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Governo eleito

Não teremos nenhum problema com a China, diz Bolsonaro

Em entrevista, presidente eleito fala sobre China, reformas e corta a cabeça de assessor de Paulo Guedes

Jair Bolsonaro (PSL) - Imagem: Igo Estrela/Ag. Estado

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, afirmou em entrevista ao vivo à “TV Bandeirantes” que não teremos nenhum problema nas relações comerciais com a China. “Pelo contrário, nossa conversa será ampliada”, disse.

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Bolsonaro respondia a questionamento sobre o tema e sobre a visita que recebeu de uma comitiva da embaixada chinesa. Segundo o presidente eleito, a conversa foi protocolar, com a participação do futuro ministro Paulo Guedes, e que o que foi transmitido é que se pretende agregar valor às exportações brasileiras. “Não podemos apenas exportar commodities”, disse.

Na semana passada, o jornal estatal "China Daily" disse que se Bolsonaro adotar a linha de Donald Trump, a economia brasileira sofrerá as consequências.

O que incomoda Bolsonaro não só com relação à China, mas com outros países, é que “todos podem comprar no Brasil, mas não o Brasil”.  Na sequência falou em possíveis vedações à compra por estrangeiros de terras agricultáveis.

“Vão matar o nosso agronegócio. Se abre para país [estrangeiro] perdemos a garantia alimentar”, disse, depois de citar a Austrália como país que proíbe a compra de terras por não residentes.

Reforma da Previdência

Bolsonaro voltou a afirmar que uma reforma feita de forma gradual pode atingir o mesmo objetivo sem colocar em risco ou levar pânico à sociedade. Ele também voltou a defender que não dá para mudar a Previdência sem levar em conta os contratos e expectativas já formadas na sociedade e que diferenças regionais e entre categorias de trabalhadores têm de ser consideradas. Não há martelo batido e Paulo Guedes concentra o assunto e puxa a orelha de um ou outro assessor quando necessário.

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Desta vez, o presidente eleito não falou explicitamente que garantir idade mínima seria um bom começo como em outras ocasiões, mas disse que vai conversar com o presidente Michel Temer para tentar aproveitar “alguma reforma ou outra”. Disse ainda que se o tema da Previdência não avançar neste ano, apresenta alguma proposta no começo de 2019.

Ainda sobre Temer, com quem deve se encontrar na quarta-feira, Bolsonaro disse que o presidente está colaborando com a equipe de transição e que o puder ser feito agora “será pedido”, como evitar pautas bombas.

Empresariado e privatização

Perguntado sobre os sinais de retomada de investimentos, Bolsonaro disse que já viu a Toyota e a Havan, entre outros empresários, dizendo que vão investir. Segundo o presidente eleito, os empresários tinham preocupação com o PT e seu viés estatizante “como não levar adiante a questão da Boeing com a Embraer”.

Sobre privatizações, voltou a falar que o que importa é o modelo a ser adotado e citou o caso da Embraer e das “golden shares” do governo, que dão poder de veto em determinadas questões.

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“Se confrontar, corta a cabeça”

Quase no fim da entrevista, Bolsonaro foi questionado sobre notícia do portal “UOL”, falando que o economista Marcos Cintra, que faz parte da equipe de transição, criticou a ideia de imposto único ou IVA (imposto sobre valor agregado) e defendeu um novo tipo de tributação sobre movimentação bancária. Impostos seriam aglutinados, reduzindo o custo de fiscalizar e de se declarar diversos impostos.

Em “tuite” publicado, hoje, Cintra também tocou no assunto.

Ao ser informado da notícia, Bolsonaro falou que “assessor de Guedes não quer dizer nada” e que se “confrontar, corta a cabeça”. O apresentador José Luiz Datena falou o nome de Marcos Cintra e Bolsonaro disse que já tinha falado com ele para falar somente sobre o que está acertado entre ele e Guedes. Mas que tem gente que “não pode ver lâmpada que se comporta como Mariposa, espero que a notícia não seja verdadeira”.

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Bolsonaro disse ainda que “quem quer ser oposição tem que estar fora do governo”. Informado posteriormente por alguém de sua equipe sobre do que se tratava, Bolsonaro mudou o tom, disse que a notícia “é coisa do passado” e que Marcos Cintra “merece todo o respeito”.

O assunto já foi motivo de desgaste ao longo da campanha, obrigando o candidato a ter de negar diversas vezes que recriaria a CPMF, o imposto do cheque. O tema fora abordado por Paulo Guedes em palestas que realizou no período eleitoral. De fato, o futuro ministro falou na possibilidade de agregar alíquotas e simplificar a declaração e fiscalização por meio de um tributo sobre movimentação financeira.

Aliás, na entrevista a Datena, Bolsonaro já tinha falado que não tem recriação de CPMF em seu governo e que a alíquota de 0,9% que chegou a ser cogitada é uma "hipótese absurda".

"Não queremos salvar o Estado quebrando o cidadão", disse.

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