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Brasil no centro e sul no topo: novos mapas-múndi lançados pelo IBGE desafiam convenções cartográficas

Com menos distorções e outra perspectiva do planeta, os modelos desafiam convenções que atravessam séculos.

Mapa do Brasil de cabeça para baixo em ilustração sobre cartografia e orientação geográfica. A imagem mostra o território brasileiro invertido para demonstrar que não existe uma posição cientificamente correta para representar países em mapas, tema relacionado aos mapas-múndi do IBGE com Brasil no centro e hemisfério Sul no topo.
Representação invertida do mapa do Brasil ilustra como a orientação cartográfica pode ser alterada sem comprometer a precisão. - Imagem: Montagem Canva.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) disponibilizou nos últimos dias três mapas-múndi temáticos que rompem com a representação mais conhecida do planeta.

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Em vez de seguir o padrão tradicional, os modelos posicionam o Brasil no centro e, em algumas versões, trazem o hemisfério Sul na parte superior. A iniciativa faz parte das celebrações em torno da Independência do Brasil.

Os materiais podem ser baixados gratuitamente na loja virtual do IBGE e também são vendidos em versões impressas. Lançados entre 2024 e 2026, os modelos físicos estão disponíveis em quatro formatos diferentes, do A0 ao A4, e custam entre R$ 10 e R$ 90.

As representações utilizam a nova projeção cartográfica aprovada pela ONU, a Terra Igual (Equal Earth), que busca reduzir as distorções de tamanho entre continentes e países presentes em projeções tradicionais.

O resultado pode causar surpresa para quem está acostumado ao mapa tradicional. Especialistas, porém, ressaltam que não existe uma orientação única ou cientificamente correta para representar a Terra em um mapa.

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Confira os mapas

Novo mapa-múndi do IBGE com Brasil no centro do planeta, países do G20 destacados e projeção que reduz distorções cartográficas.
Mapa-múndi temático mostrando os países membros do G20 e os países com representação diplomática brasileira. Imagem: Reprodução/IBGE
Novo mapa-múndi do IBGE com Brasil no centro da representação, países dos BRICS destacados e projeção cartográfica que reduz distorções globais.
Mapa-múndi temático mostrando os países membros dos BRICS, Mercosul, CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) e OTCA (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica). Imagem: Reprodução/IBGE.
Mapa-múndi temático do IBGE sobre riqueza de espécies em 2025, com projeção Equal Earth, Brasil no centro da representação e hemisfério Sul na parte superior, reduzindo distorções cartográficas entre continentes.
Mapa-múndi “Riqueza de Espécies 2025”, com informações sobre a biodiversidade ao redor do mundo. Imagem: Reprodução/IBGE.

Por que os mapas estão invertidos?

Por ser uma representação planificada da Terra, os mapas podem ser apresentados em diferentes orientações sem que isso comprometa sua precisão geográfica.

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À primeira vista, os mapas-múndi do IBGE podem parecer incomuns. Isso decorre da familiaridade com as projeções mais difundidas, especialmente a de Mercator, criada em 1569 e que popularizou a visão do mundo com o norte voltado para cima.

Além de distorcer as áreas próximas aos polos, ampliando visualmente regiões como a América do Norte e a Europa, esse tipo de representação reduz a proporção aparente de áreas localizadas próximas à linha do Equador, como a África e a América do Sul.

Segundo especialistas, essas características podem reforçar a percepção de que as regiões ao norte estão associadas à riqueza, ao desenvolvimento e a status mais elevados, enquanto as áreas ao sul tendem a ser relacionadas à pobreza e a condições menos favoráveis.

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*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.

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