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Retomada lenta

BC eleva para 0,9% estimativa de alta do PIB em 2019

Estimativa anterior do Banco Central era de 0,8%; instituição também aumentou a estimativa de crescimento do consumo das famílias, de 1,4% para 1,6%

26 de setembro de 2019
9:07 - atualizado às 10:32
pib crescimento
Imagem: Shutterstock

Em meio ao processo ainda lento de retomada da economia, o Banco Central (BC) elevou sua expectativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019, de 0,8% para 0,9%. O novo porcentual consta no Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado na manhã desta quinta-feira, 26.

"O resultado melhor que o esperado para o PIB do segundo trimestre de 2019 favoreceu o carregamento estatístico para o ano corrente, contribuindo para a elevação da estimativa de crescimento anual", explica o BC, no documento.

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Entre os componentes do PIB para 2019, o BC alterou de +1,1% para +1,8% a projeção para a agropecuária. No caso da indústria, a estimativa passou de +0,2% para +0,1% e, para o setor de serviços, foi mantida em +1,0%.

Do lado da demanda, o BC aumentou a estimativa de crescimento do consumo das famílias, de +1,4% para +1,6%. No caso do consumo do governo, o porcentual projetado foi de +0,3% para -0,3%.

O documento agora divulgado indica ainda que a projeção de 2019 para a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) - indicador que mede o volume de investimento produtivo na economia - foi de +2,9% para +2,6%.

Balanço de pagamentos

O Banco Central também atualizou no RTI, suas projeções para o balanço de pagamentos em 2019. A projeção para o déficit em transações correntes do País passou de US$ 19,3 bilhões para US$ 36,3 bilhões. A estimativa anterior constou no RTI de junho. Já a projeção para o Investimento Direto no País (IDP) em 2019 foi de US$ 90,0 bilhões para US$ 75 bilhões.

Essas novas projeções já foram feitas após as mudanças estatísticas implementadas recentemente pelo BC nos dados do setor externo. Como informado na última segunda-feira, 23, a instituição fez uma ampla revisão que teve como consequência a alteração de estatísticas desde 2015. Um dos efeitos práticos da revisão é que o déficit nas contas externas aumentou nos últimos anos, enquanto o IDP diminuiu.

Conforme o RTI publicado nesta quinta, a estimativa para o investimento de estrangeiros em ações de empresas brasileiras - incluindo papéis negociados no País e no exterior - foi mantida em zero. No caso dos títulos de renda fixa negociados no País, a projeção foi de saldo positivo de US$ 15,0 bilhões para US$ 12 bilhões.

O BC informou ainda que sua estimativa para a taxa de rolagem de compromissos no exterior em 2019 passou de 85,0% para 100%.

IPCA

A instituição manteve sua projeção de inflação para 2019 no cenário de mercado. Segundo o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado nesta quinta-feira, 26, este cenário indica um IPCA de 3,3% para este ano. O porcentual é o mesmo verificado na ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom), publicada na terça-feira (24).

No RTI divulgado em junho deste ano, o BC projetava alta do índice oficial de preços de 3,6% pelo cenário de mercado.

Para 2020, o cenário de mercado indica que o IPCA ficará em 3,6%, porcentual também igual ao visto na ata. No RTI de junho, a projeção era de 3,9%.

Já a projeção para o IPCA de 2021, pelo cenário de mercado, está em 3,7%, indicou o RTI divulgado nesta manhã. No relatório anterior, de junho, o porcentual calculado era de 3,9%. O BC passou a incorporar no relatório divulgado nesta quinta-feira as projeções também para o ano de 2022. No cenário de mercado, a projeção para o IPCA naquele ano é de 3,8%.

O cenário de mercado utiliza como parâmetros as previsões dos analistas, contidas no Relatório de Mercado Focus, para a taxa de câmbio e os juros no horizonte da previsão. Para 2019, a meta perseguida pelo BC é de 4,25%, com margem de 1,5 ponto (taxa de 2,75% a 5,75%).

No caso de 2020, a meta é de 4,0%, com margem de 1,5 ponto (taxa de 2,5% a 5,5%). Para 2021, a meta é de 3,75%, com margem de 1,5 (taxa de 2,25% a 5,25%). Para 2022, a meta é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (taxa de 2,00 a 5,00%).

Cenário de referência

O BC manteve sua estimativa de inflação para 2019 no cenário de referência, que utiliza câmbio e juros constantes para o horizonte de projeções. Segundo o RTI, este cenário indica um IPCA de 3,4% para este ano. O porcentual é o mesmo verificado na ata do último encontro do Copom publicada na terça.

No RTI divulgado em junho, o BC projetava alta do índice oficial de preços de 3,6% pelo cenário de referência.

Para 2020, o cenário de referência indica que o IPCA ficará em 3,6%, porcentual também igual ao visto na ata. No RTI de junho, a projeção era de 3,7%.

Já a projeção para o IPCA de 2021, pelo cenário de referência, está em 3,7%, conforme o RTI divulgado nesta quinta-feira. No relatório anterior, de junho, o porcentual calculado era de 3,9%.

O BC passou a incorporar no relatório de hoje as projeções também para o ano de 2022. No cenário de referência, a projeção para o IPCA naquele ano é de 3,9%.

Nos cálculos do cenário de referência, o BC considerou uma Selic de 6,00% ao ano e um dólar a R$ 4,05.

Selic

O BC  voltou a indicar nesta quinta-feira, 26, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), que "a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo (monetário)". Em outras palavras, a sinalização é de que cortes adicionais da Selic (a taxa básica de juros) devem ocorrer.

Na semana passada, em sua decisão de política monetária, o Copom reduziu a Selic de 6,00% para 5,50% ao ano. Foi o segundo corte consecutivo de meio ponto porcentual no atual ciclo de baixa da taxa básica, após 16 meses de estabilidade.

Na ata do encontro, divulgada na terça-feira, e no RTI desta quinta, o BC também repetiu uma ideia contida no comunicado da semana passada: a de que "a evolução do cenário básico e do balanço de riscos prescreve ajuste no grau de estímulo monetário, com redução da taxa Selic em 0,50 ponto porcentual".

Ao mesmo tempo, o BC enfatizou que, apesar da avaliação de que a taxa poderá cair ainda mais, "os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação". Na prática, o recado é de que o Copom tomará sua decisão sobre juros apenas no momento da próxima reunião, marcada para o fim de outubro.

*Com Estadão Conteúdo 
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