de tecnologia, a retaliação chinesa ora em curso tem como alvo o núcleo do apoio político de Trump, atingindo fábricas e fazendas no Centro-Oeste e no Sul dos EUA, à medida que se aproxima a eleição presidencial no país.
Mas a expectativa ainda é de que uma nova rodada de negociações entre representantes da China e dos EUA aconteça neste mês. Ainda não há detalhes sobre a data, mas o local do encontro será em Washington. E qualquer novidade sobre essa reunião tende a influenciar o comportamento dos mercados, sendo que sinais de progresso nas tratativas abrem o apetite por ativos de risco, enquanto qualquer revés tende a resgatar a aversão entre os investidores.
Afinal, o principal temor continua sendo em relação ao impacto da guerra comercial na economia global. Esse receio mantém o radar também nos bancos centrais, em meio à expectativa de estímulos adicionais para evitar maiores estragos na desaceleração econômica. Dados sobre o emprego nos EUA e a inflação no Brasil, além de números sobre a atividade pelo mundo, tendem a calibrar as apostas em relação ao rumo dos juros ao longo deste mês.
Setembro também pode ser marcado por avanços da reforma da Previdência no Senado. Após a leitura do parecer do relator, Tasso Jereissati, na CCJ na semana passada, a expectativa está na votação da proposta, o que deve acontecer na quarta-feira. Se for aprovada, a matéria já segue para o plenário da Casa.
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A previsão é de que a proposta de novas regras para aposentadoria seja incluída na pauta no início da semana que vem. Se confirmada, a primeira fase de votação entre os senadores deve ocorrer na última semana de setembro, com o segundo turno esperado para até 10 de outubro.
Para ser aprovada no plenário, a PEC precisa obter 49 votos favoráveis, de 81 senadores. Enquanto isso, na Câmara, os deputados devem apreciar a chamada “PEC paralela”, que inclui estados e municípios na reforma e institui a cobrança previdenciária do agronegócio exportador, entre outras mudanças. A PEC paralela deve chegar ao Senado em seguida.
Com isso, o Congresso tenta cumprir a meta de aprovar a reforma da Previdência neste ano, o que permite que a proposta entre em vigor a partir de 2020. Porém, não deve haver tempo hábil para nenhum outro grande tema entrar na ordem do dia ainda em 2019, o que tende a manter o cenário de crescimento econômico fraco do país.
Sabe-se que a agenda de reformas tende a aumentar o crescimento potencial da economia brasileira no médio e longo prazos, mas tem pouco efeito na aceleração do ritmo de recuperação econômica no curto prazo. Com isso, os ativos locais perdem um bom amortecedor no caso de uma piora das condições externas, deixando o Brasil à deriva.
A percepção é de que o crescimento econômico ainda fraco, reduz as oportunidades no mercado doméstico, principalmente na Bolsa brasileira. Ainda mais diante das discussões sobre como um dólar valorizado, que há duas semanas é cotado acima de R$ 4,00, pode atrapalhar o ciclo de cortes nos juros básicos.
Segunda-feira: A semana começa com o relatório de mercado Focus (8h30), que pode trazer revisões nas estimativas para o crescimento econômico (PIB) e as taxas de câmbio e de juros (Selic), após os eventos ocorridos na semana passada. Também merece atenção o desempenho da balança comercial em agosto (15h). No exterior, destaque para o feriado nos EUA.
Terça-feira: O desempenho da indústria nacional em julho é o destaque do dia, lançando luz sobre o ritmo da atividade industrial na virada do primeiro para o segundo semestre.
Quarta-feira: Dados de atividade nos setores industrial e de serviços na Europa recheiam a agenda do dia, que traz também os números da balança comercial nos EUA em julho, além do Livro Bege do Federal Reserve.
Quinta-feira: A agenda dos EUA está carregado e traz como destaque o relatório ADP sobre a geração de postos de trabalho no setor privado. Também serão conhecidos dados sobre a produtividade e o custo da mão de obra, além das encomendas às fábricas no país e do índice ISM do setor de serviços.
Sexta-feira: A semana chega ao fim com os dados oficiais de agosto sobre a inflação ao consumidor brasileiro (IPCA) e sobre o mercado de trabalho nos EUA (payroll), com a geração de vagas no país, a taxa de desemprego e o ganho médio por hora. Também merece atenção a participação do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, em um evento. Ainda no mesmo dia, sai o IGP-DI do mês passado e o PIB da zona do euro no segundo trimestre.
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