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Alexandre Mastrocinque
Que Bolsa é essa?
Alexandre Mastrocinque
É economista, contador e especialista em investimento em ações
2019-04-20T16:34:29-03:00
QUE BOLSA É ESSA?

A ação da Vale está valendo?

A Vale teve um resultado maravilhoso em 2018, digno de alegria para qualquer acionista. É uma boa comprar a ação da empresa?

30 de março de 2019
5:57 - atualizado às 16:34
Vale
Imagem: Shutterstock

A Vale (VALE3) optou por abrir seu release de resultados de 2018 com um laço de luto, menção às (muitas) vítimas da tragédia de Brumadinho. Já no primeiro parágrafo, uma breve descrição do ocorrido.

Os bons números, que vieram um pouco abaixo do esperado pelo mercado, ficaram ofuscados pelo peso da tragédia e há pouco o que se comemorar dentro da companhia, que perdeu colaboradores e boa parte de sua credibilidade enquanto viu Fabio Schvartsman, um dos mais respeitados executivos do país, deixar a cadeira de presidente vaga.

Olhando para os números, em 2018 a Vale vendeu pouco mais de 307 milhões de toneladas de minério de ferro para uma receita total de quase US$ 28 bilhões. O Ebitda, da sigla em inglês para lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (ou “lucro antes de tudo que importa”, de acordo com Warren Buffett), ficou em US$ 16,6 bilhões – uma margem bem saudável de 45%.

Com o avanço da produção da unidade S11D em Carajás, o custo de produção segue caindo e encerrou o trimestre em US$ 12,8 por tonelada de minério (US$ 14,6 no último trimestre de 2017).

Sobem volumes e preços, custos caem e a Vale se torna cada vez mais rentável: a geração de caixa livre (caixa operacional líquido dos investimentos) ficou em US$ 10 bilhões. O número é importante porque dá a medida de quanto a empresa gera de caixa além do necessário para manter as operações e crescer.

Assim, o caixa livre tem esse nome porque é justamente o que sobra para a companhia pagar credores e remunerar seus acionistas – os US$ 10 bilhões dão um retorno de 14% sobre o valor de mercado (em dólares), nada mau em um mundo em que títulos da dívida alemã negociando com taxas negativas!

A mina de ferro se transformou em uma vaca que, mais do que leite, dá muito dinheiro.

Caminho interrompido

Com uma dívida sob controle e o fim de ciclo de investimentos, não há dúvidas de que, no médio prazo, a Vale caminhava a passos largos para se tornar uma boa pagadora de dividendos, por mais que previsibilidade seja um desafio, e tanto, quando falamos de commodities.

O problema é que, no meio do caminho tinha uma barragem. Na conferência de resultados, a companhia estima deixar de produzir cerca de 93 milhões de toneladas em 2019, afirma que já tem R$ 16 bilhões bloqueados em suas contas e avalia que de 80 mil a 100 mil pessoas terão direito a algum tipo de ressarcimento pelos estragos.

A queda esperada de produção é parcialmente compensada pela alta do minério – desde o rompimento da barragem de Brumadinho, o minério saiu de US$ 72 a tonelada e opera acima de US$ 80.

Além disso, a companhia tem capacidade ociosa e pode “apertar o passo” em outras minas e, também, acelerar o amadurecimento de S11D. No fim das contas, a perda nas receitas deve girar em torno de US$ 2 bilhões, mas com potencial para melhora das margens com menores custos – com efeito, o Ebitda esperado para 2019 é de US$ 17,9 bilhões, 6,5% maior do que o observado em 2018.

Prejuízos ainda não calculados

O que talvez ainda não tenha entrado na conta dos analistas das grandes casas é o impacto que as regras mais rigorosas terão sobre custos – nas palavras da própria companhia, o padrão de segurança mudou e as autoridades estão mais rigorosas. Conseguir aprovações para operações e manter minas rodando deve ser mais custoso.

Achar alguém para assumir o comando da empresa também será uma tarefa dura: em depoimento à CPI de Brumadinho, Schvartsman foi bastante pressionado por deputados e chegou a receber ameaça de sair da comissão preso, caso não respondesse às perguntas honestamente.

Depois do que houve em Mariana e Brumadinho, é possível que nem mesmo a Vale e os técnicos do governo saibam avaliar adequadamente as condições das barragens brasileiras. Como, então, garantir que um outro desastre não vai ocorrer novamente? Até que ponto executivos bem estabelecidos e renomados aceitarão o desafio? Já foram confirmados 216 mortos e ainda há 88 desaparecidos, um fardo pesado demais para carregar nas cotas...

Não entro nem no mérito de um possível (provável?) desaquecimento da economia global, que poderia frustrar quem espera preços de minério estáveis ao longo do ano.

Sigo olhando o papel de fora, por mais que a operação tenha mostrado força, isso é absolutamente secundário frente às perdas das vítimas e as enormes incertezas que rondam o papel. Sim, a Vale teve um resultado maravilhoso em 2018, digno de alegria para qualquer acionista. É uma boa comprar a ação da empresa? Muito cedo para dizer. O resultado financeiro se tornou secundário perto do passivo ainda incalculado da tragédia de Brumadinho.

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