2019-08-20T18:53:23-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
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Fluxo do gringo na bolsa em 2019 ainda é positivo e eu posso provar

Dados disponibilizados pela B3, que mostram saída de R$ 19 bilhões até 15 de agosto, não contabilizam valores movimentados em ofertas de ações

20 de agosto de 2019
15:08 - atualizado às 18:53
Imagem: Shutterstock

Passei boa parte da manhã discutindo com um grupo de conhecidos do mercado sobre o saldo negativo do gringo de R$ 19 bilhões na bolsa de valores no acumulado do ano até o dia 15 de agosto. As dúvidas eram se esse número considerava ou não a participação do estrangeiro nas ofertas de ações (IPOs e Follow Ons) e se o volume era relevante levando em consideração o estoque de posição.

A primeira pergunta foi respondida com a ajuda de um relatório da Planner Corretora, que afirma que participação em ofertas não é considerada no saldo, “distorcendo a interpretação sobre a movimentação estrangeira na bolsa brasileira”.

Para ajudar com a segunda pergunta, apelei para o gestor da Paineiras Investimentos, David Cohen, que tinha apresentado em janeiro um interessante levantamento sobre o tema.

Estrangeiros não tão distantes

O intertítulo acima batiza o relatório da Planner. Segundo a corretora, quando somamos o fluxo estrangeiro nas operações da B3 com as operações de mercado primário (IPO e Follow on), enxergamos por outro ângulo.

Ao invés de terem retirado R$ 19 bilhões da bolsa, entraram com R$ 4,4 bilhões. Assim, diz a Planner, os recursos podem estar saindo por uma porta (mercado secundário) e entrando por outra (mercado primário).

“Esta percepção pode explicar o fato de a B3 seguir valorizada mesmo com as notícias recorrentes de saída forte de fluxo estrangeiro”, diz a corretora.

Ainda de acordo com a Planner, pela tabela, observa-se que 44% do total investido nas ofertas públicas foram de Investidores estrangeiros, representando cerca de R$ 23 bilhões. “Este número deveria ser somado ao fluxo que é disponibilizado pela B3, onde só contabiliza o mercado secundário. O que acaba não capturando o total de investimento estrangeiro no país.”

Só em 2019 foram dois IPOs (Centauro e Neoenergia), mais 17 follow on, totalizando 19 operações, contra apenas cinco no ano passado (3 IPOs e 2 follow on).

Para a Planner, a melhor maneira de visualizar o fluxo seria de uma forma global, com toda a movimentação:

“Com isso concluímos que o investidor estrangeiro segue presente no mercado brasileiro, participando ativamente das ofertas primárias.”

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Mas em relação ao estoque?

David Cohen, da Paineiras, também ressalta que temos de colocar as ofertas públicas na conta para ter uma avaliação melhor sobre o comportamento do estrangeiro. Com relação ao estoque, ele enviou dados atualizados (veremos belos gráficos abaixo), mostrando que o estoque de posição do estrangeiro está na casa dos R$ 1,3 trilhão (julho 19). Então, os R$ 19 bilhões representam de 1,46% do estoque.

Segundo Cohen, a análise de fluxos é sempre ambígua. Para toda compra temos uma venda e a questão é encontrar quem é o agente ativo, quem está tomando o mercado para cima ou batendo para baixo. "Parece que nos últimos dias o estrangeiro está mais ativo na venda que os locais na compra", explica.

Outra forma de olhar a questão, segundo o gestor, é que pela primeira vez estamos em um quadro de juro baixo e vemos uma migração em massa dos investidores locais da renda fixa para a bolsa. "Se todos os locais compram, quem vende? Só pode ser o estrangeiro", avalia.

Considerando a variação por valuation, (que considera a valorização ou desvalorização de ações, mais o fluxo e futuros) temos que de dezembro a julho, o valuation saiu de R$ 150 bilhões para R$ 350 bilhões. Agora esse ganho por variação de posição caiu para a casa dos R$ 300 bilhões. A carteira do gringo “andou”, mesmo com a venda a mercado, pois a bolsa subiu mais e teve a compra via ofertas.

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