Bolsonaro vai facilitar capital estrangeiro em bancos no Brasil
Atualmente, entrada de não residente no sistema financeiro tem que passar pelo crivo do presidente, que declara o interesse nacional nesse tipo de investimento

Depois de um longo período sem dar entrevistas a órgãos de imprensa, o presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, falou aos colegas do “Valor Econômico”. O ponto que vem sendo destacado da entrevista, cuja íntegra ainda não foi disponibilizada, é a facilitação na entrada de investimento estrangeiro no sistema financeiro.
Segundo Ilan, o presidente Jair Bolsonaro vai editar um decreto, em breve, delegando ao BC a responsabilidade de autorizar a participação total ou integral de capital estrangeiros em instituições financeiras.
A ideia não é propriamente nova e já tinha sido aventada durante o governo de Michel Temer, com o BC ajudando na elaboração de um decreto. Mas o tema não foi adiante. Temer editou decreto trazendo essa facilitação, apenas, para as empresas de tecnologia financeira “fintechs” de crédito.
Interesse Nacional
O processo atual para que um banco estrangeiro opere ou tenha participação no sistema financeiro nacional é um tanto tortuoso, pois há vedação constitucional.
Depois de anteder às exigências do próprio BC sobre plano de negócios e qual a contribuição que a instituição dará para o sistema financeiro nacional, é necessário encaminhar ofícios e explanações à Casa Civil da Presidência da República.
Os pedidos, então, entram na fila para que o presidente em exercício edite um decreto declarando o aporte de capital ou entrada da instituição de “interesse do governo brasileiro”.
Leia Também
A lista de pedidos na Casa Civil chegou a beirar duas dezenas durante o governo Dilma Rousseff, e apesar de atenderem aos requisitos técnicos do BC, as demandas ficaram “dormindo” nas gavetas da Casa Civil.
Desde então, não só por barreiras ideológicas, mas também em função da crise econômica no Brasil e um redesenho das finanças globais impostas pela crise financeira, o número de instituições interessadas caiu. Eram apenas duas no começo de 2017, quando o governo já estudava facilitar o processo de ingresso. Um dos últimos pedidos que se tem notícia foi da chinesa XCMG, que atua na fabricação de máquinas pesadas, e queria constituir um banco múltiplo e fornecer crédito para aquisição de seus equipamentos.
Meia dúzia
A ideia de facilitar a entrada de capital estrangeiro, não só no sistema financeiro, mas em outras áreas, esteve presente em parte do discurso feito pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, durante a transmissão de cargo realizada na quarta-feira, dia 2.
Segundo Guedes, o Brasil é o país da “meia dúzia”, pois são apenas meia de dúzia de bancos e empreiteiras, por exemplo, que dominam o mercado. A saída, segundo Guedes, é “aumentar brutalmente a competição”.
O aumento de competição também foi a receita dada pelo BC após extenso estudo sobre os spreads bancários, a diferença entre o custo do dinheiro para os bancos e para os tomadores finais.
A concentração no sistema, que tem apenas cinco grandes bancos, e é sempre apontada prontamente nas discussões sobre o tema, não se mostrou como fator mais relevante para o custo do crédito. Outros pontos que deixam o valor do dinheiro mais caro no Brasil são a inadimplência, custos operacionais e insegurança jurídica. É o famoso “custo Brasil”, que faz qualquer coisa custar o triplo no Brasil e com o crédito não seria diferente.
Política Monetária
Em outros trechos da entrevista ao “Valor”, Ilan reafirma as mensagens de que a política monetária está em campo estimulativo, ou seja, juro neutro abaixo da taxa estrutural (aquela que permite crescimento com inflação nas metas).
Ilan também reafirma os princípios de condução da política monetária com “serenidade, cautela e perseverança”, e que o risco de frustrações com as reformas diminuiu, mas ainda permanece, por isso do balanço de riscos ainda assimétrico.
Para Ilan, o risco externo permanece elevado e o BC usa as reservas internacionais para transmitir a tranquilidade que os mercados precisam para funcionarem de forma adequada. O BC colocou mais de US$ 12 bilhões em leilões de linha com compromisso de recompra entre novembro e dezembro, período no qual as remessas de dólares aumentaram de forma substancial.
Bancos Públicos
Outro tópico tratado na entrevista e que também chegou a ser aventado durante a gestão Michel Temer é dar ao BC a atribuição para aprovar indicações de dirigentes de bancos públicos federais.
Atualmente apenas os nomes de dirigentes de instituições privadas e estaduais passam pelo crivo do BC, que tem poder de vetar os nomes. As indicações para os conselhos dos bancos públicos também passariam pela autoridade monetária.
Pelo modelo atual, a atribuição é exclusiva do presidente da República e os bancos públicos apenas comunicam o BC das escolhas. A ideia de dar ao BC essa atribuição ganhou força depois de novos escândalos de corrupção na Caixa Economia Federal em meados de 2017.
CORRIDA CONTRA O RELÓGIO
Tem dinheiro esquecido nas bets? Faltam poucas horas para sacar antes do fechamento das plataformas
5 de outubro de 2026 - 14:21NO RETROVISOR
Mega-Sena acumulada se aproxima dos R$ 100 milhões e cola de vez na +Milionária
5 de outubro de 2026 - 7:48ELEIÇÕES 2026
Eleições 2026: como fazer sua ‘colinha’ para votar? Veja a ordem dos candidatos na urna
4 de outubro de 2026 - 11:39LOTERIAS
Lotofácil premia aposta solitária de São Paulo em R$ 1,83 milhão; veja o que aconteceu com a Mega-Sena e outras loterias
4 de outubro de 2026 - 10:21GÁS RENOVADO
Gás do Povo outubro 2026: veja critérios e como receber gás grátis do governo
4 de outubro de 2026 - 5:13O QUE BOMBOU
Chinelo-mule polêmico da Havaianas, o que falta para a Hapvida se recuperar e o fim da greve da Caixa: veja as mais lidas da semana
3 de outubro de 2026 - 17:24VEJA COMO VOTAR
Seu Dinheiro é finalista do Prêmio +Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças 2026; veja como votar
3 de outubro de 2026 - 10:00PARA OS ESTUDANTES
Pé-de-Meia outubro 2026: veja quem recebe a sétima parcela e as datas de depósito
3 de outubro de 2026 - 5:08MOMENTO PROMISSOR
Recuperação do setor de shoppings anima BB Investimentos; veja por que Allos (ALOS3) e Multiplan (MULT3) tiveram preços-alvo elevados
2 de outubro de 2026 - 19:00INDECISÃO?
Já não basta bater recorde para a Embraer (EMBJ3)? Entregas do terceiro trimestre dividem JP Morgan e Santander
2 de outubro de 2026 - 16:30DEPOIS DA QUEDA
A mulher por trás da farsa da Theranos quebra o silêncio: o que esperar do documentário que revela sua versão da história?
2 de outubro de 2026 - 14:07BOLA DIVIDIDA
Lotofácil 3794 posiciona 3 ganhadores a meio caminho do primeiro milhão de reais; Mega-Sena 3065 acumula e prêmio aumenta para R$ 82 milhões
2 de outubro de 2026 - 6:28OLHO NO CALENDÁRIO
INSS e BPC/LOAS outubro 2026: veja quando os benefícios serão depositados
2 de outubro de 2026 - 5:07O FUTURO DA BOLSA
Eleições 2026: o que pode levar o Ibovespa aos 248 mil pontos — ou derrubá-lo a 165 mil, segundo a XP
1 de outubro de 2026 - 19:50AÇÃO NO EXTERIOR
Esta fabricante de chips já subiu 476% no ano, e ainda está barata em meio à corrida da IA; veja o que dizem Empiricus e XP sobre a empresa
1 de outubro de 2026 - 16:40O DESAFIO DO PRESIDENTE
Lula ou Flávio? Para Kinea, ambos terão o mesmo desafio e precisarão correr contra o tempo para evitar uma crise
1 de outubro de 2026 - 15:01SEM TETO
Pix por aproximação muda hoje: a nova regra que todo usuário precisa conhecer
1 de outubro de 2026 - 11:01SÓ MUDA O MÉTODO
Entre a simplicidade e a teimosia, Lotofácil 3793 fecha setembro com 2 meio-milionários; +Milionária acumula e prêmio chega a R$ 100 milhões
1 de outubro de 2026 - 7:05A VISÃO DO DONO
Inquilino não paga o aluguel? Veja o que você pode ou não fazer e como evitar que a dívida se torne problema seu
1 de outubro de 2026 - 6:34OS ENDIVIDADOS