O ponto de encontro dos investidores: saiba como funciona a bolsa de valores brasileira e conheça a sua história
Com mais de 120 anos, a bolsa de valores brasileira é o centro de negociação de ações e contratos futuros no mercado financeiro

Eu me lembro com clareza da primeira vez que ouvi falar na bolsa de valores. Era dia dos pais, eu tinha 11 anos, e meus primos mais velhos comentavam a compra de ações da Petrobras. Meus pais ficaram quase uma hora falando sobre esse tipo de investimento, curiosos sobre a “novidade” que poderia lhe render bons lucros.
Naquela época, eu não fazia ideia do que significava investir em ações. Sabia que era algo importante, que fazia as pessoas ganharem dinheiro. Quase um Papai Noel dos adultos.
O fato é que a bolsa de valores é uma entidade fundamental para qualquer mercado financeiro e significa muito mais do que os investimentos do meu primo com as ações da Petrobras. Mesmo que para você investir em ações pareça um bicho de sete cabeças, saiba que o funcionamento da bolsa é bem mais simples do que muita gente imagina.
O que é a bolsa de valores
Quando você deseja comprar ou vender determinado produto, em geral você busca um centro comercial ou mercado, certo? Agora, se passarmos essa ideia para o mundo das ações, a bolsa faria justamente o papel desse centro comercial.
De forma geral, a bolsa é o local que organiza e dá segurança a todo o mercado de ações do Brasil. É lá que as empresas vão para encontrar novos acionistas e levantar capital, vendendo participações no seu negócio para investidores.
Leia Também
Além de ações, a bolsa também realiza negociações de ativos como títulos de renda fixa, opções, cotas de fundos de investimentos e contratos futuros, como os de moeda estrangeira.
Hoje em dia, a bolsa de valores de São Paulo é administrada pela B3, uma empresa fruto da fusão realizada em 2017 entre as antigas BM&FBovespa e Cetip.
Como funciona a bolsa de valores
Para entender como funciona a bolsa de valores é importante observar primeiro o passo a passo para se investir em uma ação. Se você sente que precisa dar um passo atrás para entender este processo, leia a nossa matéria sobre o que são ações.
Tudo começa quando uma empresa resolve “abrir o capital” e disponibiliza suas ações para serem compradas na bolsa. É o chamado IPO, sigla em inglês que significa oferta pública inicial (de ações, no caso). A partir daí, as corretoras vão passar a oferecer esses papéis aos primeiros investidores que demonstrarem interesse, também chamados de investidores primários.
Nesta matéria, a Julia Wiltgen explica, com mais detalhes, por que uma empresa faz IPO e quais os tipos de ofertas de ações existentes no nosso mercado.
Uma vez comprada a ação, começa a segunda etapa de negociações, ou o “mercado secundário”. Basicamente ele se dá entre investidores primários e outros investidores, em uma clássica relação de oferta e demanda.
Nessa negociação, o vendedor emite uma “ordem de venda” e o comprador dá uma “ordem de compra” com os preços que consideram justos por aquele papel. Ambas as ordens são enviadas pelas corretoras e, se o valor entre elas for o mesmo, o negócio é fechado.
Concluída a negociação, o valor das ações será debitado da conta do comprador em dois dias úteis, e o vendedor consequentemente receberá o valor dois dias úteis depois de o negócio ser fechado.
Se você quiser entender melhor como funciona esse processo de compra e venda de uma ação, esta matéria da Julia explica com detalhes.
Tudo tem hora para acabar
Nem todo mundo sabe, mas os investimentos na bolsa não podem ser feitos a qualquer momento. Inclusive, cada uma das modalidades de investimentos, das ações aos títulos de renda fixa, tem um horário de negociação específico dentro da B3.
Para organizar melhor cada um desses processos, a bolsa costuma dividir sua operação em quatro etapas: pré-abertura, negociação, call de fechamento e after market.
A pré-abertura costuma durar poucos minutos e ocorre sempre pela manhã. É uma espécie de "leilão inicial" da bolsa. Para as ações, são 15 minutos antes da abertura do pregão (das 9h45 às 10h). Já para os contratos futuros em dólar e índices, a pré-abertura acontece entre 8h55 e 9 horas.
O período de negociação é o que comumente se chama de “pregão”. Ali ocorre toda a mágica do mercado, como expliquei acima. Faltando cinco minutos para encerrar o período de negociação, a bolsa emite o call de fechamento, no qual são determinados os preços em que as ações fecharão o dia.
Para os atrasados, a bolsa também oferece o after market. Esse período, que costuma durar meia hora após o fechamento oficial, serve como um horário extra de negociação. Nele, é possível negociar ações e fazer algumas operações, sempre com algumas restrições. Por exemplo, apenas ativos que fazem parte do Ibovespa podem ser negociados neste horário.
No vídeo a seguir, a Julia Wiltgen detalha melhor as etapas de negociação de ações na B3:
Uma centenária de respeito...
Quem acompanha as operações da bolsa de São Paulo hoje, rodeadas de tecnologia, muitas vezes se esquece da história por trás dessa instituição. Embora o mercado de ações do Brasil hoje seja concentrado na B3, durante muito tempo ele esteve espalhado por diversas bolsas ao redor do país.
Para entender melhor esse histórico, vale a pena voltarmos ao início da República. Em 23 de agosto de 1890, o negociante de capitais Emílio Rangel Pestana criou a chamada Bolsa Livre, um esboço das operações em renda variável no país. Mas o projeto acabou não vingando por conta da crise financeira no governo e teve suas operações suspensas em 1891.
Já em 1895 nascia a Bolsa de Fundos Públicos de São Paulo, que manteve esse nome por 40 anos, quando então passou a ser reconhecida por Bolsa Oficial de Valores de São Paulo. O nome Bovespa, no entanto, só viria a se concretizar em 1967.
É interessante notar que, até o início do Regime Militar, havia uma bolsa de valores diferente em cada Estado. Essas instituições, consideradas entidades corporativas, eram controladas por suas respectivas secretarias de finanças estaduais. Em 1965, as mais de 20 bolsas brasileiras se tornaram independentes dos governos e se transformaram em associações sem fins lucrativos.
O senso comum pode te levar a pensar que, entre todas essas instituições estaduais, a mais importante delas era a de São Paulo, certo? Errado! A principal bolsa do país até a década de 1970 era a do Rio de Janeiro.
Mas, a partir de então, a bolsa carioca foi perdendo protagonismo para a rival paulista até que, no fim dos anos 1980, um escândalo financeiro envolvendo o megainvestidor Naji Nahas levou-a a uma perda de confiança por parte dos investidores da qual ela jamais se recuperaria.
Nos anos 2000, houve uma unificação do mercado de ações brasileiro, com a fusão das operações das nove bolsas então ativas no país: Minas-Espírito Santo, Brasília, Extremo Sul, Santos, Bahia-Sergipe-Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Paraná e a Bolsa Regional.
O acordo de fusão estabelecia que as ações passariam a ser todas negociadas na Bovespa, enquanto a bolsa carioca negociaria eletronicamente apenas os títulos públicos.
Foi também nessa época que o mercado financeiro foi invadido pela onda de tecnologia. Os pregões tradicionais, com vários operadores falando, vendendo e comprando ao mesmo tempo, foram substituídos pelas plataformas virtuais em 2005. Já em 2006, eles passaram a ser 100% domésticos, ou seja, os operadores migraram para as respectivas sedes das corretoras, esvaziando as galerias da bolsa no centro de São Paulo.
Em 2007, a Bovespa realizou a sua abertura de capital. As ações da bolsa passaram a ser negociadas na própria bolsa. E isso foi só o começo, já que em 2008 foi anunciada a fusão com a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), dando origem à BM&FBovespa.
O passo mais recente da bolsa foi outra fusão, desta vez a da BM&FBovespa com a Cetip, processo que deu origem à B3 (Brasil, Bolsa, Balcão).
Cronologia
- 1890: Nasce a Bolsa Livre, com operações até 1891
- 1895: Criação da Bolsa de Fundos Públicos de São Paulo
- 1935: Bolsa passa a se chamar Bovespa
- Década de 1960: Bovespa e outras bolsas do Brasil assumem uma característica e uma autonomia institucional, deixando de serem subordinadas às Secretarias de Finanças estaduais
- Década de 1970: Bovespa ganha terreno no mercado nacional no momento em que a Bolsa do Rio de Janeiro começava a perder protagonismo. Bolsa paulista inicia operações com opções sobre ações no Brasil
- Década de 1980: Implantação do Sistema Privado de Operações por Telefone (SPOT) e uma rede de serviços on-line para as corretoras
- Década de 1990: Bovespa implanta o Sistema de Negociação Eletrônica - CATS (Computer Assisted Trading System) que operava simultaneamente com o sistema tradicional de Pregão Viva Voz. Em 1997, a Bovespa implanta um novo sistema de negociação, o Mega Bolsa
- 2000: Fusão de todas as bolsas de valores brasileiras, com a Bovespa concentrando toda a negociação de ações do país
- 2005: Fim do pregão viva-voz da Bovespa, que se torna uma bolsa 100% eletrônica
- 2006: Bovespa transfere seu pregão eletrônico para o sistema doméstico
- 2007: IPO da Bovespa Holding
- 2008: Fusão da Bovespa com a BM&F, dando origem à BM&F Bovespa
- 2017: Fusão da BM&FBovespa com a Cetip, dando origem à B3
...e um cinquentão protagonista
A bolsa conta com vários índices de ações, mas o protagonista dessa lista é um cinquentão que você com certeza já ouviu falar: o Índice Bovespa (ou Ibovespa, para os íntimos). Esse é o principal indicador do mercado acionário brasileiro e, na prática, expressa como está o desempenho das ações mais relevantes para o cenário econômico nacional.
Em 2018, o Ibovespa completou 50 anos, tempo mais do que suficiente para torná-lo um ponto de referência internacional quando o assunto é bolsa no Brasil.
O índice nasceu com um objetivo claro: unificar as cotações do mercado e modernizar a estrutura financeira da Bovespa. Fato curioso é que muito do Ibovespa é inspirado no modelo do antigo Índice Bolsa de Valores (IBV) do Rio de Janeiro, que reunia as ações mais negociadas por lá.
O primeiro pregão com a medição do Ibovespa aconteceu em 2 de janeiro de 1968. De lá para cá, o índice observou uma valorização de mais de 2500%, se considerarmos a inflação no período.
Mas quem olha essa valorização toda não nota que os 50 anos de história do índice foram marcados por inúmeros altos e baixos. Para você ter uma ideia, nos anos 1990 - época de hiperinflação e planos econômicos desastrosos - o Ibovespa chegou a cair 22% ou subir 36% em um único pregão.
Foi justamente essa instabilidade que levou a Bovespa a implantar, em 1997, o chamado circuit breaker. Na prática, ele funciona como o popular “parem as máquinas” e interrompe o pregão por um período de 30 minutos todas as vezes que as quedas do Ibovespa ultrapassam os 10%. É aquela pausa para respirar e sair do olho do furacão.
Em 2019, o Ibovespa quebrou uma série de recordes, em grande parte pelas expectativas bastante positivas da agenda liberal implantada pelo Ministro da Economia, Paulo Guedes. O otimismo com a economia fez o Ibovespa romper os 100 mil pontos pela primeira vez na história. Na última sexta-feira (20), marcava 104.817 pontos.
POR QUE É TÃO IMPORTANTE?
Mais petróleo na Margem Equatorial: Petrobras (PETR4) anuncia nova descoberta e confirma boa qualidade do óleo encontrado em agosto
2 de outubro de 2026 - 10:50Conteúdo BTG Pactual
Fundo multimercado que já rendeu CDI + 4,36% desde sua criação segue na ‘contramão’ das tendências; conheça
1 de outubro de 2026 - 14:00PODCAST TOUROS E URSOS
Eleições podem levar o Ibovespa acima de 200 mil pontos? A visão de Rodrigo Glatt, sócio da gestora GTI
1 de outubro de 2026 - 11:32BALANÇO DO MÊS
Tesouro Direto dispara em setembro com retorno de mais de 5% — mas outro investimento toma a dianteira e fica no topo do ranking
30 de setembro de 2026 - 19:16FECHAMENTO DOS MERCADOS
O vento a favor que fez o Ibovespa decolar 4 mil pontos, inverter o sinal e fechar setembro no azul
30 de setembro de 2026 - 17:49MESMO QUE 'DÊ RUIM'
Faça chuva ou faça sol nas urnas: JP Morgan seleciona ações que podem ganhar com o melhor ou o pior resultado eleitoral
30 de setembro de 2026 - 13:05TAG SUMMIT
Não tem tempo ruim para a infraestrutura: as empresas preferidas da Perfin para atravessar crises e juros altos
29 de setembro de 2026 - 17:53PRÊMIO DE RISCO
Dólar a R$ 4,80? As pistas que as últimas eleições na América Latina dão para o desempenho do real
28 de setembro de 2026 - 18:45VISÃO DO GESTOR
“Não se ganha dinheiro comprando o que é popular”: onde a Inter Asset está vendo pechinchas na bolsa brasileira
27 de setembro de 2026 - 12:01INTER INVEST SUMMIT
Ações “órfãs” na bolsa, juros altos e uma armadilha no crédito: onde investir em 2027, segundo especialistas
26 de setembro de 2026 - 18:08RALI NA B3
Ibovespa a 207 mil pontos? Especialista do Inter diz o que pode destravar a bolsa brasileira após as eleições
25 de setembro de 2026 - 16:40ALÉM DA BOLSA
Os fundos imobiliários cetipados vieram para ficar? Entenda por que eles estão em alta e o que você precisa saber antes de investir
25 de setembro de 2026 - 15:54SETOR DE AUTOPEÇAS
JP Morgan pisa no freio e rebaixa Frasle (FRAS3) para venda. Analistas preferem outras 3 ações que podem saltar até 69%
25 de setembro de 2026 - 13:18MAIS AQUISIÇÕES
TRXF11 enche o carrinho de novo e paga R$ 2,83 bilhões, mas FII cai na bolsa; veja o que entra no portfólio
24 de setembro de 2026 - 13:02O OUTRO LADO DA MOEDA
R$ 4,50 ou R$ 5,80? O gatilho que vai definir o preço do dólar depois das eleições
23 de setembro de 2026 - 18:33RADAR DE FIIS
Fundo imobiliário leva calote de inquilino em recuperação judicial; entenda o impacto no bolso dos cotistas
23 de setembro de 2026 - 13:01SD ENTREVISTA
Tubarões saem e varejo entra: sinal de alerta para os FIIs? LAREAL revela o que os institucionais estão vendo
23 de setembro de 2026 - 6:01AS MAIS SAUDÁVEIS
Dasa (DASA3) é compra para o UBS BB, mas banco revela outras 2 favoritas — uma delas para dividendos
22 de setembro de 2026 - 19:50EM DESACELERAÇÃO
FIIs de shoppings sob pressão: é hora de separar o joio do trigo — e o BTG Pactual já escolheu os ativos favoritos
21 de setembro de 2026 - 20:01EM ESPERA...