Menu
Dados da Bolsa por TradingView
2019-07-04T20:09:52-03:00
Seu Dinheiro
Seu Dinheiro
Por dentro do BC

Deixamos claro que estamos mais confortáveis com inflação, diz Campos Neto

Sobre a condução dos juros, o presidente do Banco Central ponderou que a questão não é o sinal, mas sim a intensidade

4 de julho de 2019
19:22 - atualizado às 20:09
Roberto Campos Neto
Roberto Campos Neto - Imagem: Flickr Banco Central do Brasil

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, ressaltou que a instituição mudou a sua linguagem na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em relação à anterior. "Dizemos muito claramente que estamos mais confortáveis com o cenário inflacionário", disse, durante apresentação em evento da XP Investimentos.

Campos Neto reiterou que a atividade econômica prescreve política monetária estimulativa, mas ponderou que a questão não é o sinal, mas sim a intensidade.

Campos Neto disse que, no cenário interno, o ponto é a relação entre o hiato do produto a inflação. "Tentamos um pouco quantificar a relação do hiato com inflação. Em outros países com hiato não tão negativo tem espaço para inflação maior. Por que no Brasil, com hiato tão negativo, o espaço é menor? É difícil calcular, assim como a taxa estrutural de longo prazo, que tem exercícios com varias interpretações, mas estamos tentando comunicar pra todos a forma como olhamos isso", disse.

No cenário externo, o presidente do BC disse que há uma dúvida sobre o que tem gerado a desaceleração global da atividade.

"Há por trás o tema do crédito que é muito importante. Tivemos uma pequena perspectiva de crescimento nos EUA e os agentes anteciparam juros mais altos, o que gerou efeito pobreza grande dos mercados de capitais e isso reverteu o processo. Estamos meio presos. Se cresço, antecipo juros mais altos, gera efeito pobreza e cancela o crescimento", disse.

Receita

Campos Neto afirmou ainda que a instituição tem uma "enorme preocupação" com o crescimento econômico, mas que o receituário para a expansão da economia é a manutenção da inflação sob controle em regime que tenha credibilidade.

"A diferença não está na identificação, mas sim na receita. Achamos que o receituário é inflação sob controle num regime de credibilidade, é muito importante", disse, em sessão de perguntas e respostas em evento da XP Investimentos, após concluir sua apresentação.

Campos Neto ressaltou que, no passado, houve redução da Selic sem credibilidade. "Caiu o juro e
o que se produziu foi aperto, porque não tinha credibilidade", afirmou.

O presidente do BC disse também que a economia não "roda" somente via Selic, mas também por meio de outras questões, como a curva longa de juros e o câmbio. "Estimular a economia é das do condições financeiras. A Selic é onde o BC tem para trabalhar, mas tem todo um tema da credibilidade para trabalhar", disse.

Reforma é o que importa

O presidente do Banco Central disse também que, no que tange aos riscos, a instituição enumerou que, predominantemente, a preocupação é a com a reforma da Previdência. "Não é um sistema mecânico, mas vamos aguardar de hoje até a última reunião para ver como esses fatores (de risco) se comportam e vamos fazer uma análise".

Campos Neto ressaltou que o debate é sobre intensidade, não sobre sinal. "Queremos garantir inflação de longo prazo na meta com credibilidade", afirmou também.

Em resposta a uma pergunta sobre o fato de o BC ter trabalhado nos últimos anos com uma inflação um pouco abaixo do centro da meta, em vez de chegar ao centro da meta, Campos Neto disse que a história brasileira "mostra o contrário", com a inflação acima da meta na maioria das vezes. "Por alguma razão as pessoas toleram mais ficar acima do meta do que abaixo", disse. "O importante é convergir, gerar credibilidade, olhar um prazo mais longo, aumentar o duration", disse.

O presidente do BC disse ainda que, no cenário internacional, há um medo de que instrumentos hoje utilizados não são mais tão eficazes, citando, entre alguns exemplos, o juro negativo. "A taxa negativa tende a funcionar mais onde o sistema é mais bancarizado e funciona menos onde é mais capital market", disse.

*Com Estadão Conteúdo.

Comentários
Leia também
CUIDADO COM OS ATRAVESSADORES

Onde está o seu iate?

Está na hora de tirar os intermediários do processo de investimento para deixar o dinheiro com os investidores

Dê o play!

Com a Selic acima de 10%, quais os próximos passos do BC? O podcast Touros e Ursos debate o futuro da taxa de juros

No podcast Touros e Ursos desta semana, a equipe do SD discutiu o cenário para a Selic e o BC em 2022. Até onde o Copom vai subir os juros?

Sinal amarelo

Marfrig (MRFG3) confirma participação em oferta da BRF (BRFS3), mas não poderá assumir o controle da empresa; entenda

Segundo um comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários hoje, as compras da Marfrig estarão limitadas a sua participação acionária atual

SEU DINHEIRO NA SUA NOITE

Ibovespa no azul apesar da volatilidade, bitcoin no vermelho e imbróglios com FII e Oi: o que marcou o mercado nesta sexta

Numa semana marcada pela escalada das tensões entre Rússia e Ucrânia, decisão de juros nos Estados Unidos e um discurso mais hawkish (duro contra a inflação) por parte do presidente do banco central americano, Jerome Powell, o Ibovespa conseguiu, mais uma vez, acumular alta. E as bolsas americanas – pasme – também. A sexta-feira (28) […]

DESINVESTIMENTOS

Em negócio bilionário, Petrobras (PETR4) vende ativos na Bacia Potiguar para subsidiária da 3R Petroleum (RRRP3); saiba quanto entrou nos cofres da estatal

A bola da vez é um conjunto de 22 concessões de campos de produção terrestre e de águas rasas, juntamente à sua infraestrutura de processamento, refino, logística, armazenamento, transporte e escoamento

SACO DE PANCADAS PRESIDENCIAL

Petrobras (PETR4) recua quase 4% após críticas de Lula; petista condenou pagamento de dividendos e política de preços da estatal

Embalados pela alta do petróleo, os papéis operavam em alta mais cedo, mas, após a nova rajada de críticas, passaram a registrar uma queda brusca

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies