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Rombo nas contas externas brasileiras chega a US$ 30 bilhões, diz Banco Central

Investimentos Diretos no País somaram US$ 9,470 bilhões em agosto; resultado das transações correntes ficou negativo em US$ 4,274 bilhões no mês

23 de setembro de 2019
13:08 - atualizado às 15:10
Notas de dinheiro
Imagem: Shutterstock

O rombo nas contas externas soma US$ 30,277 bilhões até agosto, segundo estimativa do Banco Central divulgada nesta segunda-feira, 23.

Segundo a instituição, a remessa de lucros e dividendos de companhias instaladas no Brasil para suas matrizes foi de US$ 3,433 bilhões em agosto. A saída líquida representa um volume superior aos US$ 464 milhões que foram enviados em igual mês do ano passado, já descontados os ingressos.

No acumulado do ano até agosto, a saída líquida de recursos via remessa de lucros e dividendos alcançou US$ 17,966 bilhões. A expectativa do BC é de que a remessa de lucros e dividendos de 2019 some US$ 17,5 bilhões.

O BC informou também que as despesas com juros externos somaram US$ 1,316 bilhão em agosto, ante US$ 596 milhões em igual mês do ano passado.

No acumulado do ano até agosto, essas despesas alcançaram US$ 17,285 bilhões. Para este ano, o BC projeta pagamento de juros no valor de US$ 19,4 bilhões.

Transações correntes

Após o déficit de US$ 9,035 bilhões em julho, o resultado das transações correntes ficou negativo em agosto deste ano, em US$ 4,274 bilhões, informou nesta segunda-feira, 23, o Banco Central. A instituição projetava para o mês passado déficit de US$ 4,8 bilhões na conta corrente.

O número do mês passado ficou dentro do levantamento realizado pelo Projeções Broadcast, que tinha intervalo de déficit de US$ 5,0 bilhões a déficit de US$ 1,1 bilhão (mediana negativa de US$ 4,0 bilhões). O déficit de US$ 4,274 bilhões é o pior resultado para agosto desde 2014, quando houve déficit de US$ 5,998 bilhões.

A balança comercial registrou saldo positivo de US$ 2,664 bilhões em agosto, enquanto a conta de serviços ficou negativa em US$ 2,461 bilhões. A conta de renda primária também ficou deficitária, em US$ 4,727 bilhões. No caso da conta financeira, o resultado ficou negativo em US$ 4,152 bilhões.

No acumulado do ano até agosto, o rombo nas contas externas soma US$ 30,277 bilhões. A estimativa do BC, do Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de junho, é de déficit em conta corrente de US$ 19,3 bilhões em 2019. Esta projeção será atualizada na próxima quinta-feira, na divulgação do RTI.

Já nos 12 meses até agosto deste ano, o saldo das transações correntes está negativo em US$ 33,852 bilhões, o que representa 1,84% do Produto Interno Bruto (PIB).

Viagens internacionais

A conta de viagens internacionais voltou a registrar déficit em agosto, informou o Banco Central. No mês passado, a diferença entre o que os brasileiros gastaram lá fora e o que os estrangeiros desembolsaram no Brasil foi de um saldo negativo de US$ 846 milhões. Em igual mês de 2018, o déficit nessa conta foi de US$ 900 milhões.

O desempenho da conta de viagens internacionais foi determinado por despesas de brasileiros no exterior, que somaram US$ 1,309 bilhão em agosto. Já o gasto dos estrangeiros em passeio pelo Brasil ficou em US$ 464 milhões no mês passado.

No ano até agosto, o saldo líquido da conta de viagens ficou negativo em US$ 7,876 bilhões. Para 2019, o BC estima um déficit de US$ 12,0 bilhões.

Investimento direto no país

Os Investimentos Diretos no País (IDP) somaram US$ 9,470 bilhões em agosto. O resultado ficou bem acima das estimativas apuradas pelo Projeções Broadcast, que iam de US$ 5,4 bilhões a US$ 7,0 bilhões, com mediana de US$ 6,0 bilhões. Pelos cálculos do Banco Central, o IDP de junho indicaria entrada de US$ 5,500 bilhões.

No acumulado do ano até agosto, o ingresso de investimentos estrangeiros destinados ao setor produtivo somou US$ 41,213 bilhões. A estimativa do BC para este ano, atualizada em junho, é de IDP de US$ 90,0 bilhões em 2019.

No acumulado dos 12 meses até agosto deste ano, o saldo de investimento estrangeiro ficou em US$ 71,993 bilhões, o que representa 3,91% do Produto Interno Bruto (PIB).

Investimento em ações

O investimento estrangeiro em ações brasileiras ficou negativo em US$ 3,486 bilhões em agosto, ainda segundo o BC. Em igual mês do ano passado, o resultado havia sido negativo em US$ 36 milhões.

No acumulado do ano até agosto, o saldo ficou negativo em US$ 1,941 bilhão. Pelos cálculos do BC, o saldo das operações de investidores estrangeiros no mercado de ações será zero em 2019. Esta projeção considera as ações negociadas em bolsas brasileiras e no exterior e os fundos.

O investimento em fundos de investimentos no Brasil ficou positivo em US$ 23 milhões em agosto. No mesmo mês do ano passado, ele havia sido negativo em US$ 43 milhões. No acumulado do ano, houve aportes de US$ 2,296 bilhões dos fundos de investimentos.

Já o saldo de investimento estrangeiro em títulos de renda fixa negociados no País ficou negativo em US$ 3,130 bilhões em agosto. No mesmo mês do ano passado, havia ficado negativo em US$ 7,750 bilhões.

No ano, o saldo em renda fixa ficou positivo em US$ 8,073 bilhões. Para 2019, a estimativa do BC é de entradas de US$ 15 bilhões nas operações com renda fixa.

Taxa de rolagem

O Banco Central informou que a taxa de rolagem de empréstimos de médio e longo prazos captados no exterior ficou em 254% em agosto. Esse patamar significa que houve captação de valor em quantidade para rolar compromissos das empresas no período.

O resultado ficou acima do verificado em agosto do ano passado, quando a taxa havia sido de 152%.

De acordo com os números apresentados nesta segunda-feira pelo BC, a taxa de rolagem dos títulos de longo prazo ficou em 168% em agosto. Em igual mês de 2018, havia sido de 240%. Já os empréstimos diretos atingiram 256% no mês passado, ante 115% de agosto do ano anterior.

No ano até agosto, a taxa de rolagem total ficou em 104%. Os títulos de longo prazo tiveram taxa de 32% e os empréstimos diretos, de 165% no período. O BC estima taxa de rolagem de 85,0% para 2019.

*Com Estadão Conteúdo 

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